Cinema

O novo “Esquadrão Suicida” é ultra violento, divertido e muito melhor do que o primeiro

Já estreou nos cinemas, com um ótimo papel da portuguesa Daniela Melchior. Foi realizado e escrito por James Gunn.
O filme tem 2h12 de duração.
74

Nos últimos 13 anos, a Marvel tornou-se uma potência multimilionária no cinema. Além dos muitos bons filmes, aproveitando as personagens icónicas da banda desenhada, desenvolveu uma teia complexa em que tudo está interligado — quase todos os filmes ou séries do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) têm pistas sobre as restantes histórias.

Nada dessa lógica (eficaz em termos narrativos e para o marketing da marca) se aplica no novo “O Esquadrão Suicida”, da rival DC Comics — que, mesmo sem o poder da Marvel, conseguiu produzir um filme mais irreverente, ousado e divertido do que a maioria do género. Estreou nos cinemas portugueses a 5 de agosto.

Não é uma sequela nem uma espécie de remake do desastre que foi o “Esquadrão Suicida” de 2016. Trata-se de uma nova história neste universo de vilões tornados anti-heróis, com algumas das mesmas personagens. James Gunn (o criador de “Guardiões da Galáxia”) realizou e escreveu o filme.

Se a esmiuçarmos, a narrativa é bastante simples e recheada de clichés. Há uma nova missão que precisa de ser feita por um grupo de super-vilões. A agente Waller (Viola Davis) volta a recrutar forçosamente uma série de personagens que estão na prisão. O seu objetivo é viajar até à fictícia ilha de Corto Maltese, na América do Sul, onde um golpe militar derrubou uma ditadura amigável para com os EUA.

O maior problema é que naquela ilha existem umas antigas instalações nazis, que continuam a ser usadas para experiências científicas desumanas — que estão relacionadas com uma criatura monstruosa que ali está aprisionada. 

O grupo de protagonistas é composto pelo soldado implacável Bloodsport (Idris Elba), que é uma espécie de substituto direto da personagem de Will Smith no filme anterior; o já conhecido coronel Flag (Joel Kinnaman); o divertido mas também dogmático Peacemaker (John Cena); o peculiar Polka-Dot Man (David Dastmalchian), que tem muitos problemas maternos; um monstro tubarão chamado King Shark (cuja voz é de Sylvester Stallone); e uma rapariga outsider, doce mas aguerrida, chamada Ratcatcher 2, que consegue controlar todos os roedores deste planeta (interpretada pela portuguesa Daniela Melchior).

Durante o enredo, junta-se a eles a famosa Harley Quinn (Margot Robbie), excêntrica e pura, embora completamente fatal e insana — a personagem da DC que, além de ter participado no primeiro “Esquadrão Suicida”, teve direito ao próprio filme com “Birds of Prey”.

Os protagonistas vão ter de explorar a selva, derrubar um exército de revolucionários, sair à noite ao som de funk brasileiro, invadir as antigas instalações nazis e enfrentar uma estrela-do-mar que é uma (ridícula) arma de destruição maciça.

Não é a história que é particularmente forte em “O Esquadrão Suicida”, mas sim o tom com que ela é contada. Este não é de todo um filme para crianças. James Gunn não poupou nas cenas épicas de ultra violência explícita, que é usada de forma bastante cómica e para demonstrar as habilidades dos protagonistas. É difícil pensar noutro filme de super-heróis com tantas mortes.

Há uma aura de comédia negra presente ao longo do filme — aliás, a “falsa partida” com que a produção arranca, com outro grupo de super-vilões, é a maior prova disso mesmo e estabelece logo o tom para toda a narrativa.

Aquilo que é realmente diferente em comparação com os filmes da Marvel é que há uma sensação de perigo latente — com tantas mortes e cenas de violência inesperadas, nunca antevemos o destino dos nossos protagonistas. Pelo menos não estamos à espera que eles sejam protegidos para que possam ser feitos não sei quantos spinoffs e sequelas com cada personagem.

“O Esquadrão Suicida” consegue ser uma epopeia de ação divertida, acelerada e despretensiosa, embora demonstre bem todo o seu milionário orçamento. É um filme relativamente superficial, claro, mas envolvente o suficiente para que não nos preocupemos com isso — e é um daqueles casos que vale mesmo a pena ver nos cinemas. Além disso, há alguma crítica à lógica usada pelos EUA na sua política internacional.

O elenco é composto por um grupo de atores extraordinários e não é estranho que Daniela Melchior esteja a ser tão aclamada lá fora. No primeiro projeto internacional em que participa, e naquele que foi apenas o seu terceiro filme, a atriz portuguesa consegue facilmente interpretar uma das personagens mais carismáticas de todo o filme. Ela é realmente, como muitos têm descrito, a voz da consciência da história, a perspetiva emocional dos espectadores. Assim nasce uma estrela — desconfiamos que o seu percurso global esteja apenas no início.

Leia também a entrevista da NiT com Daniela Melchior — e carregue na galeria se quiser descobrir outras produções de ficção para ver nas próximas semanas.

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