Cinema

O novo filme português de terror e comédia que o vai levar de volta para os anos 80

"A Maldição de Romanova", que estreou esta quinta-feira nos cinemas, é ligeiramente inspirado na lenda da bruxa de Carcavelos.
Mistura diferentes géneros do cinema.

Quando viu o filme “The Witch” em 2020, Hugo Diogo ficou cativado pelo oculto e pelas bruxas. Este fascínio deu origem a “Maldição de Romanova”, a sua nova longa-metragem que estreia esta quinta-feira, 30 de maio, nas salas de cinema portuguesas. Para a história, o cineasta também se inspirou em muitas lendas que ouviu ao longo da vida, nomeadamente naquela que fala sobre uma bruxa que anda por Carcavelos com um saco para raptar os habitantes.

A história desta nova produção acompanha Luís, um jovem que vive atormentado por um episódio negro do seu passado, que aconteceu quando ele e três amigos de infância (Sabrina, Rogério e Vasco) decidiram investigar o misterioso desaparecimento de um colega de escola. As pistas levaram-nos até Romanova, uma bruxa milenar que sacrifica miúdos em troca de poder. Durante o confronto, apoderou-se de Rogério e forçou os restantes a deixarem-no para trás.

Volvidos 15 anos, os sobreviventes continuam a tentar lidar com a morte de Rogério, cada um à sua maneira. Sabrina refugia-se enquanto cuida da mãe doente. Já Vasco dedicou a vida ao exercício físico e bem-estar.

Luís é o único que tentou superar o que se passou, mas permanece obcecado. Acaba por recrutar os amigos para se juntarem à sua cruzada para vingar Rogério. Quer impedir Romanova de raptar mais miúdos e de se tornar a Bruxa Suprema, uma criatura de poder incomparável, capaz de submeter todo o mundo aos seus caprichos.

Graças à descrição percebemos que o filme é de fantasia, um género no qual o realizador de 45 anos já tem muita experiência — “Lua Azul”, a sua primeira curta-metragem lançada em 2000, também era deste estilo. “Sou um daqueles jovens que cresceram a ver filmes do John Carpenter. Gosto muito de cinema americano e europeu e deste género em específico”, conta à NiT.

A ideia para criar “A Maldição de Romanova” surgiu em 2020. No início seria apenas uma curta de 30 minutos que serviria de piloto para apresentar aos canais de televisão. No entanto, meteram-se outros projetos pelo meio e este foi colocado no fundo da gaveta. Voltou a pegar nele em meados de 2023. “Queria muito retratar estes jovens que vivem esta situação traumática e, depois, a passagem do tempo ao estilo de ‘It: Capítulo 2’. Era uma ideia que já estava delineada há bastante tempo.”

Hugo pretendia criar um filme que atingisse tanto os jovens como as faixas etárias mais velhas. Para o fazer, juntou diferentes géneros dentro da obra, como o terror, a comédia e o thriller.”É um filme um pouco tonto e com nuances de suspense e notas de terror e comédia adolescente. Na altura em que começámos a pensar nisto, ‘Stranger Things’ também estava muito em voga”, reflete.

Tal como a série de sucesso da Netflix, este novo projeto português transmite a nostalgia que os anos 80 deixaram em muitos dos espectadores. “Tem uma vibração muito forte daquela década. A ideia era essa. Fomos buscar a energia que se perdeu nos dias de hoje, aquela energia de ingenuidade e a vontade de contar histórias de uma forma mais clara e sem complexos ou preconceitos”, acrescenta. Acredita que graças à forma como a obra foi filmada, as cores, a música e os efeitos especiais conseguiu “um resultado muito positivo”.

O elenco conta com Teresa Gafeira, Maria d’Aires, Madalena Aragão, Gonçalo Norton, Inês Sá Frias e Francisco Monteiro Lopes. Segundo explica Hugo, todos estes atores surgiram durante os castings — o realizador não tinha, então, ninguém específico em mente para qualquer um dos papéis. “Este é sempre um processo muito delicado. Nós temos uma ideia de qual é o caminho e de quem precisamos, mas depois acontece tanta coisa que tudo muda”, aponta.

As gravações demoraram cerca de cinco semanas, o que o cineasta considera ser um prazo normal. Ao longo do tempo passaram por diferentes zonas da Grande Lisboa. Filmaram em Carcavelos, numa “linda quinta abandonada” perto de Aveiras de Cima e em Odivelas.

Este período não esteve isento de dificuldades, algo que também já é habitual na indústria (especialmente em Portugal, onde os budgets são sempre mais reduzidos). “Gerir o financiamento foi muito complicado, porque também estava a filmar outras coisas. Este projeto não nasceu com um orçamento já definido. E como demorámos algum tempo, tive de manter a equipa motivada”, revela.

Nem com a estreia deste novo filme Hugo Diogo aproveita para descansar. Tal como revela à NiT, já está a filmar uma série sobre Cesária Évora e um filme de ação protagonizado por Luciana Abreu. Ambos os projetos deverão ser lançados em 2025. Este ano poderá ainda ver “A Idade da Pedra”, produzido pelo cineasta. A longa-metragem de comédia vai ser “lançada em julho ou agosto nos cinemas” e conta com João Seabra e Pedro Neves no elenco.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estrearam em maio nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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