Cinema

O novo “Mulan” chega a Portugal esta semana — mas vai ser muito diferente do original

Depois de uma longa espera, o filme está prestes a chegar cá, através da plataforma de streaming Disney+.
Novo filme estreia na Disney+.

Era para ter sido um dos grandes lançamentos do ano nos cinemas. A pandemia, no entanto, intrometeu-se nos planos. Foi preciso esperar meses mas o novo filme chega esta sexta-feira, 4 de novembro, não aos cinemas nacionais, mas à plataforma de streaming Disney+.

Falamos da nova versão de imagem real de “Mulan”, a lenda de uma rapariga na China imperial que, contra todas as convenções do seu tempo, se destacou no campo de batalha.

Em relação ao filme de animação de 1998, voltamos a ver Mulan (aqui interpretada por Yifei Liu) a assumir o lugar do pai, já débil, contrariando a nova lei que exigia que um homem de cada agregado familiar se juntasse ao exército. No entanto, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com a versão hiper-realista de “O Rei Leão”, desta vez a Disney apostou em muitas mudanças.

Em primeiro lugar, e antes dos spoilers que se avizinham, há dois marcos que têm sido destacados: este é o filme mais caro de sempre a ter sido realizado por uma mulher (Niki Caro). E é também a primeira produção da Disney cujo elenco é inteiramente asiático ou sino-americano. São marcos a ter em conta mas que podem não chegar para satisfazer os fãs que esperavam algo mais próximo do original.

A verdade (e seguem-se então os spoilers que já têm surgido na imprensa internacional) é que nem o humor, nem o lado musical nem sequer o dragão falante chegam ao novo filme. Também a Grande Muralha da China não tem direito a atenção na nova produção. A própria Mulan, aliás, não é nada trapalhona, é até particularmente dotada desde cedo para se tornar uma especialista nas artes marciais.

Não há dragão, é certo, mas há a ideia de uma fénix a proteger a família de Mulan. E mesmo desaparecendo o lado musical, o novo “Mulan” não deixa de prestar tributos discretos a algumas das canções da versão animada, como é o caso de “Reflection”.

Ao contrário do que acontecia no filme animado, aqui a história de Mulan começa por ser narrada pelo próprio pai. No novo filme vemo-la em criança, algo que não acontecia na versão animada. Desta vez a avó não surge na história. E descobrimos também que Mulan não é filha única. A jovem guerreira não tem um cão mas uma irmã mais nova.

Outra diferença a ter em conta é o momento em que Mulan prova o seu valor aos camaradas de armas. Não há uma seta no topo de um pilar que é suposto alcançar. Desta vez, destaca-se por ser a primeira a completar a tarefa de subir uma longa escadaria, segurando em cada braço um balde cheio de água.

Muita coisa mudou no novo filme.

Mulan volta a ter o espírito casamenteiro a persegui-la. Aqui, este foco será importante porque o lado de emancipação feminina de Mulan é ponto fulcral no filme. Tal como na versão animada, Mulan continua a ter de esconder dos companheiros que é uma mulher. Aqui, no entanto, isso é levado a outro nível. Esperam-se mais cenas onde a tensão sobre este risco de ser descoberta é palpável, até pelo facto de partilhar a tenda com outros guerreiros, ao contrário do que acontecia no primeiro filme.

Por outro lado, Mulan aqui não é ferida, como acontecia no filme de animação e na altura levou a que fosse descoberta. É ela própria, nos seus termos, que decide quando e como revelar que é mulher. Também não corta o cabelo, antes o esconde. Mas há mais mudanças e não apenas sobre Mulan.

Em vez do vilão do primeiro filme, a “Insider” explica que encontramos aqui duas personagens que guardam características do vilão original e que agora surgem como opositores a Mulan. Há, na verdade, mais perigos e ameaças neste filme e um imperador mais interventivo (aqui interpretado por um Jet Li que tem merecido elogios).

Ping era o nome escolhido no filme animado, Hua Jun é o seu nome masculino no novo filme. Mas a mudança mais importante vai à raiz da própria história. Na versão de imagem real, Mulan não tem apenas de esconder que é mulher. Esconde também o seu lado chi.

Este lado chi, segundo a crítica internacional, lembra um certo lado da Força, ao estilo “Star Wars” (que curiosamente também está sob alçada da Disney) e aproxima esta Mulan de um certo espírito de filmes de super-heróis, em que a protagonista é obrigada a evoluir e a crescer, assumindo também este seu lado poderoso.

O novo filme é mais dramático, mais épico e até mais violento nada que assuste os pais de crianças. Aqui há muita luta e morte, mas nada de particularmente sangrento como se percebe logo pelo trailer.

Acima de tudo, ao contrário do que a Disney fez com outras novas versões, aposta em ser uma obra mais autónoma, que pega no folclore da lenda e nas referências do filme de animação para lhe dar uma outra roupagem, mais adaptada ao nosso tempo. Quem pense que é só mais do mesmo, desengane-se, falamos mesmo de um outro filme, com méritos e deméritos próprios.

Do ponto de vista técnico, o filme tem merecidos muitos elogios. É uma produção ambiciosa e sumptuosa. Mas também tem sido apontada alguma falta de carisma. Ou, posto nas palavras do “The Verge”, estamos perante “a mais bonita desilusão do ano”. A longa espera (a estreia originalmente era para ter sido em março) não terá certamente ajudado a gerir expetativas. Mas a espera, pelo menos, está a chegar ao fim. A guerreira chinesa está prestes a mostrar ao que vem na Disney+.

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