Cinema

O novo “Top Gun” é uma boa sequela — e deve mesmo ser visto nos cinemas

A NiT já assistiu ao filme e os fãs do original não o devem perder. As sequências com os aviões são impressionantes.
Tom Cruise é o protagonista.

Quando “Top Gun – Ases Indomáveis” estreou nos cinemas em 1986, tornou-se um enorme sucesso comercial. Tom Cruise estava a iniciar um pico de forma — e popularidade — e era um filme com uma narrativa simples, que cruzava paixão, rivalidade e sequências de ação bastante trabalhadas.

O mundo mudou desde então — e a indústria de Hollywood também passou por transformações profundas. A grande tendência tornou-se a aposta em produções mais ou menos certas, sem os riscos de outrora. Ou seja, remakes, reboots, spinoffs ou sequelas de filmes que, no seu tempo, foram icónicos ou populares — e muito lucrativos. 

Mesmo que os novos projetos sejam um flop junto do público e da crítica, dificilmente não se conseguem pagar a si próprios, o que faz com que esta seja uma fórmula conveniente. Mesmo que eventualmente se torne insustentável por os espectadores se fartarem de ressuscitações cinematográficas de baixa qualidade, até lá as receitas dos bilhetes vão enchendo os cofres.

Uma das produções que podem ser enquadradas neste fenómeno contemporâneo é o novo “Top Gun: Maverick”, que estava pronto para estrear em 2020 mas que levou os produtores — nomeadamente Tom Cruise — a adiarem-no até a pandemia estar suficientemente controlada para que o público o pudesse ver em massa nos cinemas.

Esse dia chegou a 26 de maio, quando o filme estreou nas salas portuguesas. A NiT já assistiu ao filme — e a boa notícia para os fãs de “Top Gun” é que se trata de uma sequela bem executada.

Mais de 30 anos passaram desde os acontecimentos do primeiro filme. Mas nem tudo mudou — o protagonista Maverick mantém-se como um piloto de referência, irreverente e algo louco, que trabalha num programa militar com aviões. Ao longo da carreira, foi amplamente distinguido e medalhado, mas os poucos cuidados nalgumas operações — e a habitual pouca reverência pelas ordens superiores — fizeram com que estivesse perto de ser expulso das forças armadas. Pelos vistos, o seu anjo da guarda foi sempre Iceman (Val Kilmer), o rival da história original.

A narrativa recomeça quando, para uma missão específica, Maverick é instruído a treinar os novos pilotos acabados de sair da academia de Top Gun. Trata-se de uma missão ambiciosa e extremamente difícil, Maverick não tem o perfil de professor, e acima de tudo há um desafio emocional para o protagonista: no grupo de jovens pilotos encontra-se Rooster (Miles Teller), filho do seu velho amigo Goose, que morreu enquanto pilotava com Maverick. Rooster tem uma relação complicada com Maverick, sobretudo por causa de um mal-entendido no passado que o enredo não tarda a desvendar.

Sem Kelly McGillis no novo filme, Tom Cruise tem direito — claro — a um novo romance. Desta vez é com Penny (Jennifer Connelly), dona de um bar frequentado pelos pilotos e que tem um passado com Maverick. Ao longo das duas horas e 11 minutos de filme, o protagonista vai redimir-se com Rooster, aproximar-se de Penny e formar a tão difícil união entre os jovens pilotos — uma vez que, naturalmente, existem intensas rivalidades dentro do grupo.

O filme tem sido descrito como não tendo efeitos produzidos em computador — ou seja, foram pilotados caças reais durante inúmeras horas de filmagens. O resultado é eficaz: as muitas sequências de aviões em acrobacias aéreas são impressionantes. O realizador Joseph Kosinski usou o melhor da tecnologia atual para potenciar o novo “Top Gun”. Este é um filme que deve mesmo ser visto no cinema — e no melhor ecrã possível.

Sem revelarmos spoilers, o filme aposta em vários elementos nostálgicos e presta tributo a detalhes do original que se tornaram icónicos — seja na banda sonora, nas cenas consideradas homoeróticas por muitos fãs, ou na sentida homenagem que faz a Val Kilmer, ator que fazia de Iceman, e que sofre de cancro na garganta, o que o impede de falar e, essencialmente, de trabalhar.

O guião competente e coeso de “Top Gun: Maverick” faz a ponte entre este legado e a nova história. Os momentos de humor são possivelmente alguns dos melhores do filme — mas não espere ficar assim tão surpreendido. Este é um filme fechado em si mesmo, que não aborda temáticas maiores, e a própria missão que junta Maverick aos novos pilotos é completamente unidimensional. 

Apesar de ter quase 60(!) anos, Tom Cruise mantém-se como sex symbol — embora dando lugar à juventude e assumindo uma relação (felizmente) mais madura com o seu mais recente interesse amoroso. O novo “Top Gun” merece uma oportunidade de todos os fãs do original, mas temos dúvidas de que consiga satisfazer um público que não tenha essas referências e que esteja simplesmente à procura de um novo — e bom — filme.

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