Cinema

“O Pai”: um dos melhores filmes dos últimos anos vai estrear na televisão

A obra, que marca a estreia na realização do dramaturgo Florian Zeller, valeu o Óscar de Melhor Ator a Anthony Hopkins.
Olivia Colman é uma das protagonistas.

A longa-metragem realizada pelo dramaturgo Florian Zeller, a partir de uma peça de teatro escrita por si, é um drama comovente sobre a relação entre um pai e uma filha, à medida que o primeiro vai sendo absorvido pela demência e começa a duvidar dos seus entes queridos. E da própria mente.

Esta história é acima de tudo um retrato de um período da vida muitas vezes inevitável — que confronta o público com a dificuldade de se voltar a ser dependente e de nos tornarmos filhos daqueles que um dia dependeram de nós — chega à TV Cine a 18 de fevereiro, às 21h30. 

Anthony Hopkins, numa das mais poderosas interpretações da longa carreira, que lhe valeu o Óscar de Melhor Ator em 2021, dá vida a um homem que defende a sua autonomia e recusa toda a assistência da filha (Olivia Colman) conforme envelhece. Se, ao principio, quase nos consegue convencer de esta talvez esteja a exagerar um pouco, não demora muito para percebermos que aquilo que não parece assim tão sério é realmente preocupante.

Uma vez que nos apresenta o ponto de vista do pai, a narrativa está completamente fragmentada. O idoso não tem uma noção temporal correta, troca a cara das pessoas — há vários atores a interpretar as mesmas personagens — e deixa de as reconhecer. Ainda baralha pensamentos, intenções e emoções, levando quem assiste a também duvidar de tudo.

Com os detalhes a mudarem subtilmente a todo o mundo, torna-se difícil saber se o protagonista está no casarão em que sempre viveu, numa casa próxima (com uma decoração diferente) onde mora a filha ou numa clínica, por exemplo.

“O Pai”, que conquistou o Óscar de Melhor Argumento Adaptado, mostra ainda a perspetiva muitas vezes ingrata de quem está do outro lado da doença — neste caso, a filha. Muitas vezes, todo o esforço e cuidado que se tem não é de todo reconhecido porque a pessoa mais velha nem sequer se apercebe de (ou não aceita) que está naquela situação.

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