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O perturbador filme de terror que revolucionou o cinema já chegou à Netflix

"O Projeto Blair Witch" é tão convincente que a mãe da atriz principal chegou a receber cartas de pêsames pela suposta morte da filha.

Em 1999 surgiu um dos filmes mais rentáveis de sempre de Hollywood. Não lhe falamos de “Fight Club”, “Matrix” ou “Eyes Wide Shut”, mas sim de “O Projeto Blair Witch”. Com um orçamento inferior a 470 mil euros, arrecadou 230 milhões em todo o mundo. O clássico chegou esta quinta-feira, 27 de novembro, à Netflix.

A produção parte de uma premissa simples: três estudantes de cinema desaparecem misteriosamente numa floresta em Maryland enquanto investigam a lenda local da Bruxa de Blair, e o que o público vê é a “filmagem recuperada” dos seus últimos dias. Foi esta abordagem que conferiu ao filme uma autenticidade que muitos críticos consideram, até hoje, inquietante. Essa abordagem à história foi reforçada pelo estilo improvisado na interpretação dos atores e pela estética crua das imagens captadas em câmaras mais baratas.

O marketing foi talvez o elemento mais inovador de todo o projeto. Numa era ainda inicial da Internet, os produtores criaram um site que apresentava a história como um caso verídico, incluindo fichas dos desaparecidos, recortes de notícias e supostas provas recolhidas no local. Os atores principais (Heather Donahue, Joshua Leonard e Michael C. Williams) foram instruídos a manter perfil baixo e a não aparecer em eventos públicos, de forma a alimentar a ideia de que poderiam realmente estar desaparecidos.

Esta estratégia gerou enorme curiosidade e discussão online, impulsionando uma campanha de passa a palavra que transformou um filme independente de baixo orçamento num dos maiores sucessos comerciais de sempre dentro do terror. O público correu para as salas de cinema sem saber ao certo onde terminava a ficção e começava a realidade.

“O Projeto Blair Witch” ajudou a popularizar o subgénero do found footage, que influenciou vários outros sucessos cinematográficos que se seguiram. Em 2024, Jason Blum, o fundador da produtora Blumhouse (responsável por obras elogiadas como “Get Out” e “The Black Phone”) anunciou uma sequela. Durante o evento em que revelou esta novidade, também afirmou que “não teria existido um ‘Atividade Paranormal’ se não existisse primeiro um ‘Blair Witch’.”

No agregador Rotten Tomatoes, o filme de culto conta com uma pontuação média de 86 por cento dos críticos. “O filme é tão convincente, inteligente e arrepiante, que a mãe de Heather Donahue chegou a receber cartões de pêsames de pessoas que acreditavam que a filha estava realmente morta ou desaparecida”, escreveu o “The Times”.

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