Cinema

Luís Filipe Borges está a gravar uma comédia romântica na ilha do Pico

Fã do género, investiu no projeto "First Date", cujas gravações arrancaram a 15 de abril.
Deverá estrear no final do ano.

Luís Filipe Borges não tem medo de admitir que é um grande fã de comédias românticas. Tanto que faz questão de ver um par delas todos os meses. Se não o fizer, “começa a ressacar”. “Nos últimos anos parece que têm desaparecido do cinema comercial, que está cada vez mais focado em super-heróis e adaptações de histórias que já existem”, lamenta à NiT o apresentador e guionista, agora realizador.

Para trazer de volta o amor por este ramo da indústria do entretenimento, está atualmente a criar “First Date”, uma curta-metragem que acompanha um casal que se conhece online numa aplicação. Ela é americana e apaixonada por uma autora italiana que escreveu duas obras que se desenrolam na ilha do Pico. Ele é português, fica impressionado com as fotografias da jovem e “entra a pés juntos e convida-a para ir aos Açores”.

“Ela pensa que é uma loucura, mas, ao mesmo tempo, que é uma enorme coincidência cósmica”, explica o cineasta de 46 anos. O problema? O protagonista não é realmente do Pico — apenas mentiu e disse ser açoriano para parecer mais interessante. Vai ter de revelar a verdade e, depois, vamos ver se a norte-americana que esconde o seu próprio segredo o perdoa.

Nesta narrativa que decorre ao longo de 24 horas, existem várias referências ao género, sem que sejam demasiado evidentes. “Brincamos com alguns estereótipos do género, mas revertemos os papéis”, explica. Em “First Date”, a personagem exageradamente sexualizada não é a mulher, mas sim o homem.

A curta-metragem tem apenas quatro atores: Ana Lopes, que Luís conhece há 21 anos; Gina Neves, uma “senhora que foi escolhida num casting local há alguns meses”; Nuno Janeiro, outro amigo de longa data que vai só fazer uma curta aparição na obra; e Cristóvão Campos, um ator que o realizador admirava há muito tempo — e com o qual só agora conseguiu trabalhar.

As gravações, que normalmente duram oito horas, mas que também podem chegar às 12, começaram na passada segunda-feira, 15 de abril, e vão acabar a 22, se tudo correr conforme planeado. Vai ser, então, filmada no curto espaço de uma semana.

Quanto à localização da narrativa, Luís Filipe Borges — que já foi argumentista em projetos como “Chamadas Para a Quarentena”, “A Rede” e “Aqui Tão Longe” — escolheu a ilha do Pico porque tem uma “beleza triste e melancólica”. Além disso, é um sítio deslumbrante que poucos conhecem.

Até agora, não se arrepende desta decisão. No entanto, filmar nos Açores tem provado ser um desafio enorme — maior do que aquele que esperava, pelo menos. “O clima é muito instável”, aponta. No primeiro dia, tiveram de mudar todos os planos devido a um temporal. Trocaram-se cenários e ordens de cenas, mas tudo deu certo.

O investimento nesta curta é de 20 mil euros. Metade deste valor foi financiado pelo concurso da associação cultural MiratecArts. “First Date” foi o grande vencedor da primeira edição do Curta Pico, que juntava esta organização a três municípios da ilha.

A iniciativa foi lançada em janeiro de 2023. Na primeira fase, as diferentes ideias passaram por um júri local selecionado pelas próprias câmaras da ilha. Entre os mais de 30 projetos, nos quais havia alguns internacionais, apenas três finalistas passaram para a fase seguinte. 

Desta vez, as apresentações passaram por um júri composto por nomes conhecidos da indústria cinematográfica portuguesa, como Augusto Fraga, realizador de “Rabo de Peixe” e Rui Vieira, diretor da Playground, uma agência criativa e de publicidade.

“Tive a alegria de ter sido o meu projeto o vencedor”, afirma Luís. A decisão foi conhecida em janeiro deste ano. O facto de ter sido selecionado tem um sabor ainda melhor porque esta é a primeira vez que o cineasta tem o papel de realizador — antes era apenas guionista. Espera que “First Date” chegue ao público ainda em 2024, provavelmente na altura do Natal.

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