Cinema

O português que em apenas dois anos se tornou num dos maiores figurantes de Hollywood

Alfredo Tavares trabalhou sempre como engenheiro mas mudou de vida. Vai estar no próximo “Batman” e “Monstros Fantásticos”.

Uma equipa de investigadores forenses entra numa sala imponente. Um homem está morto, com a cabeça coberta por um saco de plástico — deve ter sido asfixiado. Há sangue no local e parece que um dos dedos da sua mão esquerda foi cortado. Esta será uma das cenas do próximo filme de “The Batman”, que terá Robert Pattinson como protagonista e Matt Reeves como realizador.

O português Alfredo Tavares interpreta um dos investigadores forenses — gravaram esta cena no início do ano, quando a produção do filme começou em Londres, no Reino Unido. Pouco tempo depois, a rodagem foi interrompida por causa da pandemia.

Natural de Aveiro, este homem de 46 anos tem uma história surpreendente. Em dois anos, tornou-se uma presença regular em grandes séries de televisão e filmes como figurante. O seu currículo é já verdadeiramente impressionante. Mas vamos começar pelo início.

Quem é Alfredo Tavares?

Nasceu em 1974, dois meses antes da revolução, em Aveiro. Vivia com a mãe, que trabalhava na universidade da cidade; o pai, torneiro mecânico; a meia-irmã sete anos mais velha e os avós maternos. A mãe morreu muito cedo, em 1979, e os avós seguiram-se um par de anos depois. Desentendida com o padrasto, a meia-irmã de Alfredo foi estudar para um colégio de freiras. Como ficaram os dois sozinhos, a família paterna — que vivia toda no Porto — convenceu o pai de Alfredo a mudarem-se para lá.

Alfredo Tavares tinha dez anos. Tinha tido uma infância “pobre”, como descreve à NiT, e no Porto teve a oportunidade de começar a ver filmes na televisão. “Adorava os filmes do Bruce Lee, do Chuck Norris, do Jean-Claude Van Damme. Porra, gostava de ser como eles. Depois fui para uma escola de karaté, e formei-me em karaté e kickboxing com cinturão negro. E na altura gostava de ser ator de cinema. Mas em Portugal não havia condições, era uma pessoa sem meios, o meu pai também me tinha um pouco abandonado… Não tinha possibilidades de pagar uma escola e ir para Londres ou para os Estados Unidos. Então fui obrigado a fazer o curso de engenheiro.”

Licenciou-se em Engenharia de Eletrónica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e aos 23 anos partia rumo a Paris, em França, em busca de uma “vida melhor”. Lá, conseguiu trabalho como engenheiro na Siemens, onde esteve durante 16 anos. Em Paris também se apaixonou e casou. Teve dois filhos, Alexandre e Nicolas — que hoje têm, respetivamente, 19 e 16 anos. Esta podia ser uma história banal como tantas outras sobre a vida de um emigrante português, mas a verdadeira ação começa aqui.

Alfredo Tavares e a mulher separaram-se. Foi um processo lento, que durou alguns anos. “E depois fiquei um pouco saturado do trabalho, sabes? Gostava de fazer outra coisa, mas não sabia o quê. Então os meus colegas perguntaram-me porque é que eu não ia para ator de cinema. E eu perguntei porquê. E eles disseram que, só de olharem para mim, com o meu sotaque e o meu jeito de ser, era suficiente para os fazer rir. Deixei tudo, pensei: sou divorciado, vou mudar completamente a minha vida. Vou mudar de mulher, de trabalho e começo uma vida nova. E foi a melhor escolha que fiz em toda a minha vida.”

Alfredo Tavares atrás e ao centro, na Cours Florent, em Paris.

A carreira na representação

Alfredo Tavares seguiu este impulso de recuperar o seu sonho antigo de se tornar ator. Tinha dinheiro guardado de parte e nos últimos tempos na Siemens começou a estudar à noite numa das escolas de representação mais reputadas de França, a Cours Florent. Foi aceite depois de interpretar um monólogo que Marlon Brando tornou famoso. Esteve lá entre 2015 e 2017. 

Nesse último ano, separou-se definitivamente da mulher e mudou-se para Los Angeles, nos EUA. “Em França o cinema é um pouco fraco e o meu sonho, como o de todos os atores, era ir para Hollywood e ser conhecido mundialmente. O meu sonho era ser famoso. Então mandei o meu currículo para a melhor escola de acting do mundo, a New York Film Academy, em Los Angeles, e perguntaram-me se eu podia ir lá fazer uma audição.”

Levou um monólogo de Hannibal Lecter que Anthony Hopkins tinha interpretado em “O Silêncio dos Inocentes”. “O júri adorou, disseram que tiveram medo: ‘Pensámos que alguém estava dentro de você’. E como eles viram que eu já era diplomado em França, passaram-me diretamente para o último ano da faculdade. Só estive lá um ano com eles, e meteram-me logo numa agência em Los Angeles chamada Central Casting, que é onde os grandes produtores, realizadores e diretores de casting dos filmes e séries de televisão, das grandes produções, vão buscar os figurantes.”

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Desde 2018 que tem conquistado muitos papéis de figurante — ou de micro personagens. O seu currículo, que pode ser consultado no portal mundial de referência IMDb, tem já 68 participações em filmes e séries, programas e curtas-metragens. Vários deles são realmente grandes produções.

Um dos primeiros grandes projetos que fez foi “Era Uma Vez em… Hollywood”, o mais recente filme de Quentin Tarantino, que estreou no ano passado. Alfredo Tavares garante que foi escolhido pelo próprio Tarantino na agência de casting de figurantes.

Foi contratado para substituir Kurt Russell nalgumas das cenas enquanto duplo — Tavares explica que as cenas são tantas vezes repetidas que por vezes é necessário ter alguém que substitua os atores conhecidos em cenas onde não tenham destaque para que eles possam prosseguir com a sua agenda ocupada.

Vai ser o motorista de Margaret Thatcher em “The Crown”.

“Quando o Brad Pitt e o Leonardo DiCaprio falam para o Kurt Russell e os espectadores não lhe veem a cara, era eu quem o substituía. Puseram-me o mesmo cabelo, a mesma roupa, a câmara está por cima do meu ombro e vê-se o Brad Pitt e o Leonardo DiCaprio a falarem para mim.”

Alfredo Tavares considera Tarantino “um dos melhores realizadores do mundo” e diz que é “muito simpático”. “Ele disse-me antes de dizer ação: ‘Alfredo, de que é que mais gostas de comer, o que é que te dá mais prazer?’ Eu disse: ‘eu gosto de pizza, Big Mac e gelado’. Ele disse: ‘está bem’. Foi buscar um assistente e essa pessoa foi-me comprar isso tudo para mim. Eu comi, e ele diz que faz a pessoa mais feliz e mais motivada para trabalhar, que levanta a moral. E cada vez que começava ele dava-me isso”, diz o ator português, que também faz trabalhos como modelo.

Participou no também premiado “Le Mans ‘66: O Duelo” e em séries conhecidas e conceituadas como “Big Little Lies”, “Veep”, “Station 19”, “Virgem Jane”, “Unbelievable”, “The Great”, “I May Destroy You” e “Black-ish”.

“O Caminho de Volta”, filme protagonizado por Ben Affleck; ou o recente “Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga”, de Will Ferrell e Rachel McAdams; e o programa de experiências sociais da Netflix “100 Humans” foram outros dos projetos em que entrou.

A grande maioria destes papéis não incluem diálogos, mas Alfredo Tavares já teve oportunidade de ter falas — um desses casos foi na série “For The People”, em que todos os episódios se centram num caso judicial diferente. O português interpretou o “vilão” do episódio, que foi defendido pelo advogado interpretado por Vondie Curtis-Hall.

Em “Grand Hotel” fez de jogador de basebol e teve a oportunidade de conhecer Eva Longoria. “Ela é simpática, mas não gosta de muita conversa. Nessa altura ela estava grávida, parecia muito cansada, não queria muito que a gente falasse com ela.”

Alfredo Tavares ao lado de Vondie Curtis-Hall em “For The People”.

Participou ainda num episódio de “Investigação Criminal: Los Angeles” — precisamente naquele em que a personagem de Daniela Ruah se casa. É possível vermos Alfredo Tavares a dançar no copo de água mesmo ao lado de Daniela Ruah.

E alguns dos seus maiores projetos ainda estão a ser gravados ou produzidos. É o caso de “Velocidade Furiosa 9”, onde Alfredo Tavares fez de duplo de John Cena — o facto de ser cinturão negro em dois desportos de combate ajuda. 

“A Charlize Theron quer vingar-se do Vin Diesel, o Vin Diesel é meu irmão [da personagem de John Cena] só que eu não gosto dele. Então a Charlize Theron pede-me a minha ajuda. E, pronto, foram cenas de porrada que filmámos. Numa tive que levar um soco e cair para o chão. Mas só começámos a filmar em janeiro e depois parou tudo. O resto da história ainda não sei bem.”

Em “Venom: Let There Be Carnage”, vai ter uma cena em que vai aparecer mesmo ao lado de Tom Hardy, ao interpretar um polícia. “Sou eu que o protejo lá dentro. O Andy Serkis é que me dirige no ‘Venom’. Ele só me dá mais instruções: ‘olha, Alfredo, quando entras nesta cena (que é num sítio estilo asilo psiquiátrico), quando entras lá dentro não levantes muito a arma, tem de estar mais baixa por causa da câmara’. Ele dá-me essas indicações profissionais.”

Recuperando o início deste artigo, Alfredo Tavares vai também participar no futuro “The Batman”. “Fizemos uma cena no exterior, e no primeiro andar é que havia um homem assassinado. Acho que foi o Batman que matou alguém, nós não sabemos a história. E depois fizemos essa segunda cena, numa sala com um grande candeeiro no meio, que tem lá um homem com a cabeça coberta sentado num sofá — alguém asfixiou-o com um saco de plástico e ele tem o dedo indicador da mão esquerda cortado. E nós, da investigação criminal, somos chamados para investigar porque não sabemos quem matou esse tipo. Fomos investigar se havia sangue no chão — e esse sangue parece ser muito importante. Investigamos também os quadros que estão na sala, olhamos para o dedo.”

Vai também participar em “Bridgerton”, a série ao estilo “Downton Abbey” que Shonda Rhimes produziu para a Netflix; e em “The Crown” vai ser o motorista de Margaret Thatcher na quarta temporada da série. Vai ainda participar numa produção televisiva western chamada “The Nevers”.

Alfredo Tavares à direita, no casamento em “Investigação Criminal: Los Angeles”.

Outro grande blockbuster em que vai estar envolvido é o terceiro filme de “Monstros Fantásticos”, o spinoff da saga de “Harry Potter”. “Disseram que vou ter muita sorte porque vão-me meter à beira do Johnny Depp. Agora, não sei se vou ter diálogos. Eles disseram que vou estar no interior do ministério da magia. Vamos começar a gravar em outubro.”

Um figurante num mundo de grandes estrelas

As grandes produções de televisão ou cinema podem ter centenas de figurantes a trabalhar ao mesmo tempo. “Às vezes eles escolhem um ou dois para ficarem à beira dos atores principais. E eu tive muita sorte, porque muitas vezes escolhiam-me a mim. E depois é o boca a boca, entre produtores e diretores de castings, que tem feito com que isto tudo tenha acontecido.”

Quando chegou a Hollywood, o português gravou uma série de “headshots” — planos que mostram a expressão facial a representar vários tipos de emoções. Funciona como uma base de dados na agência que trabalha consigo para que os diretores de casting ou produtores possam escolher os figurantes que mais gostam de ver com uma expressão triste, feliz ou chocada, por exemplo. “Eu fui lá, fizeram-me esses headshots, os produtores adoraram a minha cara, eles dizem que tenho um great look, uma boa cara para os filmes.”

Os figurantes só conhecem as cenas em que participam e quase nunca têm acesso ao resto da narrativa. Em muitas produções — que estão envoltas num grande secretismo — não podem levar o telemóvel para o set de gravações e só podem ir à casa de banho quando têm autorização, nas pausas entre cenas.

Além disso, têm de assinar um contrato em que prometem não revelar nada sobre as cenas que gravaram — nem sequer aos amigos e familiares mais próximos. Apesar de Alfredo não cumprir à risca, admite. “Claro que toda a gente conta aos amigos, à namorada, à mulher.”

Outra medida que os grandes estúdios de cinema tomam para evitar fugas de informação é o uso de títulos falsos, para que os emails e documentos não revelem o verdadeiro nome do filme. Por isso, muitas vezes Alfredo Tavares só sabe em que produção vai entrar quando chega ao set no dia de gravações. Nos últimos dias conseguiu mais um papel para um enorme blockbuster. Foi convidado para entrar em “Arcadia” — o nome de código para “Jurassic World: Dominion”, que tinha data de estreia prevista para 2021.

Alfredo Tavares vestido de polícia para o novo “Venom”.

“The Batman” é conhecido como “Vengeance”, “Venom” é tratado como “Fillmore”, o terceiro “Monstros Fantásticos” é “Vermillion”, “Velocidade Furiosa 9” é “FF9” e “Le Mans’ 66: O Duelo” foi simplesmente mencionado como “Spoilers”.

Já as estrelas de cinema, diz, não falam muito com os figurantes. “Eles não são muito de falar fora dos filmes, só dão conselhos para aquela cena. Quando o realizador diz ‘corta’, temos aquela pausa e esses grandes atores famosos, como têm mais experiência e como estás a trabalhar com eles, dizem ‘tenta fazer isto com a tua mão, ou não levantes muito a tua mão, atenção a essa expressão’, essas coisas. Mas não querem ir muito longe porque há muita gente que está a olhar para nós e eles vão pensar ‘se eu vou dar confiança ao Alfredo, mesmo que eu queira dar porque ele está a trabalhar junto de mim, os outros figurantes também vão querer, vão ser um bocado ciumentos’ e então eles tentam ser muito profissionais.”

Por isso, Quentin Tarantino foi realmente a pessoa que mais gostou de conhecer nesta (ainda) curta experiência. “Ele veste-se de forma diferente dos outros produtores, são só umas jeans e uma T-shirt, nada de ouros nem de gravatas nem de blazers. E quando está a comer não se mete só com os atores principais, também se mete com os figurantes, a comer à beira deles. Os outros produtores ninguém pode falar com eles, eles só falam com os atores principais, os figurantes são ‘lixo’. O Tarantino foi a pessoa que me tocou mais.”

Os seus atores favoritos são aqueles que cresceu a ver na televisão nos filmes de ação. Em Hollywood, diz que muita gente diz que ele é parecido com Marlon Brando ou Harvey Keitel. Quanto a realizadores, gostava de trabalhar com muitos. “Gosto muito do Steven Spielberg, do Christopher Nolan, do Martin Scorsese, do George Lucas, do Peter Jackson. Mas, para mim, o melhor realizador do mundo, com quem adorava trabalhar, é o James Cameron. Para mim tem uma imaginação incrível.”

Alfredo Tavares sabe que Cameron está na Nova Zelândia a gravar a sequela de “Avatar” e que os próximos filmes da saga já estão confirmados. “Eu adoraria entrar num desses filmes, quem sabe, não é? [risos]. Como estão a correr as coisas, até pode ser que esteja no ‘Avatar’ de 2022 ou 2023. Meu deus, que sonho, nunca se sabe. Tem que se sonhar alto. As pessoas não acreditam nem eu acreditava conseguir estar nestes grandes filmes. Quando eu estava em França e disse aos meus colegas que ia embora para Hollywood, toda a gente começou-se a rir, perdi muitos amigos porque foram ciumentos de eu ir para Hollywood, deixaram de falar comigo. Mas não me importo com isso.”

O seu objetivo é continuar a crescer na carreira e começar a ter papéis maiores e mais importantes. “Já que cheguei aqui em apenas dois anos e os produtores dizem que tenho uma boa cara para os filmes… Se um dos melhores realizadores do mundo me convida para o seu filme depois de eu sair da escola, quase sem ter feito filme nenhum, é porque… Não sei, mas acho que vou ter possibilidades de fazer grandes filmes, e com diálogos, e ser ator principal em grandes filmes. Eu não me quero armar, quero realizar o meu sonho de ser um grande ator. Por isso espero que o Brad Pitt, o Leonardo DiCaprio e o Kurt Russell, todos esses, vão para a reforma para eu ir para o lugar deles [risos]. Tenho grandes esperanças, tenho estado muito ocupado.”

O português faz ainda trabalhos como modelo.

Alfredo Tavares tem estado a viver entre Los Angeles e Londres, dois dos maiores pólos da indústria cinematográfica mundial. Contudo, neste momento está mesmo na capital britânica, após alguns meses sem trabalho, a ensaiar para a série “The Nevers”.

Em agosto, o mês dos emigrantes, vem a Portugal passar férias — como sempre faz. Fica a dormir em Aveiro, na casa da irmã, e passa sobretudo os dias no Porto. Do que sente mais saudades de Portugal, diz, é da praia.

“Mas agora como tenho mais condições já não posso ver as praias do norte. São geladas, já não meto lá os pés há mais de 20 anos. Vou sempre para o Algarve uma semaninha com a minha irmã, o meu cunhado, sobrinho e os meus filhos. É a minha principal família. Normalmente vou para Albufeira, Vilamoura ou Quarteira. E é o que vou fazer este ano também. Portugal para mim é mais ver a minha família, são as raízes, é a única família que tenho no mundo. De resto não ligo a mais nada. Espero bem que um dia o cinema… que um produtor me oiça e possa trabalhar em Portugal. Também é um dos meus sonhos. É o meu País, é sempre uma honra, e o meu sonho é ser como a Daniela Ruah, estar no estrangeiro e ganhar alguns prémios e representar Portugal. É o meu sonho, hei-de lá chegar.”

O filho mais velho, Alexandre Tavares, quer ser médico cirurgião e vai entrar na faculdade em setembro. O mais novo, Nicolas, está no décimo ano e agora quer seguir as pisadas do pai. 

“Primeiro queria ser engenheiro informático, depois queria ser realizador porque eu disse que eles e os produtores é que fazem os filmes, e agora quer ser ator porque eu sou ator. ‘O papá pode-te ajudar, só que tenho de ser famoso para isso, para te dar uma chance [risos]’ Eles estão todos os dias: ‘oh papá, espero que tenhas boas notícias, quero-te ver num grande filme’. Estão sempre a meter-me para a frente. ‘Dá-me tempo, rapaz, só estou há dois anos nisto e já estou à beira dos atores principais’.

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