Cinema

O que levou Kelly Rowland a reaproximar-se do pai que a abandonou aos 4 anos

A ex-membro das Destiny's Child é a protagonista de "Mea Culpa", que estreou na Netflix esta sexta-feira, 23 de fevereiro.
Uma parte traumatizante da sua vida.

“Era um miúdo, não estava preparado para ser pai e eu odiava-o. Estava zangada e desiludida com ele. Sempre tive problemas de abandono por causa disso”, contou, Kelly Rowland em 2022 no programa “Today”, do canal de televisão norte-americano NBC.

A ausência de uma figura paterna na sua vida não a impediu de prosperar na indústria do entretenimento. Foi um dos elementos do grupo Destiny’s Child, ao lado de Beyoncé e Michelle Williams. Juntas, lançaram êxitos como “Say My Name”, “Survivor”, “Bills, Bills, Bills”, e muitos mais.

Com o final da girl band, em 2006, começou a apostar no cinema, tendo aparecido em filmes como “Freddy Contra Jason”, “Dá Tempo ao Tempo” e “Pensa Como Um Homem”. Esta sexta-feira, 23 de fevereiro, estreou na Netflix a sua nova obra, chamada “Mea Culpa“.

“Uma advogada de defesa tem de escolher entre a família, o dever e os seus próprios desejos proibidos quando aceita o caso de um artista acusado de homicídio”, lê-se na sinopse. Interpreta Mea Harper, a protagonista.

As relações familiares conturbadas são um grande foco da longa-metragem criada e realizada por Tyler Perry. É um tema bastante pessoal para Kelly, visto que também ela teve muitos problemas com o pai ao longo da vida. Em 2014 reaproximaram-se, após cerca de 30 anos afastados.

“Não sabia porque é que ele não estava na minha vida”, contou no mesmo programa a artista de 43 anos. Tinha cerca de quatro quando Christopher Lovett a abandonou. Era apenas uma miúda e via o mundo a preto e branco. “Pensava que não estava comigo simplesmente porque não queria estar, e isso era péssimo”, recorda.

Quando atuava com as Destiny’s Child, o progenitor tentou abordá-la diversas vezes, mas Kelly pedia aos seguranças que não o deixassem aceder aos bastidores, porque não queria lidar com ele naqueles momentos. É algo que se arrepende até hoje. “Ele via a filha prosperar e não podia fazer parte disso”, explica.

Lovett também se lembra de chegar aos espetáculos e de ser expulso. Quando a apresentadora Hoda Kotb lhe perguntou como se sentia, afirmou que os amigos costumavam dizer, contentes, que tinham visto a sua “menina” no palco. “Sortudos. Eu não consegui”, respondia-lhes. Kelly afirmou que o fez para se proteger do trauma que lhe havia causado.

“A ferida demorou a sarar”, garante, e foi apenas em 2014 que finalmente se sentiu preparada para voltar a falar com Christopher. Naquele mesmo ano fteve o seu primeiro filho. A par disso, estava de luto pela morte de Doris Rowland Garrison, a sua mãe.

Sentia-se devastada porque, a seu ver, já não tinha nenhum progenitor vivo, mas lembrou-se que isso não era verdade: “Eu tenho um pai. Não posso perder mais tempo”, recorda. Ganhou coragem e encontrou-se com ele num hotel em Atlanta, nos EUA. A decisão também foi incentivada por Jay-Z. “Ele disse-me que o amor está muito relacionado com o risco. Temos de decidir se vamos saltar ou não”, comenta Kelly.

Antes de entrar no lobby da unidade, estava nervosa, com a respiração pesada e a suar imenso. Na sua cabeça tinha milhares de perguntas. “Estava desiludida, magoada, mas, ao mesmo tempo, curiosa”, reflete a atriz.

Pai e filha sentaram-se pela primeira vez em 30 anos, e conversaram durante cerca de duas horas. Rowland apenas ouviu. Lovett, por sua vez, desabafava “sobre a infância horrível que teve” — também não tinha uma ligação com o pai, que o abandonou quando era bebé.

Começou a vê-lo de forma completamente diferente, o que descreve como “incrível”. “Debaixo de todos aqueles sentimentos negativos que eu tinha, também havia muito amor por alguém que, no passado, era tudo para mim”, reflete. Agora mais madura e mãe de dois meninos (Titan Jewell e Noah Jon), sabe que Christopher “fez o melhor que conseguiu com aquilo que tinha”. “O perdão está mesmo ali ao virar da esquina”, conclui.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries (e regressos) que chegaram às plataformas de streaming e às televisões em fevereiro.

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