Há um novo filme brasileiro nos cinemas nacionais. “O Rei da Internet” estreou na passada quinta-feira, 2 de julho, e acompanha a história do homem que ficou conhecido como um dos maiores hackers do Brasil. O ator João Guilherme, de 24 anos, interpreta Daniel Nascimento, que começou a cometer crimes online no início dos anos 2000 quando ainda era adolescente.
Com base no livro publicado em 2014, “DN Pontocom – A Vida Secreta e Glamourosa de um Ex-Hacker”, escrito pelo próprio, e em conversas com Daniel Nascimento, o realizador Fabrício Bittar retratou a sua história desde que entrou no mundo do crime até 2005 quando foi detido pela polícia federal, aos 16 anos. No entanto, os delitos online começaram muito tempo antes.
Daniel Lofrano Nascimento, atualmente com 38 anos, cresceu entre Curitiba e Guaratuba, no Paraná. Durante a adolescência, sofreu de bullying na escola e isolou-se. No entanto, segundo o próprio, acabou por encontrar na Internet um lugar que lhe dava o sentimento de pertença e reconhecimento.
O vício aumentou depois de o pai o inscrever num curso de informática e de receber um computador novo, o que o fazia passar madrugadas inteiras na Internet. Já nessa altura, começou a cometer pequenos delitos, como clonar telefones públicos para conseguir ficar mais tempo online.
Depois, começou a cometer outros crimes menores por diversão, como invadir sites de editoras e de uma gravadora para conseguir revistas e CDs gratuitos. Mais tarde, esses crimes aumentaram de proporção: Daniel começou a clonar cartões de crédito para fazer compras online.
Em 2002, quando tinha 14 anos, já frequentava grupos de hackers. Num desses, fez amizade com um russo que lhe deu um “exploit” — técnicas e programas usados para explorar vulnerabilidades e falhas de um sistema — para invadir computadores a escala global. Graças a isso, aos 15 anos, acabou por chamar a atenção de um grupo criminoso de Porto Alegre, para o qual começaria a trabalhar.
Tal como é possível observar no filme, DN — alcunha que adotou — viveu uma vida de luxo. De carro topo de gama a grandes festas e hotéis caros, começou a viver à grande com o dinheiro que roubava. No livro, afirma que numa única madrugada roubou mais de um milhão de reais.
A operação do grupo de que o jovem hacker fazia parte, chamada Operação PontoCom, foi apanhada e desmantelada a 30 de novembro de 2005, quando a polícia federal invadiu o apartamento de Porto Alegre em que Daniel estava a entrar naquele momento.
Prestes a completar 17 anos, o jovem e o grupo de 20 pessoas da organização foram levados para a “Superintendência da Polícia Federal em Porto Alegre”, onde Daniel permaneceu incomunicável por horas enquanto a polícia definia os procedimentos legais. Depois, o hacker foi transferido para Curitiba, onde passou a noite sob custódia.
No dia seguinte foi ouvido no tribunal na presença do pai e da advogada, depoimento que acabou por deixá-lo em liberdade. No entanto, nos meses seguintes, o jovem continuou a prestar esclarecimentos à justiça.
Após toda a situação, Daniel admite ter enfrentado uma depressão profunda, um medo constante e dificuldades financeiras devido ao esquema em que esteve envolvido durante anos. Atualmente, parece ter superado o passado. Trabalha em consultoria de segurança digital e faz palestras pelo Brasil.
Segundo o realizador Fabrício Bittar, o filme seria inicialmente baseado só no livro de Daniel, no entanto, durante a produção, o ex-hacker contou detalhes que ajudaram a incluir novos episódios na história. Além disso, ele também afirma que Daniel gostou muito do resultado final.
O elenco do filme conta com grandes artistas brasileiros como João Guilherme interpretando o protagonista, Marcelo Serrado, como Fábio, Caio Horowicz como Noturno e Miguel Nader como Muralha, entre outros atores.
“O Rei da Internet” já está disponível nas salas de cinema de todo o País. Leia o artigo da NiT sobre as estreias de cinema da semana.








