Mais de duas décadas depois de o vírus da raiva ter transformado o Reino Unido num território praticamente irreconhecível, os infetados continuam a não ser o único perigo. “28 Anos Depois: O Templo dos Ossos”, quarto capítulo da saga de terror iniciada em 2002, está disponível na Netflix em Portugal desde 5 de agosto.
Realizado por Nia DaCosta, o filme estreou originalmente nos cinemas em janeiro deste ano e funciona como continuação direta de “28 Anos Depois”. A história começa precisamente onde o capítulo anterior terminou e volta a acompanhar Spike, interpretado por Alfie Williams, agora envolvido com o grupo liderado pelo perturbador Jimmy Crystal, personagem de Jack O’Connell.
“À medida que a narrativa avança, fica claro que os infetados deixaram de ser a única ameaça: a crueldade dos próprios sobreviventes revela-se tão ou mais perturbadora”, lê-se na sinopse.
Em paralelo, Ralph Fiennes regressa ao papel do Dr. Ian Kelson, uma das personagens que mais se destacaram no filme anterior. Isolado junto ao chamado Templo dos Ossos, continua a estudar os infetados e desenvolve uma improvável ligação com Samson, um Alfa interpretado por Chi Lewis-Parry.
Kelson acredita que pode haver mais vida nos infetados do que apenas violência e instinto, enquanto prossegue uma investigação que poderá alterar aquilo que os sobreviventes pensam saber sobre o vírus. Do outro lado está Jimmy Crystal, líder de um grupo violento que construiu uma espécie de culto próprio num mundo sem regras.
O confronto entre estas duas figuras acaba por assumir um papel central no filme. Enquanto Kelson representa uma tentativa de preservar alguma humanidade no meio do caos, Crystal utiliza a violência e uma ideologia própria para controlar os seguidores.
Além de Ralph Fiennes, Jack O’Connell e Alfie Williams, o elenco inclui Erin Kellyman e Chi Lewis-Parry. A realização ficou entregue a Nia DaCosta, conhecida pelo trabalho em “Candyman”, depois de Danny Boyle ter realizado o capítulo anterior.
A saga começou com “28 Dias Depois” (2002), realizado por Danny Boyle. Seguiu-se “28 Semanas Depois” (2007) e, quase duas décadas mais tarde, o universo regressou com “28 Anos Depois” (2025). O novo filme dá continuidade direta a este último.
A receção da crítica foi bastante positiva. No Rotten Tomatoes, o projeto soma atualmente 91 por cento de aprovação dos críticos e 88 por cento do público.
O jornal britânico “The Guardian” considera-o “o melhor capítulo da saga por uma larga margem”. A crítica destaca especialmente Ralph Fiennes, que descreve como “fenomenal”, e elogia a “decisão de colocar os conflitos entre humanos no centro da narrativa, deixando os zombies num papel menos dominante”.
A interpretação do ator britânico é, aliás, um dos elementos mais elogiados. O jornal considera particularmente memorável uma sequência ao som de “The Number of the Beast”, dos Iron Maiden, e destaca o contraste entre a serenidade de Kelson e a violência que domina o mundo à sua volta.
Também a “IGN” elogia a mudança de direção. A publicação descreve o filme como “um novo capítulo macabro e magnificamente filmado” e considera-o o mais violento da saga até agora. A crítica sublinha que a principal ameaça já não está necessariamente nos infetados, mas naquilo em que os próprios sobreviventes são capazes de se transformar.
Ralph Fiennes volta igualmente a receber destaque na análise da publicação. A “IGN” elogia a humanidade que leva ao Dr. Kelson, uma personagem simultaneamente gentil, excêntrica e melancólica, e destaca a relação improvável que estabelece com Samson.
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