Cinema

“Obsession”. O terror psicológico da geração Z que está a conquistar Hollywood

O filme mistura romance tóxico, violência sobrenatural e humor negro. Soma já 95% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Um simples desejo amoroso transforma-se rapidamente num pesadelo sangrento em “Obsession — A Felicidade É Relativa”, o novo thriller de terror que estreou nos cinemas portugueses esta quinta-feira, 14 de maio. O filme tem sido uma das maiores surpresas do género este ano e já está a conquistar a crítica internacional.

Realizado por Curry Barker, cineasta de 26 anos que começou no YouTube com vídeos de comédia e pequenos projetos independentes, o filme mistura romance adolescente, terror sobrenatural e violência gráfica numa história sobre obsessão, dependência emocional e desejos que correm muito mal.

A narrativa acompanha Bear (Michael Johnston), um funcionário tímido de uma loja de instrumentos musicais apaixonado há anos pela amiga Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de confessar aquilo que sente, acaba por encontrar um estranho amuleto chamado “One Wish Willow”, capaz de realizar desejos. Sem pensar demasiado nas consequências, deseja que Nikki o ame “mais do que qualquer coisa no mundo”.

O problema é que o desejo funciona. A partir desse momento, Nikki transforma-se numa presença obsessiva, instável e assustadora. O que começa como uma fantasia romântica rapidamente se converte numa espiral de violência, possessividade e acontecimentos sobrenaturais cada vez mais perturbadores. “Depressa descobre que alguns desejos têm um preço sombrio e sinistro”, revela a sinopse. 

O elenco junta Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e Megan Lawless. Mas é sobretudo a interpretação de Navarrette que está a chamar atenções. A atriz alterna entre momentos de vulnerabilidade, explosões inesperadas e um comportamento quase desumano ao longo do filme.

 No Rotten Tomatoes, “Obsession” soma atualmente 95 por cento de aprovação entre críticos e 95 por cento entre o público.

Para a “Variety”, o filme consegue pegar numa ideia clássica de terror e transformá-la numa reflexão moderna sobre relações tóxicas. A revista descreve-o como “um thriller inquietante que transforma uma fantasia romântica num pesadelo profundamente desconfortável”, elogiando ainda a forma como mistura “comédia negra, terror sobrenatural e crítica às relações da geração Z”.

No site “Roger Ebert”, a crítica destaca sobretudo o retrato da obsessão masculina contemporânea. O filme é descrito como “uma história cruel e desconfortável” que consegue captar “o ressentimento emocional e a ansiedade das relações modernas”, enquanto acompanha a degradação psicológica das personagens.

Já o “The Hollywood Reporter” considera que o filme consegue “renovar uma fórmula clássica do terror”, elogiando a combinação entre suspense, humor negro e violência gráfica. A publicação destaca ainda Inde Navarrette, afirmando que a atriz entrega “uma interpretação verdadeiramente aterradora”.

Uma leitura semelhante surge no “Empire”, que descreve o projeto como “uma abordagem grotesca e divertida às consequências destrutivas do amor obsessivo”. A revista elogia particularmente a capacidade de Curry Barker para construir tensão e sustos “mesmo sendo apenas o seu segundo filme”.

Também o “Los Angeles Times” sublinha o desconforto provocado pela personagem de Nikki, considerando que o realizador encontrou “um medo muito específico da geração atual”. O jornal escreve que a personagem funciona como “uma presença imprevisível e emocionalmente descontrolada”, capaz de transformar qualquer cena num momento de tensão.

Apesar de partir de uma premissa simples, “Obsession” acaba por funcionar como algo mais perturbador do que um típico filme de sustos. Entre gore, relações tóxicas, humor negro e violência extrema, o projeto transforma uma fantasia romântica numa experiência desconfortável e difícil de esquecer.

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