Cinema

“One Night in Miami”: o novo filme que vale a pena ver em casa no fim de semana

Malcolm X, Muhammad Ali, Jim Brown e Sam Cooke entram num bar. É o maior projeto realizado pela atriz Regina King até ao momento.
O filme tem 1h54 de duração.

25 de fevereiro de 1964. Cassius Clay tinha 22 anos quando, de forma inesperada, bateu Sonny Liston em Miami e se tornou no campeão mundial de pesos pesados de boxe. A estrela do futebol americano Jim Brown, que até tinha comentado o combate na rádio, esperava fazer uma grande festa num hotel de luxo para celebrar a vitória.

Só que Cassius Clay tinha outros planos. O pugilista preferia ir festejar para um pequeno hotel frequentado pela comunidade negra na altura, o Hampton House Motel, e levou para lá Jim Brown, seu amigo próximo. Quem também se juntou foi o ativista Malcolm X e o cantor Sam Cooke.

As conversas privadas e específicas que estes quatro ícones afro-americanos tiveram naquela noite rodeados de outras pessoas no bar do motel permanecem desconhecidas. Mas é certo que, na manhã seguinte, Cassius Clay anunciou que era um orgulhoso membro da Nação do Islão, organização ativista anti-integração. Pouco tempo depois, adotava um novo nome, que ficou conhecido para sempre: Muhammad Ali.

Na sexta-feira passada, 15 de janeiro, estreou um novo filme na plataforma de streaming da Amazon Prime Video que imagina o que poderá ter acontecido naquela noite. “One Night in Miami” é o maior projeto alguma vez realizado pela famosa atriz Regina King.

Trata-se de uma adaptação de uma peça de teatro que estreou em 2013, escrita por Kemp Powers (um dos argumentistas e realizadores do mais recente filme da Pixar, “Soul”, que também retrata a comunidade afro-americana).

O filme imagina a celebração pós-combate que juntou estas quatro figuras e dramatiza as conversas inspiradoras e determinantes que poderão ter tido. Nas suas respetivas áreas, os homens discutem quais são as melhores formas de atingir a igualdade para os negros na sociedade americana da altura.

“Esta peça é simplesmente sobre uma noite, quatro amigos e as muitas decisões importantes que podem acontecer num único, mas revelador, serão”, escreveu Powers sobre o seu espetáculo num ensaio em 2013.

Uma imagem real da noite (reconstituída na imagem de destaque).

Claro que, partindo de uma base real, os diálogos que estão presentes na peça e no filme são fictícios, imaginações do que poderá ter sido dito. Supostamente, os quatro amigos saem revigorados daquela noite. E com novos propósitos por cumprir.

Por exemplo, Sam Cooke grava a famosa canção “A Change is Gonna Come” (que na vida real já tinha sido gravada antes do combate) e Cassius Clay transforma a sua identidade, influenciado pelos amigos.

Malcolm X e Jim Brown acreditavam que o título de campeão mundial de boxe não era apenas um enorme feito por si só, mas podia ser usado como plataforma para fazer a diferença e apelar à mudança.

No fundo, “One Night in Miami” reflete sobre estas figuras históricas e sobre os problemas da sociedade americana dos anos 60, em particular o racismo e a segregação que continuam atuais e relevantes, mesmo que de outras perspetivas.

A produção tem 1h54 de duração e o elenco inclui nomes como Kingsley Ben-Adir, Eli Goree, Aldis Hodge, Leslie Odom Jr., Lance Reddick, Christian Magby, Nicolette Robinson, Michael Imperioli e Lawrence Gilliard Jr., entre outros.

Leia também o artigo da NiT sobre “Uncle Frank” o filme da Amazon que saiu em 2020 que quase ninguém viu mas que toda a gente devia ver e descubra ainda no catálogo “Sound of Metal”, que foi considerado pela NiT como um dos melhores filmes do ano que passou.

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