Cinema

Pai de Robert Downey Jr. deu-lhe drogas aos seis anos. “Foi um erro terrível”

A relação complicada entre o pai realizador e o famoso filho ator é alvo do novo documentário da Netflix.
Downey Sr morreu em 2021. Tinha 85 anos

Durante três anos, o mais famoso Robert Downey do mundo dedicou-se a fazer um documentário sobre a vida de um mais desconhecido Robert Downey, o seu pai. O resultado chega cerca de um ano depois da morte do pai do famoso ator, que não resistiu à doença de Parkinson, a 7 de julho de 2021.

O documentário, lançado na Netflix a 2 de dezembro, viaja pela infância de Robert Downey Junior e pela influência que o seu pai, um criativo realizador de cinema, teve no seu crescimento. Uma abordagem turbulenta, dado o percurso controverso do ator de 57 anos.

É precisamente no documentário que é recordado um dos momentos que podem — ou não — ter ajudado a moldar a personalidade de Downey Jr. Tinha apenas seis anos quando, durante uma noite de póquer, o pai o apanhou a tentar beber de um qualquer copo de vinho.

Em vez de lhe tirar o copo, Downey Sr. passou-lhe para a mão um um cigarro de marijuana e aconselhou-o antes a tentar fumar. Um gesto que, reconhece, foi “um erro estúpido e terrível”.

Nos anos 60 e 70, Downey era um conhecido realizador independente. Em 1969, lançou a obra que o tornou conhecido, “Putney Swope”, uma sátira ao mundo da publicidade de Nova Iorque e que ajudou a influenciar muitos famosos realizadores, de Paul Thomas Anderson a Jim Jarmusch.

A infância do jovem Downey Jr foi atribulada, obrigado “crescer numa família onde toda a gente consumia drogas”. São também esses demónios que se enfrentam no documentário íntimo entre pai e filho, que o ator fez questão de fazer à medida que o pai ficava cada vez mais debilitado pela doença.

Foi o próprio Downey Jr que, em 1999, admitiu isso mesmo a um juiz, ao atirar as culpas da sua dependência das drogas para o pai. Segundo o próprio, começou aos seis e aos oito já estava “agarrado”.

Além de explorar a carreira mais desconhecida do pai, Downey Jr aproveita o documentário para debater questões sobre a criatividade, a mortalidade, a parentalidade e o trauma geracional. Quem também faz parte da conversa é Rosemary Rogers, terceira esposa do realizador.

O delicado tema da infância e educação de Downey Jr é abordado, à medida que o ator demonstra problemas em aceitar as barreiras e limites morais do pai. “O que quer que se esteja a desenrolar, seja engraçado ou tráfico, está a acontecer em frente às câmaras”, explica no trailer. “Mas depois há uma parte de mim que pensa: ‘oh, vou sentir a falta dele’.”

Sobre esse episódio das drogas e do meio turbulento a que esteve exposto, Downey Jr é sincero. “Acho que estaríamos em falta se não falássemos sobre o efeito que isso teve em mim”, explica numa chamada telefónica com o pai. “Bem, essa é uma discussão à qual eu não gostaria de estar presente”, responde Downey Sr. no trailer.

Enquanto jovem, o ator era habitualmente requisitado pelo pai para fazer parte do elenco dos seus filmes independentes e que raramente tinham sucesso comercial. Downey Jr estreou-se com apenas cinco anos. “Tens pelos nos tomates?”, disse na única linha de diálogo que lhe foi atribuída.

Do novo documentário faz também parte uma polémica entrevista do realizador, gravada nos anos 90, onde Downey Sr. admite que a infância do filho foi complicada. “Muitos de nós achavam que seria hipócrita não deixar os nossos filhos consumir marijuana ou outras coisas do género. Foi uma idiotice da nossa parte ao parte ao deixarmos que eles também consumissem”, explicou. “Estou apenas feliz porque ele está aqui connosco.”

Durante os loucos anos 90 de Downey Jr., foram muitas as situações de perigo. Preso por diversas vezes, passou grande parte do tempo em clínicas de reabilitação e a justificar-se perante os juízes.

“A minha dependência é como ter sempre uma caçadeira na boca, com o dedo no gatilho, e sentir que adoro o sabor do metal da arma.”

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