Cinema

A pequena (e aterradora) Esther está de volta em “Órfã: A Origem”

A prequela do filme de terror de 2009 tem a mesma atriz, agora com 25 anos, no papel de uma criança de nove.

Isabelle Fuhrman tinha apenas 12 anos quando assumiu o papel de Esther, no bem-sucedido filme de terror de 2009, “Órfã”. Mais de uma década depois, é a mesma atriz que, já com 25 anos, regressa ao papel para uma prequela.

A pergunta que vem imediatamente à sua cabeça foi colocada vezes sem conta pelos produtores. Como é que uma mulher de 25 anos se transforma numa jovem com metade da idade? Sem orçamento milionário, foi preciso recorrer a muitos e engenhosos truques de câmara e perspetiva. E assim foi possível lançar “Órfã: A Origem”, que chegou aos cinemas esta quarta-feira, 5 de outubro.

Tudo começou em 2009, com Fuhrman a assumir o papel de Leena, uma aparentemente inocente órfã, adotada por um casal (Vera Farmiga e Peter Sarsgaard) que não consegue ter filhos. Rapidamente descobrem que por detrás da órfã está toda uma outra identidade. Leena é, na verdade, Esther, uma mulher de 33 anos que sofre de um problema de saúde que a mantém aprisionada num corpo de criança.

Agora, conhecemos finalmente as origens da órfã do inferno, com a prequela a ser realizada por William Brent Bell. O elenco traz um novo casal, protagonizado por Julia Stiles e Rossif Sutherland, que viram a sua filha Esther desaparecer sem deixar rasto. Vários anos mais tarde, Esther reaparece, para causar mais problemas.

Esther é, claro, Leena, acabada de escapar de um hospital psiquiátrico na Estónia. O elenco conta ainda com Hiro Kanagawa e Matthew Finlan.

Fuhrman, a protagonista que reaparece de forma improvável no mesmo papel de há 13 anos, é também produtora. Foi ela quem ajudou a lançar a ideia do novo guião, ao contactar David Leslie Johnson, depois de assistir a um episódio de “Dr. Phil”.

Nesse episódio, debatia-se o caso real de uma órfã ucraniana que foi acusada de mentir sobre a sua idade verdadeira. Assim nasceu a ideia de revisitar as origens de Esther e de ser, ela própria, a protagonista.

“Adoro o desafio de poder fazer-me passar por uma criança, porque historicamente isso nunca foi feito”, explicou à “The Hollywood Reporter”. “Não fazia sentido e fiquei a pensar como é que poderia revisitar o papel e convencer as pessoas de que era uma criança? Porque da última vez, isso era a parte fácil — a parte difícil era fazer de conta que era uma adulta.”

A tarefa, diz, parecia “ser impossível”, mas garante que o resultado foi mais do que satisfatório. “Não usámos quaisquer efeitos especiais nem truques malucos de maquilhagem,. Acho que o que faz com que o filme funcione, é o facto de as pessoas não conseguirem perceber bem como é que pareço uma criança de nove anos. É mesmo assustador.”

Bell, o realizador, confirma que todos estavam entusiasmados, mas que poucos sabiam como o fazer. “Toda a gente achava que ia ser fixe conseguirmos fazer o filme funcionar com ela, mas muitos sabiam igualmente que isso obrigaria a criar um filme com orçamento de milhões, como fizeram com ‘O Irlandês’, e nem acho que tenha funcionado bem.”

Foi preciso ir buscar “todos os truques dos livros”. O resto do elenco teria que assentar em pessoas efetivamente mais altas do que Fuhrman, para ajudar a potenciar os truques de ilusionismo com as câmaras.

Usou, por exemplo, uma técnica de perspetiva forçada, que foi igualmente usada por Peter Jackson em “O Senhor dos Anéis”, de forma a evidenciar a diferença de alturas entre Gandalf e os hobbits.

“Todas as cenas eram um truque de magia, mesmo se fosse uma cena simples como duas pessoas a caminharem numa rua. A Julia teria que estar sempre dois ou três passos à frente da Isabelle”, explica o realizador.

Ainda assim, “Órfã: A Origem” tem recebido algumas críticas pela insistência em colocar uma mulher adulta no papel de uma suposta criança, o que não impede que lhe seja elogiado o lado de “thriller mais psicológico”. Ainda assim, parece estar a ter uma melhor passagem pela crítica do que o seu antecessor.

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