A Netflix voltou a apostar num “thriller” de sobrevivência com grandes nomes de Hollywood, mas, desta vez, o resultado não convence totalmente os críticos. “Predador Dominante” estreou esta sexta-feira, 24 de abril, na plataforma e junta Charlize Theron e Taron Egerton num confronto intenso no meio da paisagem australiana.
Realizado por Baltasar Kormákur, o filme acompanha Sasha (interpretada por Theron), uma mulher em luto que decide testar os seus limites numa viagem solitária. O que começa como um percurso de superação transforma-se rapidamente num jogo mortal quando cruza o caminho de Ben (Taron Egerton), um aparente homem comum que revela intenções muito mais perigosas e obscuras.
“Uma mulher de luto testa os seus limites na natureza australiana e vê-se subitamente envolvida num jogo mortal com um predador implacável”, resume a sinopse. Ao elenco junta-se ainda Eric Bana, que interpreta Tommy, o companheiro de Sasha, cuja morte no início da história desencadeia toda a narrativa.
Com cerca de 95 minutos, o filme aposta num ritmo rápido e numa perseguição constante entre presa e predador, com cenas de ação em rios, florestas e montanhas. No Rotten Tomatoes, soma atualmente 70 por cento de aprovação entre os críticos, um valor que mostra uma receção positiva, mas longe de ser consensual.
As críticas dividem-se
Uma das leituras mais entusiastas vem da revista “Variety”, que destaca sobretudo a intensidade do duelo entre os protagonistas. A publicação descreve o filme como “um ‘thriller’ de sobrevivência, tenso e visualmente impressionante, que funciona como um duelo constante entre duas forças opostas na natureza”. Ainda assim, ressalva que a história “não oferece grandes surpresas”, preferindo apostar na ação e no espetáculo: “Pode não reinventar o género, mas compensa com cenas de grande tensão e um ritmo eficaz que mantém o espectador sempre em alerta.”
Já o “The Guardian” é mais crítico e considera que o filme não aproveita totalmente o potencial do cenário e da premissa. O jornal escreve que “a história segue uma fórmula demasiado previsível, com um vilão que pouco se distingue de outras versões já vistas neste tipo de filmes”. Apesar disso, reconhece que o ritmo melhora na segunda metade: “Quando o jogo de perseguição começa, há momentos de tensão que funcionam, mesmo que o conjunto pareça vazio e sem grande identidade.”
O site “Roger Ebert”, que faz crítica de cinema e séries, elogia sobretudo o lado mais físico e visual da produção. Na crítica, refere que o filme “cumpre o que promete enquanto experiência intensa e focada na sobrevivência, com uma realização que aproveita bem os cenários naturais e cria sequências de ação eficazes”. No entanto, aponta limitações na profundidade das personagens: “A história opta por privilegiar o suspense e a ação em detrimento de um desenvolvimento mais profundo, o que pode tornar a experiência repetitiva em alguns momentos.”
Também a “IGN” destaca o equilíbrio entre ação e emoção, sublinhando o desempenho dos protagonistas. A análise refere que “Charlize Theron constrói uma personagem forte, mas vulnerável, enquanto Taron Egerton surpreende ao assumir um papel mais sombrio e perturbador”. Ainda assim, admite que o filme segue caminhos familiares: “É um ‘thriller’ eficaz e visualmente impactante, mas que não foge muito às convenções do género.”
No fim, “Predador Dominante” parece cumprir aquilo a que se propõe: um filme de sobrevivência, intenso e focado na ação. Para alguns críticos, isso é suficiente para garantir uma boa experiência. Para outros, fica a sensação de que poderia ter ido mais longe.
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