Cinema

“Primeiro as Damas”. A nova sátira de Sacha Baron Cohen está longe de convencer a crítica

A comédia acompanha um executivo machista preso num mundo onde os papéis de género foram invertidos.

Sacha Baron Cohen já provou várias vezes que consegue criar algumas das personagens mais icónicas da comédia moderna. Entre “Borat”, “Ali G” ou “Brüno”, o ator britânico tornou-se conhecido precisamente por satirizar machismo e política através do seu típico humor desconfortável e exagerados. Agora, regressa à Netflix com “Primeiro as Damas”, uma nova comédia satírica que estreou esta sexta-feira, 22 de maio — mas a crítica está longe de ficar contente. 

O filme acompanha Damien Sachs (Sacha Baron Cohen), um executivo de publicidade arrogante, mulherengo e profundamente machista que parece ter tudo: dinheiro, poder e uma carreira prestes a atingir o topo. Tudo muda quando acorda num mundo paralelo dominado por mulheres, onde os papéis de género foram completamente invertidos.

De repente, Damien passa a enfrentar o tipo de discriminação e humilhação que antes ignorava. Enquanto tenta adaptar-se à nova realidade, entra também em conflito com Alex Fox (Rosamund Pike), uma executiva brilhante e destemida que assume finalmente o controlo da empresa onde ambos trabalham.

A produção funciona como remake do filme francês “Não Sou Um Homem Fácil” (2018) e aposta numa sátira construída à volta da inversão total das dinâmicas entre homens e mulheres. Além de Cohen e Pike, o elenco inclui ainda nomes como Richard E. Grant, Charles Dance, Emily Mortimer, Fiona Shaw e Kathryn Hunter.

A crítica internacional reconhece o potencial da premissa, mas considera que o filme não consegue ir além da ideia inicial. No “The Guardian”, a produção é descrita como “dolorosamente datada”, criticando sobretudo o humor repetitivo e a forma como “estica demasiado uma piada única”.

O jornal britânico aponta ainda que Sacha Baron Cohen surge “desconfortável e perdido” num papel que nunca aproveita totalmente o talento cómico do ator. Já Rosamund Pike é elogiada pela presença em cena, embora o jornal considere que “merecia material humorístico muito melhor”.

Uma leitura semelhante surge no “The Hollywood Reporter”, que descreve “Primeiro as Damas” como “uma comédia de conceito interessante, mas previsível do início ao fim”. A publicação considera que várias piadas acabam por funcionar mais como “sorrisos cúmplices” do que verdadeiras gargalhadas, embora destaque o esforço do elenco para elevar o material.

A “Variety” vai ainda mais longe e escreve que o filme “parece feito para outra geração”, criticando a forma como reutiliza ideias já exploradas em dezenas de comédias sobre guerras de sexos. Ainda assim, a revista reconhece que existem alguns momentos divertidos, sobretudo graças às interpretações exageradas de Fiona Shaw e Kathryn Hunter.

Grande parte das críticas destaca precisamente o contraste entre a qualidade do elenco e a fragilidade do argumento. O “The Guardian” descreve mesmo o projeto como “um desperdício quase criminoso de talento”.

Apesar das críticas divididas, “Primeiro as Damas” continua a apostar num formato clássico de comédia satírica sobre desigualdade, poder e machismo, utilizando um universo invertido para expor vários comportamentos ainda presentes no quotidiano.

Carregue na galeria para conhecer as datas das melhores estreias nas plataformas de streaming ao longo do mês de maio.

ARTIGOS RECOMENDADOS