Cinema

Primeiro microcinema de Portugal já abriu. As sessões são gratuitas

O Nahmetiq consegue receber cerca de 25 espectadores. Ao contrário do que acontece noutros espaços, pode levar os seus snacks.
Celebra-se o cinema independente.

“São filmes de correntes e formas de estar afastadas do mainstream, baseados na experimentação e na ligação à arte contemporânea.” É assim que Henrique Vilão, um dos fundadores, descreve as obras serão apresentadas no Nahmetiq, o primeiro microcinema de Portugal. A sala situada em Cantanhede, no distrito de Coimbra, abriu portas a 1 de junho.

O espaço foi criado em parceria com o artista plástico Fernando Gaspar e com a assistente dele, Adélia Vasques. Segue a tradição dos anos 1990 de resistência à distribuição de cinema em grande escala, à semelhança do Spectacle, em Nova Iorque (EUA), e do La Lumiére Collective em Montreal, no Canadá.

Henrique Vilão descreve-se como um “artista multidisciplinar”. Estudou cinema na Universidade da Beira Interior, e, atualmente, leciona no mesmo curso. “Trabalho em áreas mais marginais, como videoarte, crio espetáculos de dança contemporânea e teatro com vídeo. Também faço instalações multimédia e audiovisuais, e já fiz videoclipes com artistas internacionais”, detalha. No passado, já colaborou com a cantora e compositora Ayanna Witter-Johnson, que, por sua vez, trabalhou com Sting.

Um espaço como o Nahmetiq era algo que faltava em Portugal. “Existia uma lacuna no panorama de exibição de filmes no nosso país”, sublinha Vilão. Mas afinal, o que é um microcinema?

Tal como o nome sugere, trata-se de uma sala com dimensões muito reduzidas. O “pequeno auditório improvisado” em Cantanhede, por exemplo, tem apenas 20 metros quadrados e pode receber aproximadamente 25 espectadores.

Trata-se de um “conceito muito artesanal”, onde tudo é feito pelos fundadores. “Na verdade, é um atelier que transformamos para exibir os filmes”, revela. “Esta lógica DIY [Do It Yourself] estende-se à comunicação e à forma como contactamos os cineastas.” A sessão inaugural contou com “Paint on Paint #1-8” e “Anima #1” de Vasco Diogo. No futuro, pretendem exibir trabalhos de realizadores internacionais.

O orçamento “é quase inexistente”, o que significa que os programadores e organizadores têm que ser “muito dedicados e apaixonados pela causa” para conseguirem replicar o conceito em Portugal. Embora esteja aberto a todos, o Nahmetiq acaba por ser muito voltado para a comunidade artística local.

O conceito, defende o trio de fundadores, tem ainda uma dimensão mais prática: a criação de uma plataforma para debater e expor ideias, bem outras artes. “Acaba por estimular um espectador ativo a criar pensamento e discurso crítico sobre os filmes. No fundo, existe aqui uma espécie de ligação entre o espírito e o legado de espaços como o Filmmakers Cinematheque, de Jonas Mekas, ou a Factory de Andy Warhol.”

No Nahmetiq também serão exibidos “filmes raros e, de outro modo, inacessíveis, para a comunidade que partilha este amor pelo cinema”, sublinha Henrique Vilão. “São obras que têm linguagens muito alternativas”, acrescenta.

Como funciona no atelier de Fernando Gaspar — que costuma participar em exposições internacionais —a programação do microcinema está condicionado à disponibilidade da sala.

Todas as sessões são gratuitas e anunciadas com antecedência nas redes sociais. O Nahmetiq tem ainda outra característica distintiva relativamente a salas de maiores dimensões: os espectadores podem levar os próprios snacks sem terem de os esconder.

 
 
 
 
 
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