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Cinema

Quem é o jovem ator português que prendeu Alicia Vikander — e que entra no novo Batman

Aos 24 anos, Bernardo Santos partilhou o set de gravações com dezenas de estrelas, quase sempre como extra. E sonha com um papel principal.
Nasceu em Lisboa, mora em Londres e quer ser uma estrela

Foi num telefonema rotineiro que um dos seus agentes lhe explicou que uma produção estava à procura de um polícia para prender a atriz principal do filme. Com um nome de código em vez do título oficial do filme e o habitual secretismo no que toca a outros detalhes, Bernardo Santos fez o que faz sempre: preparou-se para o casting.

Roubou um casaco de polícia a um amigo, gravou um pequeno vídeo e enviou-o aos agentes, que o transmitiram ao realizador. Dois dias depois, chegavam as boas notícias: o jovem português tinha sido o escolhido, embora não tivesse noção do que estava para vir. “Era mais uma produção, pronto, fiquei feliz.” Meses mais tarde, era o polícia que abalroava e prendia Alicia Vikander em “Tomb Raider”, filme que hoje destaca como uma das melhores experiências da sua ainda curta carreira.

Aos 24 anos, e a poucas semanas dos 25, o português que hoje vive em Londres, no Reino Unido, tem um currículo recheado de grandes nomes. Já partilhou o set com atores como Gerard Butler, Jason Statham ou Dwayne ‘The Rock’ Johnson. Mas o melhor está para chegar.

Nasceu na capital portuguesa, mas viveu por cá apenas até aos oito anos. Por essa altura, ainda na escola, confessa que já adorava tudo o que tinha a ver com televisão. “Foi uma coisa que sempre me fascinou. Nessa altura os miúdos viam todos os ‘Morangos com Açúcar’, imitávamos os atores, cantávamos as músicas”, recorda.

O emprego dos pais levou-o até ao Brasil, onde viveu durante dois anos, antes de se mudar definitivamente para Londres, onde estudou e decidiu, já depois do secundário, apostar numa formação de teatro.

Frequentou um curso de teatro durante dois anos. Ao fim de semana, preparava-se para a grande paixão, num curso de cinema. “Queria ter toda a informação, perceber as diferenças entre um e outro mundo. Foram dois anos inesquecíveis. Tive a sorte de terminar tudo muito cedo, tinha 18 anos, e assim consegui começar logo a trabalhar”, conta à NiT.

Cumpriu a tradicional escola britânica shakespeariana: fez de Mercúcio em “Romeu e Julieta” e de Macbeth. Foi na preparação deste último papel, de espada em punho, que fortaleceu a paixão que já sabia guardar, a de participar em filmes de ação. Quantos mais saltos e lutas, melhor. De preferência longe de um palco, até porque o cinema e a televisão “sempre foram a grande meta”.

A indústria é dura, por vezes brutal, particularmente quando a concorrência é grande. A maioria do seu currículo é feito de participações secundárias ou aparições como figurante, quase sempre sem diálogos. Teve direito a um no seu favorito “Tomb Raider”, onde se dirigia a Alicia Vikander, mas que infelizmente não sobreviveu aos cortes do realizador.

“Depois de todos os cortes, não incluíram a cena completa na versão final. Como ator, claro que se fica um pouco chateado. Ainda esperei pela versão especial do realizador, mas não houve grande diferença”, conta.

À direita, prestes a deter Alicia Vikander em “Tomb Raider”

No set, acabou por trocar impressões com o realizador norueguês Roar Uthaug, com quem manteve contacto. O objetivo? Tentar abrir portas para futuras participações. O trabalho como figurante não o desmotiva, pelo contrário: a sua filosofia de trabalho assenta precisamente em aproveitar todas as pequenas chances para observar, aprender e eventualmente ser bem-sucedido. Começar por baixo.

“Há pessoas que não gostam deste tipo de trabalhos, que criticam quem o faz. Sinceramente, acho que toda a gente devia ver como é que as coisas se fazem. Aprende-se muito ao estar por lá, conseguimos falar com câmaras, técnicos, atores, realizadores. Mesmo como atores secundários, estamos a aprender. Se um dia formos nós os protagonistas, já sabemos o que nos espera”, confessa.

Ao lado de Anthony Hopkins nas gravações de “King Lear”

Com ou sem diálogos, Bernardo acredita que todo este trabalho nos recantos do ecrã e na sombra dos grandes nomes poderá eventualmente trazer os seus frutos. “É uma loucura ver tudo o que acontece antes e depois do take que vemos no filme final. Ser extra é sempre uma mais-valia. Aprende-se mesmo muito.”

Nem tudo no currículo são aparições fugazes. Em 2016 teve um papel de protagonista numa minissérie documental britânica sobre as experiências de militares das SAS, as forças especiais do país. Considera-a a experiência “mais exigente” da sua carreira.

A preparação durou várias semanas, com treinos intensivos sob as ordens de ex-militares. “Foi uma série dura, treinámos com armas, corremos, saltámos, fizemos tudo o que eles fazem na realidade. Depois gravámos durante duas semanas. Foi uma série que me abriu muitas portas”, explica o jovem ator que é um confesso fã de filmes de ação. Não é por acaso que a grande maioria das suas participações, como figurante ou protagonista, envolvem normalmente um papel de autoridade, seja de simples polícia, guarda-costas ou agente SWAT. “Tudo o que for ação é o meu meio.”

Uma das portas que se abriu foi o concretizar de um sonho que qualquer fã mais hardcore de “A Guerra dos Tronos” alimenta: participar na série. Foi escolhido para vestir a armadura da Golden Company, o exército mercenário que na última temporada é contratado por Cersei Lannister para fazer frente a Daenerys Targaryen e Jon Snow. Infelizmente para Bernardo, a aparição foi curta, até porque o exército foi rapidamente esmagado pelos dragões numa cena rápida.

“Apesar de ser uma coisa rápida, estive na Irlanda do Norte quase um mês. O que está por trás das cenas leva muito tempo a fazer”, explica o ator que apenas teve a sorte de contracenar com Marc Rissmann (Harry Strickland), o líder da Golden Company, personagem que também não teve direito a muito destaque.

Noutros papéis principais, interpretou o homicida português Hugo Quintas, emigrante no Reino Unido que matou a mulher, uma cidadã britânica — e cuja história foi contada num episódio da série “Britain’s Deadliest Lovers”.

À esquerda, à entrada de King’s Landing, em “A Guerra dos Tronos”

Quanto a favoritos, não tem dúvidas. O que “mais gozo” lhe deu fazer foi mesmo a pequena cena em “A Guerra dos Tronos”, embora tenha passado por outras grandes produções. Apesar de já não sentir o mesmo nervosismo de outros tempos — “havia sempre o medo de fazer alguma coisa mal perante tanta gente e prejudicar o meu futuro” —, continua a agradecer a sorte que tem tido de receber chamadas para o convocar para enormes blockbusters.

Além de ter passado pelos cenários de “Hunter Killer” como guarda-costas de um dos protagonistas — onde partilhou o set com Gerard Butler — ou mesmo por “Jurassic World: Dominion”, “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los” e até um episódio de “The Witcher”, o mais recente trabalho é sem dúvida o maior.

Ao contrário das outras chamadas que envolviam nomes de código e informações limitadas, quando o telefone tocou, desta vez soube logo que se tratava do novo “The Batman”, de Matt Reeves.

“Não posso falar muito do papel, até porque eles ainda estão a gravar. Acabei as minhas cenas há cerca de um mês. Estive em gravações em Liverpool e Londres durante várias semanas”, conta. Suspensas durante meses, as gravações retomaram sob pesadas restrições e o ambiente nos sets é agora muito diferente. “Somos testados duas a três vezes por semana, estamos sempre de máscara. Antigamente andávamos pelas cenas a ver o que se passava, agora isso não acontece.”

Mesmo com todas as restrições — e o secretismo exigido —, sabe-se que Bernardo irá interpretar um agente do FBI. E, confessa o próprio, participa numa cena onde está presente todo o elenco de protagonistas. De notar que a lista inclui nomes como Robert Pattinson, Colin Farrell, Zoe Kravitz, Peter Sarsgaard, Paul Dano ou John Turturro. “Mais não posso dizer (risos).”

Ao lado de Gerard Butler no set de “Hunter Killer”

A poucas semanas de celebrar 25 anos, Bernardo Santos continua a sonhar com o dia em que passa da sombra para as luzes que incidem sobre os protagonistas. E como qualquer bom fã de ação, aguarda pelo dia em que se cruze com os seus favoritos: Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. Pelos menos dois já foram riscados da lista, Jason Statham e Dwayne Johnson. Falta o seu realizador de eleição, Steven Spielberg.

Embora esse seja ainda um sonho por concretizar, outros podem estar bem perto de se tornar realidade. E bastou apenas um telefonema durante as férias recentes no Dubai. “Recebi uma chamada a confirmar que consegui um papel num novo filme, mas não posso revelar o nome até porque ainda não se sabe de nada”, justifica.

Ainda assim, deixa umas migalhas: “As gravações começam na segunda semana de janeiro e só posso dizer que é um franchise enorme que todos conhecem”.

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