Cinema

Reunião dos Pussy Posse. DiCaprio e Tobey Maguire viram juntos o jogo do Brasil e Noruega

Nos anos 90, os atores criaram um grupo que ajudava DiCaprio a engatar mulheres antes de se tornar uma estrela mundial.

Milhões de pessoas em todo o mundo pararam para ver o jogo do Brasil contra a Noruega nos oitavos de final do Mundial de Futebol este domingo, 5 de julho. Fora de campo mas nas bancadas do MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, também não faltavam estrelas a assistir como Jay Z, Chris Rock e Woody Harrelson. No entanto, houve um grupo que roubou todas as atenções: os atores Tobey Maguire, Lukas Haas e Leonardo DiCaprio, amigos de longa data, estavam também presentes.

As câmaras da transmissão televisiva captaram-nos aos 73 minutos do jogo, enquanto a partida ainda se encontrava num empate tenso e sem golos. No final, testemunharam Erling Haaland a marcar dois golos, garantindo a vitória para a Noruega e eliminando oficialmente o Brasil da competição.

Para muitos, pode ter sido uma surpresa ver os atores juntos nas bancadas. Para quem conhece a história de Hollywood, nem tanto. Afinal, nos anos 90 formaram uma espécie de grupo, que ficou conhecido como Pussy Pole, para ajudar Leo a conquistar mulheres.

Em 1998, acabado de sair do estrondoso sucesso de “Titanic”, parecia que tudo em que DiCaprio, na altura com 23 anos, tocava se transformava num blockbuster. Fazia-se apenas uma pergunta: qual é o próximo êxito da nova estrela de Hollywood?

As celebridades apertavam-se na red carpet da estreia de “O Homem da Máscara de Ferro”, lançado naquele ano. Só que o ator estava menos interessado no filme e muito mais nas mulheres. Ele e a sua entourage.

Uma mulher em particular prendeu o olhar de DiCaprio e do seu amigo e também ator Jay Ferguson. A gestora de imagem do ator Karen Tenzler cruzou a red carpet para dar um recado a Elizabeth Berkley — atriz de “Salvo Pelo Gongo” e “Showgirls”. “O Jay e o Leo estão loucos por ti e querem que tu venhas festejar com eles depois disto. Sem o Roger [Wilson].”

Roger era o namorado de Berkley, também ele ator. Ela rejeitou o convite e durante dias, recebeu dezenas de insistentes chamadas telefónicas de Ferguson e Tenzler. Foi então que Roger perdeu a paciência, agarrou no telefone e deixou o seu próprio recado: “Olha Jay, eu sei que vocês estão a divertir-se à grande e que a cidade é vossa — mas esta parte da cidade não é”.

Pouco habituados a ouvirem a palavra não, a entourage de DiCaprio explodiu. Ao telefone, Jay confrontou Wilson: “Vai-te foder, seu paneleiro de merda. Ligamos a quem quisermos e se não gostas, porque é que não vens cá dizê-lo na nossa cara?”. Wilson enfiou-se num táxi e só parou à porta do famoso restaurante Asia de Cuba.

Lá dentro, serpenteou pelos clientes até chegar à mesa de DiCaprio e do seu grupo de amigos. A discussão subiu de tom e os proprietários convidaram toda a gente a levar os seus problemas para a rua. “Vamos dar cabo dele”, terá dito DiCaprio. O que aconteceu para lá da porta foi alvo de muita especulação.

A melhor versão será a de Nancy Jo Sales, jornalista autora da famosa peça “Leo, o Príncipe da Cidade”, que sem revelar nomes, aponta implicitamente para DiCaprio como o homem que agrediu Wilson na garganta assim que puseram um pé na rua.

 
 
 
 
 
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Ninguém o conseguiu afirmar com certeza absoluta, mas todas as reações apontam para que tenha sido Leo a instigar o ataque. Nem Wilson o viu, mas afirmou que todos os rapazes se debruçaram sobre alguém: “Levaram-no de volta para o hotel. Nunca mais vi o miúdo”. Depois do golpe, o grupo terá gritado que “isto não pode acontecer”. Semelhante proteção só poderia ter um alvo: a grande celebridade entre eles, que tinha tudo a perder.

Na verdade, DiCaprio não era o único que tinha algo a perder. Desde miúdo que se fez rodear de amigos que fez entre os miúdos atores que teimavam em reencontrar-se, casting após casting. Assim que um deles atingiu o estatuto de celebridade mundial, a entourage passou a servir como uma espécie de escudo protetor: eram companheiros de festas; guarda-costas; confidentes.

E o que é que um grupo de miúdos ricos e ambiciosos fazem nos seus vinte e poucos anos? Bebem, lutam e perseguem raparigas. Foi também Nancy Jo Sales que descobriu o nome pelo qual o grupo era conhecido na agitada noite nova-iorquina: o Pussy Posse.

Os putos do cinema

Foi entre castings, algures na década de 90, que DiCaprio se tornou no melhor amigo de Tobey Maguire. Apesar da amizade, a rivalidade também estava presente. Faziam apostas sobre quem seria o primeiro a lançar-se verdadeiramente em Hollywood e, na frente da matilha, estava já DiCaprio.

O círculo foi crescendo. Eram, na sua maioria, nomes desconhecidos, que iam garantido alguns pequenos papéis. A lista foi aumentando. À dupla juntaram-se os atores Jay Ferguson, Lukas Haas e Kevin Connolly, o rapper Q-Tip dos A Tribe Called Quest, o ilusionista David Blaine e o realizador Harmony Korine.

Para lá dos castings, faziam tudo o que a crescente fama lhes permitia: esgueiravam-se pelos bastidores das festas da Victoria’s Secret, faziam festas de arromba em Las Vegas e criavam problemas em todo o lado. Sobretudo com mulheres, quase sempre modelos, sempre bonitas. Foi assim que ganharam o nome.

O meio de Hollywood tornou-se difícil de navegar para um bando de miúdos ruidosos com aspirações na indústria. Em qualquer esquina podiam cruzar-se com um produtor, um realizador, e o mais pequeno deslize poderia colocar em risco a carreira.

A solução foi encontrada por DiCaprio, ele que nasceu e cresceu em Los Angeles: apaixonou-se por Nova Iorque durante as gravações de “The Basketball Diaries” e por lá, não havia risco de serem riscados de um filme por causa de uma qualquer partida. Pegaram no dinheiro, nas malas e mudaram-se para a costa este.

Na sombra de Leo

Nunca nenhum deles imaginara que um dos miúdos do grupo poderia transformar-se numa estrela internacional do dia para a noite. Mas foi isso que aconteceu com “Titanic”. De repente, DiCaprio era a única cara reconhecida entre a Pussy Posse. E, naturalmente, os amigos gravitaram na sua direção.

Muitos deixaram de frequentar castings. O seu dia a dia era apenas um: acompanhar Leo para todo o lado. Paris, Las Vegas, uma saída para um café. Faziam tudo o que ele precisava e, pelo caminho, gozavam de todos os luxos que uma estrela de Hollywood reserva para si. Em troca, garantiam-lhe fidelidade absoluta e uma rede de proteção de que poucas celebridades gozavam.

De clube de strip em clube de strip, de festa em festa, era bem conhecido o apetite voraz do grupo por mulheres. DiCaprio estava protegido e em troca, nada faltava aos companheiros. Só Tobey Maguire conseguiu realmente compor uma carreira equiparável como ator.

“Eles excitam-se com a possibilidade de protegerem o Leo. Estão sempre prontos para começar a gritar e a dar pancada”, confessou um paparazzi na peça de Sales.

O erro que quase os destruiu

Na mente do grupo, não havia nada que não pudessem fazer. E foi por isso que decidiram fazer o seu próprio filme. Uma produção amadora, gravada apenas num dia. Uma decisão da qual se viriam a arrepender.

“Pára de olhar para mim assim. Olha que te atiro uma garrafa à cara sua puta”, grita a certa altura DiCaprio para uma jovem já em lágrimas. Era apenas uma das cenas de “Don’s Plum”, que não é mais do que uma hora e meia de improviso entre os membros da Pussy Posse. E, inadvertidamente, colocaram em filme aquilo que faziam no seu dia a dia.

A produção escrita e realizada pelo grupo era de tal forma ofensiva que assim que os agentes a viram, fizeram soar os alarmes. Nenhum deles tinha grandes ambições à exceção de dois nomes: DiCaprio e Maguire.

Tobey teria que esperar quatro anos para brilhar como Homem-Aranha, mas tinha legítimas esperanças de conquistar papéis que, desta forma, poderiam ficar em risco. DiCaprio era o queridinho de Hollywood. A divulgação do filme — que tinha estreia agendada para o Festival de Sundance — tinha que ser travada antes que arruinasse a imagem de ambos.

DiCaprio era já um nome forte na indústria. Com a ajuda de uma equipa de advogados, exerceu toda a influência sobre os estúdios para impedir a divulgação. O produtor de “Don’s Plum”, David Stutman, viu-se incapaz de promover ou sequer passar o filme, que foi banido do circuito norte-americano.

As viagens e aventuras continuaram, mas tornaram-se cada vez mais raras. Aos 51, DiCaprio perdeu a ingenuidade quase adolescente, apesar de continuar a rodear-se do mesmo tipo de mulheres: todas jovens, todas modelos e sempre abaixo dos 25 anos.

Maguire e DiCaprio

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