Cinema

Robert De Niro: o super pai de seis filhos continua a ser o maior bad boy de Hollywood

Mesmo depois dos 70 anos, continua a discutir em público com outras estrelas e a ter ataques de fúria inesperados. Pelo meio, é um pai carinhoso
Robert De Niro com os filhos.

Podemos esperar quase tudo da festa de aniversário de uma estrela como Leonardo DiCaprio, capaz de reunir outros nomes tão sonantes quanto o seu num único espaço sem precisar de se esforçar. Mesmo assim, nada fazia prever que a celebração dos 38 anos do ator, em 2012, seria palco de momentos de tensão entre o lendário Robert De Niro e o rapper Jay-Z — sim, leu bem.

Segundo noticiou a “Page Six” na altura, a troca de palavras menos simpáticas começou quando o artista foi cumprimentar o protagonista de “Taxi Driver” e este o acusou de ser arrogante e desrespeitoso por não retornar as suas chamada. O músico procurou desvalorizar a situação, mas Robert de Nirto estava realmente enfurecido, relatou a publicação.

“O Bob estava sentado numa mesa e quando o Jay se aproximou para dizer olá, acusou-o de não atender as suas chamadas”. A mesma fonte revelou ter ouvido o ator reclamar com o rapper sobre uma música que este concordou em gravar para o Tribecca Film Festival. Robert terá tentado falar com Jay-Z para discutir alguns detalhes.

“Ele não estava com disposição para conversar educadamente. Disse que se alguém te liga seis vezes, tu ligas de volta. Não importa quem sejas, isso é apenas rude.”

O músico tentou fazer uma piada, dizendo ser horrível com o telefone, mas “De Niro continuou a dizer-lhe que ele pensa ser o homem, mas aquilo era só falta de respeito”. Nem a chegada de Beyoncé acalmou o ator que fez de Jake LaMotta, em “Raging Bull” — que lhe valeu um Óscar e um Globo de Ouro em 1981.

O desentendimento virou o tema da festa, acrescentou a fonte. “Todos diziam que havia apenas uma estrela em Nova Iorque pior que Jay-Z e é Robert De Niro. Ele pode ser assustador quando está zangado”.

Agora, com 78 anos, e mais de 50 de carreira, Robert De Niro volta ao centro das atenções pelo seu papel em “Killers of the Flower Moon”, no qual divide o protagonismo com Leonardo DiCaprio, curiosamente. A obra está em fase de pós-produção e tem estreia prevista para este ano. Desenrola-se nos Estados Unidos durante os anos 20, quando membros de uma tribo índia são assassinados em circunstâncias misteriosas, o que despoleta uma investigação do FBI.

Um homem de família

A espera pelo novo filme permite refletir sobre os inúmeros desafios que De Niro aceitou nas últimas décadas enquanto ator. Um dos maiores reptos, contudo, é vivido pelo artista quando as câmaras não estão por perto e desempenha o papel de pai, com tudo o que implica, sobretudo tendo seis filhos birraciais — fruto de três relacionamentos — numa época marcada por fortes tensões sociais.

Do primeiro casamento, em 1976, com a também atriz Diahne Abbott, nasceu Raphael, que contracenou com o pai em alguns filmes durante a infância, embora tenha acabado por fazer uma carreira como corretor de imóveis, área na qual trabalha desde 2003.

Durante a união, De Niro adotou também Drena, filha de Diahne de uma outra relação. Drena começou a ficar conhecida como modelo, mas em meados dos anos 90 voltou-se para a representação. Conta participações em projetos como “When They See Us” e “A Star Is Born“.

O divórcio da dupla de atores chegou em 1988, altura em que Robert iniciou um relacionamento com a modelo Toukie Smith, que terminaria oito anos depois, em 1995. Não chegaram a casar, mas tiveram os gémeos Julian e Aaron, com recurso a uma barriga de aluguer.

Com a atriz Grace Hightower, o ator voltaria a casar em 1997. Apesar dos altos e baixos, permaneceram juntos por 21 anos e tiveram dois filhos. Elliot nasceu em 1988, e Helen Grace em 2011, novamente através de uma barriga de aluguer. A separação ocorreu em 2018.

Se o ator mostra o quão intenso pode ser em cena, nos bastidores das gravações e em situações como a que envolveu Jay-Z, no seu lado de pai tem sido exemplar. E sem nunca perder o sentido do humor.

Em 2019, falou com a  “Us Weeky” sobre os desafios da parentalidade. “Eu amo os meus filhos, apenas estar com eles, mas não é fácil. Às vezes é divertido e amas os teus filhos, e às vezes queres matá-los”, brincou. Acrescentou que, contudo, “quando tens os bons momentos, esqueces os que não o foram”.

E não hesita em defendê-los e expressar as suas preocupações, como o fez no “The Tonight Show With Jimmy Fallon”, em junho de 2020, durante o apogeu dos protestos do movimento Black Lives Matter. De Niro disse que se vivia um momento “assustador” para ter filhos birraciais.

“Os meus filhos são metade negros e, mesmo eu, tomo certas coisas como garantidas. Quando as pessoas dizem que alertam os filhos ‘Mantem as mãos [fora] quando fores parado pela polícia, mantem as mãos no volante, não faças movimentos repentinos, não coloques as mãos para baixo, não faças isto’, entendes”, comentou.

Nos quase 50 anos a criar crianças birraciais, Robert assistiu ao modo como os movimentos de direitos civis mudaram, evoluíram e cresceram, mas também viu como ainda há muito por fazer e a discriminação continua a ser um problema atual nos Estados Unidos. Ao longo dos anos, o ator tem advogado por mudanças no sistema policial em vigor e chegou a dizer que os polícias que não procuram proteger a comunidade e, em vez disso, atacam as minorias não “precisam de estar lá”.

O ator também se insurgiu múltiplas vezes contra Donad Trump, que definiu como “um verdadeiro racista” e “um supremacista branco”, em entrevista ao “The Guardian”, em 2019.

“Estou velho agora e um bocado chateado com tudo o que se está a passar. Quando vemos alguém como [Trump] tornar-se presidente, pensamos, bem, ok, vamos ver o que faz – talvez mude. Mas só tem piorado. Mostrou que é um verdadeiro racista. Pensei que talvez como nova-iorquino ele compreendesse a diversidade numa cidade mas ele é tão mau como eu pensava – ainda muito pior. É uma pena. É mau para o país”, disse ao jornal britânico.

Outro tema polémico sobre o qual se recusa a fugir tem a ver com o facto de Elliot integrar o espectro autista. “Há momentos excelentes e momentos de tristeza. Às vezes, és a última pessoa com quem [as crianças] querem lidar. É como quando levas os miúdos à escola, e eles envelhecem e não querem segurar tua mão ou dar um beijo de despedida”, disse à revista “People“, em 2016.

Ter as estrelas como meta

À mesma publicação, em 2020, De Niro revelou que o melhor conselho que pode oferecer enquanto pai é dizer aos filhos que definam as estrelas como meta. “Eu digo-lhes, ‘Se querem ser atores ou fazer isto ou aquilo, tudo bem enquanto forem felizes. Apenas não se subestimem’. Isso é o máximo que eu diria – esforcem-se um pouco mais e lutem pelo que realmente acham que querem fazer. Não tenham medo”. Referiu ainda que “é importante que encontrem o próprio caminho”.

“Quando te tornas pai, há certas coisas das quais ficas mais consciente, mais sensível”, concluiu o intérprete que, em 2001, fundou o Tribeca Film Festival, ao lado de Jane Rosenthal e Craig Hatkoff, numa tentativa de auxiliar na recuperação de Nova Iorque após os atentados terroristas perpetrados no dia 11 de setembro desse ano.

Dono de um talento e carisma inegáveis, Robert conquistou público, críticos e conseguiu algo ao alcance de poucos: construir uma carreira duradoura e marcada pelo sucesso em Hollywood. No decorrer da mesma, impressionou, sobretudo, pelos perfis emocionalmente instáveis que trouxe à vida e pelas transformações físicas a que se submetia a cada nova longa-metragem, que denotavam uma entrega de invejar. 

“The Last Tycoon”, “The Untouchables” (1987), “Goodfellas” (1990) e “The Irishman” (2019) são alguns dos destaques de um longo currículo no cinema.

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