Cinema

Sabia que existe uma versão soviética de “O Senhor dos Anéis”? Chegou agora à Internet

É uma produção bizarra de baixo orçamento, com cenários, figurinos e efeitos rudimentares. Só passou uma vez na televisão.
Estreou em 1991 e nunca mais ninguém o viu.

A saga épica de “O Senhor dos Anéis”, criada pelo escritor britânico J. R. R. Tolkien, teve uma jornada gloriosa no cinema com a trilogia realizada por Peter Jackson. Aclamados pelo público e pela crítica, os três filmes somaram, juntos, 17 Óscares, entre tantos outros prémios e louvores.

O que muitos fãs não sabem é que a história de “O Senhor dos Anéis” — e outros capítulos desta mitologia criada por Tolkien, como o livro de “O Hobbit” — tiveram outras adaptações ao cinema e à televisão ao longo dos anos.

Por exemplo, houve um telefilme sueco que estreou em 1971. Foram ainda feitas duas versões animadas da história, em 1978 e 1980, e na Finlândia produziu-se uma minissérie em 1993. E foram também realizados dois filmes na União Soviética com a história de “O Senhor dos Anéis”, em 1985 e 1991.

Este último só foi exibido uma única vez na televisão soviética antes de ficar para sempre guardado nos arquivos — tornou-se uma espécie de obra mítica perdida que só algumas pessoas conseguiram ver na altura. Tal como o anel de Sauron no enredo, esteve perdido durante muitos anos, até alguém o recuperar. Isso aconteceu a 27 de março, quando o atual canal 5TV, o sucessor da emissora original Leningrad TV, lançou no YouTube este filme, dividido em duas partes.

Chama-se “Khraniteli”, que significa “guardiões” em russo. É a adaptação de “A Irmandade do Anel”, o primeiro livro, e está a tornar-se um fenómeno na era globalizada da Internet. Milhares de fãs ocidentais da saga já devoraram esta pérola do universo de Tolkien nos últimos dias — ao todo, os dois vídeos somam cerca de 550 mil visualizações. Ao mesmo tempo, muitos fãs da Rússia (país onde a trilogia de Peter Jackson foi um enorme sucesso) aproveitaram para descobrir ou rever esta adaptação.

Esta é uma produção de claro baixo orçamento: nota-se sobretudo nos cenários, figurinos e nos efeitos especiais. Parece mais uma versão gravada de uma peça de teatro do que um filme — sobretudo quando temos disponível, para comparação, a trilogia de grande escala de Peter Jackson.

A banda sonora foi composta por Andrei Romanov, músico da banda Akvarium, o que dá um ambiente mais soviético ao tom da história. Apesar de todos os defeitos que possa ter, está a ser descrito como sendo mais fiel à narrativa escrita por Tolkien. Até inclui a personagem de Tom Bombadil, que foi descartada da trilogia de Peter Jackson mas que desempenha um papel relevante nos livros.

Ao longo das décadas, foi algo difícil encontrar adaptações ou até traduções do trabalho de Tolkien na União Soviética. Como explica o jornal britânico “The Guardian”, alguns argumentam que possa ter havido um motivo ideológico por trás — já que esta é uma história sobre um grupo de homens, elfos e anões que se unem para combater um inimigo totalitário vindo de leste — mas outros dizem que as razões estão sobretudo relacionadas com o lado linguístico.

As línguas inventadas por Tolkien e as traduções exigentes que seriam necessárias podem ter-se tornado um obstáculo na hora de traduzir sem alterar o significado original.

A primeira adaptação cinematográfica da saga, em 1985, era uma espécie de musical, que incluía bailarinos da instituição que é agora o teatro Mariinsky a interpretar o enredo. Esse projeto, que também está disponível online, recebeu o título “The Fantastic Journey of Mister Bilbo Baggins, the Hobbit”.

Na União Soviética terá havido ainda uma tentativa de criar uma versão animada da história, mas o projeto foi entretanto cancelado, pelo que apenas sobraram seis minutos — que também podem ser vistos no YouTube.

20 anos depois da estreia da trilogia de Peter Jackson — e após o estrondoso sucesso de outras sagas de fantasia, como “A Guerra dos Tronos” —, “O Senhor dos Anéis” prepara-se para regressar em força, num spinoff televisivo que está a ser gravado na Nova Zelândia pela Amazon Prime Video.

A história vai passar-se mais de três mil e 400 anos antes dos acontecimentos de “O Senhor dos Anéis”. Na mitologia de Tolkien, esta é conhecida como a Segunda Era, a de Númenor. Não se sabe qual é que será exatamente o foco do enredo. A ascensão de Sauron e a formação da última aliança entre elfos e homens para combater o mal aconteceu no final desta era — mas antes disso houve muito mais.

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