Cinema

Sabia que o filme “Pesadelo em Elm Street” é inspirado numa história real?

O realizador e argumentista Wes Craven baseou-se nos terrores noturnos dos jovens asiáticos traumatizados pela guerra no Camboja.
Freddy Krueger é o vilão da história.

Estreou em 1984 e ainda hoje se mantém como um dos maiores clássicos daquela época dos filmes de terror: falamos de “Pesadelo em Elm Street”. Aquilo que começou como uma produção relativamente pequena viria a tornar-se numa saga super lucrativa com oito sequelas. Foi o filme que tornou a New Line numa grande distribuidora e produtora — e que lançou um jovem ator chamado Johnny Depp.

Pouco tempo depois de ter estreado na Netflix um episódio de “Os Filmes da Nossa Infância” dedicado a este filme, a NiT conta a história real que inspirou o já clássico “Pesadelo em Elm Street”.

O filme foi realizado e escrito por Wes Craven (que mais tarde dirigiria “Gritos”). Na altura, Craven tinha meia dúzia de filmes no currículo, que não tinham tido um grande impacto. 

“Depois disso, não conseguia encontrar trabalho. Estive sem salário durante três anos. Perdi a casa. Tive de pedir dinheiro emprestado para pagar os meus impostos. Além disso, o meu primeiro casamento tinha acabado, por isso estava a fumar muita erva, e depois passei para a cocaína. Acabei por, finalmente, deixar as drogas. E tinha uma ideia, por isso comecei a escrever um guião”, conta, citado pela “Vulture” num artigo de 2014, quando o filme celebrou o 30.º aniversário.

Esta ideia, que viria a ser “Pesadelo em Elm Street”, surgiu a partir de alguns artigos do jornal “Los Angeles Times”. Depois da guerra civil no Camboja, que durou entre 1970 e 1975, o regime comunista do Khmer Rouge começou aquilo que só pode ser descrito como um genocídio.

Entre 1975 e 1979, os soldados assassinaram (pelo menos) mais de um milhão de pessoas — foram tantas que ainda hoje o número total de vítimas é incerto. O regime destruiu famílias inteiras, não poupando mulheres, idosos, crianças ou pessoas deficientes. Os sobreviventes ficaram traumatizados para a vida. 

Nessa altura, muitos imigraram para fora do Camboja, nomeadamente para os Estados Unidos da América. E foi a história de uma dessas famílias que Wes Craven leu por acaso no “Los Angeles Times”, como recordou à “Vulture”.

“Eu li sobre uma família que tinha fugido dos campos de morte no Camboja e conseguiu ir para os EUA. As coisas estavam bem, e de repente o filho pequeno deles começou a ter pesadelos perturbadores. Ele disse aos pais que tinha medo de, se fosse dormir, que aquilo que o perseguia o iria apanhar, por isso tentou ficar acordado durante vários dias de seguida”, disse Wes Craven.

E recordou: “Quando ele finalmente adormeceu, os pais pensaram que esta crise tinha acabado. E depois ouviram gritos a meio da noite. Quando chegaram ao pé dele, estava morto. Morreu a meio de um pesadelo. Era um jovem a ter uma visão de um terror que todos aqueles que eram mais velhos estavam a negar. Isso tornou-se a linha central de ‘Pesadelo em Elm Street’”.

Nos anos 70 e 80, aparentemente houve vários casos de jovens oriundos do sudeste asiático que morreram enquanto dormiam. Sofriam de stress pós-traumático, de pesadelos aterrorizantes e foi isso que os levou a perder a vida. Wes Craven usou isso para criar a história de fantasia de “Pesadelo em Elm Street”. No filme, o espírito monstruoso de um assassino de crianças procura vingança ao invadir os sonhos dos adolescentes cujos pais foram responsáveis pela sua morte.

Mas há outros elementos da vida real que inspiraram o cineasta. Certa noite, quando Wes Craven era uma criança pequena e estava em casa, assistiu enquanto um bizarro homem sem-abrigo — que ele achou assustador — se aproximou da sua janela a olhar para si. Essa imagem permaneceu na sua memória e acabou por inspirar a figura do vilão Freddy Krueger.

Por falar nisso, o nome não foi escolhido por acaso. Fred Kruger era o nome de um rapaz que costumava fazer bullying a Wes Craven. E no primeiro filme do realizador, “The Last House on the Left”, o antagonista chamava-se Krug.

O guião de “Pesadelo em Elm Street” foi recusado por todos os estúdios de Hollywood — Wes Craven tinha até afixado no seu escritório a carta de rejeição da Universal Studios. Depois conheceu Bob Shaye, o responsável pela New Line, que produziu e distribuiu o filme. Shaye teve a visão de acreditar naquele projeto. Foi o início de uma saga que marcou a cultura pop — e que gerou lucros de 370 milhões de dólares (o equivalente a 318 milhões de euros). 

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