Cinema

“Para Sama”: a história arrepiante da jovem mãe que filmou a guerra na Síria

Não venceu a estatueta dourada nos Óscares, mas esteve nomeado. Estreia finalmente em Portugal esta semana.
O filme tem mais de 1h30.

Foi em 2012 que Waad al-Kateab pegou numa câmara de filmar para documentar os protestos dos seus colegas estudantes universitários contra o Presidente Bashar al-Assad, na Síria. O que se passou nos anos seguintes no país do médio oriente é conhecido: uma guerra civil, ataques terroristas, milhares de mortos e milhões de refugiados que ainda não encontraram qualquer tipo de solução para os seus problemas.

Esta história tem sido contada de várias formas, seja em documentários, artigos ou livros, mas um dos registos mais interessantes — e com uma perspetiva mais emocional e pessoal — é “Para Sama”, documentário que estreou no ano passado.

O filme gravado por Waad Al-Kateab e montado pelo britânico Edward Watts esteve nomeado para o Óscar de Melhor Documentário, acabando por perder a estatueta dourada para o filme da Netflix “Uma Fábrica Americana”.

Imensas imagens captadas de forma relativamente amadora estão compiladas para mostrar a evolução dos conflitos e do dia a dia na cidade de Aleppo, uma das mais importantes (e afetadas) no país.

Waad nunca deixou de filmar o que acontecia — o cerco à cidade, a carnificina e tragédia humanitária que se seguiu, apenas deixando de lado o que acontecia fora de casa para também documentar a sua paixão crescente por um médico, Hamza (um dos poucos na cidade), e o nascimento da sua primeira filha, Sama. “Para Sama” está feito, portanto, enquanto um documentário dirigido à criança.

É, claro, um filme capaz de chocar o público — mas também de o sensibilizar para tudo o que está a acontecer e tem acontecido na Síria. Mostra-se a mãe a tentar adormecer a criança em casa, mas também o ruído repentino causado pelas bombas que explodem ali mesmo ao lado.

A insegurança paira no ar, com vários dos seus amigos assassinados e aquele bairro de Aleppo transformado num conjunto de crateras provocado pelos explosivos, entre os rebeldes, terroristas e o exército sírio ainda fiel ao regime de Assad.

O filme, que foi imensamente elogiado pela crítica especializada internacional, tem mais de uma hora e meia e chega aos cinemas portugueses esta quinta-feira, 5 de março. Em 2016, Waad al-Kateab escapou da Síria através da Turquia, levando consigo, debaixo do casaco, os discos rígidos com as filmagens, e depois conseguiu receber asilo no Reino Unido.

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