Cinema

Sem trabalho e sem dinheiro: a nova vida de Amber Heard após a derrota em tribunal

A atriz foi apanhada à caça de descontos, mas para alguns é apenas uma manobra. Vive refugiada no deserto com a filha de um ano.
Heard com a filha, Oonagh

Uma cadeia de roupa low cost seria talvez o local mais improvável para encontrar uma atriz de Hollywood, mas foi precisamente isso que aconteceu a 16 de junho. A estrela em causa? Amber Heard.

A ex-mulher de Johnny Depp foi apanhada a vasculhar as prateleiras de uma das muitas lojas da TJ Maxx nos Estados Unidos, uma das maiores cadeias do país, conhecida por praticar preços abaixo da média — isto poucas semanas depois de ter sido condenada a pagar mais de nove milhões de euros de indemnização por difamação, o culminar de um julgamento que foi acompanhado um pouco por todo o mundo.

A atriz de 36 foi filmada durante uma sessão de compras em Nova Iorque, na companhia da irmã. Os críticos apressaram-se a apontar novamente o dedo a Heard e a acusá-la de usar a cena como manobra publicitária para deixar transparecer as supostas dificuldades financeiras em que se encontra.

Certo é que, após o veredito de 2 de junho, Heard confessou não ter capacidade para suportar o pagamento da indemnização decretada pelo tribunal. Especulou-se igualmente que Depp poderia estar disposto a abdicar da avultada soma, já que o primeiro grande objetivo do processo estaria atingido: estabelecer que as acusações da ex-mulher eram infundadas e que tudo não passaria de um esquema para o prejudicar.

A disputa legal terminou — ainda que a equipa de advogados de Heard tenha revelado estar a trabalhar num recurso —, mas a batalha em relação à opinião pública parece estar para durar. Na última semana, a atriz deu a sua primeira grande entrevista depois do julgamento, na qual sublinhou as dificuldades pessoais e profissionais que o desfecho do mesmo acarreta.

Além de ter mantido a sua posição inicial, de que foi vítima de violência por parte de Depp, Heard mostrou-se decidida a “continuar a viver a vida de cabeça erguida” e confessou que “continua a amar” o ex-marido. “Manterei o meu testemunho até ao fim dos meus dias. Sei o que me aconteceu. Sou uma sobrevivente.”

Imediatamente após o veredito, foi a principal advogada da atriz que veio a público afirmar a incapacidade financeira de Heard para  proceder ao pagamento da indemnização. As custas do processo e de toda a equipa legal estão, de resto, à responsabilidade da sua seguradora, a The Travelers Companies.

À caça de descontos: verdade ou manobra publicitária?

A vice-presidente da empresa foi, de resto, vista por diversas vezes ao lado de Heard durante o longo julgamento que decorreu em Fairfax, no estado da Virgínia. Segundo vários especialistas, o custo da defesa da atriz poderá ascender aos quatro milhões de euros.

Durante o julgamento, os hábitos dispendiosos de Heard foram por diversas vezes discutidos. Segundo vários testemunhos,  gastaria vários milhares em viagens, roupas e vinho, entre outros luxos.

Nestas contas entra também a avaliação da fortuna pessoal da atriz que, embora desconhecida, algumas fontes apontam para um valor a rondar os dois milhões de euros, muito abaixo daquilo que necessitará para pagar a indemnização. De resto, alguns dos valores monetários foram expostos durante o julgamento, como os honorários que recebeu pela participação na produção de 2018, “Aquaman”, que terão somado um milhão de euros; valor que disparou para perto do dobro pela aparição na sequela prevista para 2023.

Um trabalho que foi também alvo de muita discussão durante o julgamento de seis semanas. Heard alegou que o seu papel no filme foi drasticamente reduzido devido à pressão e retaliação de Depp. Esta semana, uma notícia alegava que iria mesmo ser substituída no filme, após pressão pública por parte de fãs, que criaram uma petição para cortar a atriz do elenco. Uma notícia que, segundo a “Variety”, é falsa.

Mesmo com a promessa dos honorários desta sequela, a situação financeira de Heard parece complicada, sobretudo com o impacto que toda a polémica parece ter tido na sua carreira.

Além da sequela de “Aquaman”, a atriz é também protagonista no filme “In the Fire”. Nos planos está ainda “Run Away With Me”. Todos estes projetos estavam, contudo, já aprovados e alinhados antes do polémico julgamento. Não há quaisquer sinais de novos projetos para Heard.

Pior: uma sondagem da Spotted Media anuncia que a maioria dos adultos americanos não pretendem ver filmes com a atriz no elenco. Mais de metade dos indivíduos sondados terão manifestado o desinteresse e perto de dois terços acreditam que deveria ser dispensada de quaisquer produções futuras.

Os sinais de problemas financeiros foram-se avolumando durante o julgamento. Heard, que conquistara o direito a uma indemnização de sete milhões de euros depois do divórcio decretado em 2016, anunciou na altura que iria doar a todo o valor a uma associação que promove as liberdades civis, bem como a um hospital pediátrico.

Na verdade, um representante da associação revelou no banco de testemunhas que o dinheiro nunca foi entregue na totalidade e que os pagamentos foram interrompidos porque “foi dito que a atriz estaria em dificuldades financeiras”. No seu depoimento, Heard sublinhou a vontade de cumprir a promessa, mas deixou tudo nas mãos de Depp: “Adorava que ele parasse de me tentar processar para que eu o possa fazer.”

Segundo vários especialistas, caso Depp queira puxar de todas as armas para garantir o pagamento da indemnização, poderá tentar obter compensação através dos bens da atriz, nomeadamente a sua casa de luxo no Vale de Yucca, na Califórnia, avaliada em perto de um milhão de euros — um imóvel comprado em 2019 por pouco menos de metade dessa avaliação, mas que não estará em seu nome, mas sim de uma empresa do seu contabilista.

É precisamente aí que Heard se tem refugiado desde o final do julgamento, uma moradia térrea no deserto, a pouca distância do Parque Nacional de Joshua Tree. A propriedade tem 2,4 hectares e terá custado perto de 540 mil euros em 2019. Um valor que quase duplicou após a pandemia e a crescente procura por imóveis em locais remotos. A moradia tem uns modestos 230 metros quadrados, mas um enorme espaço ao ar livre de paisagem desértica.

A moradia no deserto

É lá que mora com a filha de um ano. Oonagh Paige Heard recebeu também o nome da mãe da atriz, que morreu em 2020. “Estou tão feliz por partilhar esta boa notícia. Há quatro anos, decidi que queria ter uma criança, mas queria fazê-lo nos meus próprios termos”, revelou a atriz nas redes sociais a 1 de julho de 2021.

A atriz recorreu a uma barriga de aluguer e, segundo alguma imprensa norte-americana, fê-lo após descobrir que não poderia ter filhos. Heard aproveitou a oportunidade para sublinhar a vontade de ser mãe e de o fazer de forma menos convencional.

“Agora percebo o quão radical é para nós, mulheres, podermos tratar de uma das mais fundamentais partes do nosso destino desta forma. Espero que consigamos chegar a um ponto em que se normalize o facto de não se querer ter um anel no dedo e, ainda assim, querermos ter um berço.”

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