Cinema

“Solteiro Até no Natal”: o primeiro filme natalício gay da Netflix acaba de estrear

Hollywood é um espaço cada vez mais inclusivo, e esta nova produção é mais um exemplo do avanço na indústria nesta área.
Parece que já tem planos para o fim de semana.

Hollywood está-se a tornar uma indústria cada vez mais inclusiva. Se antes as pessoas LGBTQIA+ se contavam pelos dedos, atualmente são vários os casos de produções onde a sua presença se está a tornar regular e constante.

“Chama-me Pelo Teu Nome”, protagonizado por Timothée Chalamet e Armie Hammer tornou-se num fenómeno de culto entre a comunidade, com uma faturação de 37 milhões de euros (o budget da produção foi de três milhões). “Pose” destacou-se como a série com o maior número de atrizes transgénero de sempre, e MJ Rodriguez foi a primeira mulher trans a ser nomeada na categoria de Melhor Atriz numa série dramática nos Emmy. Desta vez os holofotes viram-se para a Netflix, que já lançou a primeira comédia romântica natalícia onde o casal principal são dois homens homossexuais.

Em “Solteiro Até no Natal” acompanhamos Peter (Michael Urie) que persuade o seu melhor amigo Nick (Philemon Chambers) a regressar a casa com ele durante a época festiva, para que possam fingir ser um casal, visto que a família de Peter está sempre a chateá-lo para arranjar um namorado. Claro que sendo o filme uma comédia romântica, tem de haver um contratempo: a mãe de Peter, Carole (Kathy Najimy) está a planear juntar o filho ao seu professor de spin, James (Luke MacFarlane).

O elenco conta ainda com Jennifer Coolidge, uma atriz que rapidamente se tornou num dos ícones da comunidade, embora seja heterossexual. Como uma espécie de easter egg, a sua personagem, a tia Sandy, diz: “Os gays sabem fazer as coisas bem. Por alguma razão, estão sempre obcecados comigo.”

Numa conversa com o “The A.V. Club”, a atriz afirma que o sentimento é mútuo, e vem desde que era nova. “Acho que quando somos jovens, não estamos muito conscientes de todas as decisões que tomamos. Simplesmente seguimos com aquilo que nos atrai. E era isso que me atraía nos meus amigos [gays]. Eles ainda não se tinham descoberto quando éramos novos, mas acabaram por perceber”, recorda-se.

Quanto ao filme, Michael Urie, o protagonista, conta à “Entertainment Weekly” que “podemos esperar ostentação, vinho, Pais Natais sexy, um pouco de mentira, muitas boas ações e a Jennifer Coolidge.” “Os meus pais são interpretados pelo Barry Bostwick e Kathy Najimy — uma casal de cientistas que acreditam que só poderiam criar filhos gays e que adoram o Natal. O Nick é o tipo de tio gay que passou vários anos a aperfeiçoar uma coreografia para uma música natalícia de Britney Spears com os sobrinhos. E é perfeita”, adianta o ator. “É a coisa mais gay que já aconteceu no Natal desde a Mariah Carey”, conclui. 

Um filme desta época com um casal gay em destaque carrega consigo uma importância enorme, e quem o afirmou foi Philemon Chambers, durante uma conversa com a “W Magazine”. “Na altura em que estávamos a gravar, não me apercebi do impacto, nem das consequências que isto teria. Mas quando cheguei a casa e tive um momento para mim apercebi-me. Fiquei ‘eu sou aquilo que precisava quando era mais novo’. Nós não tínhamos esta representação de pessoas gay na TV. Tinha de ter alguma espécie de homofobia ou negatividade atrelada, ou era uma história de se assumirem e que corria mal.” Como exemplo disto temos “O Segredo de Brokeback Mountain”, onde uma das personagens é, calcula-se, espancada até à morte. 

Chambers, que em “Solteiro Até no Natal” interpreta o interesse romântico de Peter, acredita que esta nova produção será a primeira de muitas. “As pessoas não têm medo de contar estas histórias autênticas e genuínas. Significa imenso para mim ter este tipo de representação, especialmente sendo uma pessoa negra — novamente, não tinha isso enquanto crescia. Este filme fala de amor incondicional”, reflete.

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