Cinema

“Sound of Metal”: o novo filme de Riz Ahmed que a crítica não pára de elogiar

Um baterista perde a audição e toda a razão de viver. É este o novo e desafiante papel do ator que brilhou em “The Night Of”.
É o novo grande papel do ator

Atacar a bateria sem piedade, noite após noite, num qualquer bar bafiento, é a vida de Ruben. Ao seu lado está Lou, a namorada e parceira no duo de metal Blackgammon. A certa altura, o estalido das baquetas dá lugar a um zumbido. Ele cresce e, subitamente, as vozes abafam-se. Ruben fica surdo.

Ruben é o novo grande desafio de Riz Ahmed, a personagem principal de “Sound of Metal”, um drama que marca a estreia de Darius Marder como realizador — ele que co-assinou o argumento de “O Lugar Onde Tudo Termina”. O filme está disponível na plataforma de streaming Amazon Prime desde 4 de dezembro.

Para lá da surdez, o filme conta a história de um homem problemático que havia encontrado uma forma saudável de lidar com a vida e com o vício — uma rotina que é abalada e que o leva a perder tudo aquilo de que gosta. Sem a música e a companheira, é forçado a entrar numa clínica onde um ex-alcoólico que perdeu a audição no Vietname o ajuda a tentar encarar uma vida sem som.

O britânico de 38 anos é um dos maiores talentos da sua geração e a crítica parece confirmar que este é o seu grande papel, depois de em 2016 ter conquistado um Emmy pela participação na minissérie “The Night Of”.

Talento do hip hop e licenciado em Oxford, Ahmed teve que voltar à sala de aula para se preparar para o papel de Ruben. Além de aulas de bateria, trabalhou durante meses com um professor de linguagem gestual. Este foi, talvez, o passo mais difícil.

“Sou um comunicador verbal. Mas aprender a tocar bateria e a usar a linguagem gestual ajudou a colocar-me no papel. O Jeremy Stone, o meu instrutor, explicou-me que na comunidade surda costuma dizer-se que as pessoas que ouvem são emocionalmente reprimidas porque tendem a esconder-se por detrás das palavras”, explica à “Time”. “À medida que fui aprendendo a linguagem, percebi o que queriam dizer. Dei por mim a ser muito mais emocional do que quando comunicava a falar — porque comunicava usando todo o meu corpo.”

Deu nas vistas em Hollywood num pequeno papel em “Nightcrawler”, como ajudante de um doentio Jake Gyllenhaal que vendia imagens de acidentes a televisões locais. Escolhido por Dan Gilroy para o papel, o realizador ainda hoje elogia a surpresa de ver Ahmed a improvisar em plenas filmagens e a levar ainda mais além a personagem para lá do guião. Seguiu-se “Jason Bourne”, o sucesso de “The Night Of” e claro, os destaques em “Star Wars: Rogue One” e como vilão em “Venom”.

“Eu e o Marder costumamos brincar que somos devoradores: adoramos envolver-nos na experiência. Quando soube que este era um papel intenso e emotivo que exigia aprender linguagem gestual e a tocar bateria, percebi que havia algo de tão absurdo na ideia que quis imediatamente mergulhar nele. Acho que também é assim que vivo a minha vida: atiro-me de cabeça.”

O mergulho parece ter convencido a crítica. Com um excecional indicador de 96 por cento no agregador de críticas Rotten Tomatoes, este parece ser o novo papel que irá definir a carreira de Ahmed, que brilha num filme altamente elogiado pela forma como usa o som para nos transportar até ao mundo de Ruben.

“É um filme que não só permite o silêncio como prospera nele, com os olhos e a linguagem corporal de Ahmed a definirem o arco da sua personagem. E não falha uma única batida”, frisa o crítico do site Roger Ebert.

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