Cinema

Sparks: a banda desconhecida que inspirou alguns dos maiores artistas do mundo

Joy Division, Sex Pistols e Red Hot Chili Peppers são alguns dos grupos cujos membros já demonstraram a sua admiração por este grupo.
Distinguem-se pelos visuais.

Surgiram no final da década de 60 do século passado. No início da sua carreira, atuavam como Urban Renewal Project e definiam-se como anglófilos, graças ao seu amor pela cultura e, especialmente, pela música britânica, deixando bem claro desde o início que não eram fãs do folk que se havia ouvir naquela altura nos Estados Unidos. Atualmente, são conhecidos como Sparks e há agora um documentário que conta a história da banda.

Tudo porque esta dupla afastada dos meios mais mainstream e constituída pelos irmãos Ron e Russell Mael acabou por inspirar alguns dos maiores nomes da indústria musical. “The Sparks Brothers”, assim se chama o documentário, conta com a participação de mais de 45 artistas, que revelam a sua admiração pelos peculiares irmãos, estreou em Portugal esta quinta-feira, 9 de setembro.

O nome Sparks aparece após o lançamento do seu primeiro álbum, “Halfnelson”, que era também o nome do grupo na altura da estreia. Após o fracasso comercial, a produtora à conclusão de que o problema era o nome, tanto do grupo, como do disco. Foi aí que chegaram ao nome Sparks Brothers, que, em parte, agradou à dupla de irmãos, que pediram apenas para que removessem a segunda parte do nome, passando então a ser apenas “Sparks”.

Voltaram a lançar o álbum de estreia, desta vez com um novo nome, e de seguida lançaram um novo disco. O seu desempenho nas tabelas, no entanto, continuou aquém das expetativas. Frustrados com a indústria, os irmãos fizeram as malas e partiram para o Reino Unido, e foi aí que verdadeiramente começaram a ganhar notoriedade.

A subida para a fama

Entre 1974 e 1975, com a ajuda do produtor Muff Minwood, os Sparks lançaram três álbuns que, até hoje, são considerados como a “trindade divina” do grupo: “Kimono My House”, “Propaganda” e “Indiscreet”. A estes três álbuns juntou-se ainda o single “This Town Ain’t Big For The Both Of Us”. A música, composta por acordes de guitarra únicos, um ritmo contagiante e vocais fora do normal, atingiu o número dois na tabela de singles britânica na altura do lançamento, e tornou-se na catapulta dos Sparks para a fama.

Além do som inspirado nas bandas de maior sucesso do Reino Unido, como Pink Floyd e The Who, os irmãos também foram solidificando a sua posição como artistas distintos dos demais graças à sua presença (ou não presença) em palco. Quem assista a uma atuação dos Sparks vai acabar chocado, confuso, mas animado, e era este mesmo o objetivo.

Enquanto Russell Mael dominava o palco com a sua voz e energia, Ron parecia estar lá forçado, criando assim um ambiente de comédia, com recurso a expressões faciais que certamente fazemos nas situações em que estamos mais desconfortáveis. No entanto, não passava de teatro.

Foi a atuação num programa da BBC que despertou a atenção de Edgar Wright, o realizador do documentário, para os artistas: “o Russel é convencionalmente atraente mas bastante adrógino, e gostava de desfilar pelo palco com uma blusa de mulher, o que na altura era definitivamente algo. O Ron tem este bigode à Charlie Chaplin e o cabelo puxado para trás, então acaba por parecer um professor substituto macabro que acabou na televisão. Além disso, olha para a lente da câmara, criando contacto visual com os espectadores, mas sempre sem sorrir”, afirma.

O reconhecimento por parte dos gigantes da indústria

Desde cedo que os irmãos Mael mergulharam na cultura musical que se vivia no Reino Unido, e, embora fossem americanos, nunca tiveram vergonha de o admitir: “Éramos apaixonados por bandas britânicas como os The Who, The Kink e The Move. A música era muito chamativa e os visuais eram algo fundamental”, recorda-se Ron.

Com o passar dos anos, os Sparks Brothers continuavam-se a inspirar nos sons com que cresceram, mas, acima de tudo, passaram a inspirar uma geração de artistas dos diferentes campos da música. Entre os fãs do grupo surgem nomes como Flea — o baixista dos Red Hot Chili Peppers — Steve Jones dos Sex Pistols, Stephen Morris dos Joy Division, entre muitos outros.

Este documentário é, na verdade, uma homenagem ao grupo, não contando apenas a sua história através de relatos pessoais, mas recorrendo também aos testemunhos de vários membros da indústria musical cuja inspiração vem da dupla de irmãos, que têm um carreira que se estende por mais de 50 anos e 25 álbuns.

Jack Antonoff, um dos principais produtores da música pop atual, que já trabalhou com Lana Del Rey, Lorde e Taylor Swift, diz que “toda a música pop atual são apenas reajustes aos Sparks. Essa é a verdade”. “Os Sparks são mais prolíficos que todos os artistas que consideramos serem os melhores do mundo”, continua.

“Durante todos os anos em que tenho feito música, se entrares no autocarro da digressão com um bando de músicos, eventualmente a conversa vai parar aos Sparks”, diz Beck, artista premiado com oito Grammys.

“É uma loucura, mas é fantástico”, dizem os membros de Duran Duran. Já Giorgio Moroder, um dos responsáveis pelo aparecimento da dance music, e pelo sucesso do disco nos anos 70 confessa que para ele os Sparks eram “o som do futuro”.

Pode ainda carregar na galeria para descobrir quais os outros filmes que vão estrear nas salas portuguesas até ao fim do ano.

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