Steven Spielberg passou grande parte da carreira a imaginar encontros com vida extraterrestre em filmes como “Encontros Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e “ET — O Extraterrestre” (1982). Agora, regressa ao tema com “O Dia da Revelação”, o thriller de ficção científica que estreou esta quarta-feira, 10 de junho. A diferença é que, desta vez, a história nasce de uma convicção pessoal do realizador: a de que os alienígenas já visitaram a Terra.
Numa entrevista recente ao canal de televisão norte-americano “CBS”, o realizador foi questionado sobre a esta possibilidade e a resposta foi clara. “Com base em todas as provas circunstanciais que reuni ao longo da vida, em tudo o que ouvi, nos documentários que vi e nos testemunhos que acompanhei, acredito absolutamente que eles estiveram aqui e que continuam aqui. E quem sabe, talvez sempre tenham estado.”
Essa convicção está no centro de “O Dia da Revelação”. O realizador descreve o projeto como uma espécie de continuação espiritual de “Encontros Imediatos do Terceiro Grau”, imaginando um cenário em que os extraterrestres nunca partiram realmente e a sua presença foi escondida durante décadas.
A história acompanha Margaret Fairchild, uma apresentadora da meteorologia de um canal local do Missouri interpretada por Emily Blunt. Depois de se cruzar com um misterioso pássaro vermelho, começa a desenvolver capacidades inexplicáveis: consegue falar línguas que nunca aprendeu, ler pensamentos e transmitir mensagens estranhas durante as emissões televisivas.
Ao mesmo tempo, Daniel Kellner, um especialista em cibersegurança interpretado por Josh O’Connor, tenta divulgar documentos secretos que alegadamente comprovam a existência de vida extraterrestre. Os dois acabam envolvidos numa conspiração que envolve governos, grandes empresas e décadas de segredos escondidos.
O elenco reúne alguns dos nomes mais conhecidos de Hollywood. Além de Emily Blunt e Josh O’Connor, participam Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson e Wyatt Russell. O argumento foi escrito por David Koepp, colaborador habitual de Spielberg em filmes como “Parque Jurássico” e “A Guerra dos Mundos”.
As primeiras críticas internacionais mostram-se rendidas, elogiando a abordagem do icónico realizador norte-americano à história do filme.
O “The Guardian” descreve-o como “uma aventura conspirativa sobre alienígenas muito divertida”, elogiando a forma como Spielberg mistura espetáculo, humor e mistério. O jornal britânico destaca ainda a interpretação de Emily Blunt e considera que o realizador continua a saber criar entretenimento de grande escala.
Já o “The Hollywood Reporter” surge entre os mais entusiasmados. A publicação considera que “nenhum realizador vivo compreende melhor a magia do cinema” e elogia a forma como o cineasta combina o fascínio dos seus clássicos de ficção científica com temas mais maduros ligados ao poder, à manipulação e à procura da verdade.
Uma coisa parece consensual: “O Dia da Revelação” é provavelmente o projeto mais pessoal de Spielberg sobre o tema desde “Encontros Imediatos do Terceiro Grau”.
Afinal, como o próprio realizador admitiu, esta não é apenas uma história sobre alienígenas. É também uma reflexão sobre tudo aquilo em que acredita. E, ao contrário de muitos dos seus espectadores, Spielberg parece não ter grandes dúvidas sobre a resposta.







