Cinema

“Confuso e abusivo”: críticos arrasam novo filme sobre a vida de Amy Winehouse

Apesar das notas negativas, quase todos elogiam a prestação de Marisa Abela como Amy. O filme chega aos cinemas esta quinta-feira.
Está a dividir opiniões.

“‘Back to Black’ não é apenas um filme terrível: é confuso e abusivo”, atira um dos primeiros críticos a avaliar o filme que retrata a vida de Amy Winehouse. Não está sozinho. A grande maioria dos especialistas tem apontado o dedo crítico à obra que chega aos cinemas portugueses esta quinta-feira, 11 de abril.

“Um olhar sobre a vida e a carreira musical de Amy Winehouse e uma tentativa de compreender como os demónios pessoais acabaram por destruí-la. Com um argumento baseado na primeira pessoa, o filme mostra a ascensão de Amy Winehouse, desde a educação num subúrbio de Londres ao estrelato mundial, antes da sua morte com apenas 27 anos”, lê-se na sinopse. A longa-metragem protagonizada por Marisa Abela, Lesley Manville, Eddie Marsan ou Jack O’Connell conta com uma pontuação de 50 por cento no agregador de críticas Rotten Tomatoes, o que mostra que dificilmente será um sucesso entre a crítica especializada.

“Uma performance sólida traída pelo argumento que prefere escolher a dedo os factos — e que, em último recurso, acaba por nos dizer menos do que aquilo que já sabíamos”, ataca a “Empire”. “A cena final, em concreto, com todas as suas implicações sensacionalistas, fez-me arfar de terror”, comenta o crítico do “London Evening Standard”.

“O final, claro, é triste. Apesar de todas as falhas, ‘Back to Black’ é mais celebratório do que trágico”, escreve o “The Times”, num tom menos ríspido. O que parece ser mais consensual é a prestação da protagonista. Marisa Abela, a atriz de 27 anos que encarna Amy, parece brilhar em todas as cenas. “Trouxe-nos de volta a Amy Winehouse em cada visual, com o seu humor e expressões”, descreve a “Variety”.

Este elogio da revista é, para muitos, inesperado. Quando saíram os primeiros vídeos e os trailer da obra, a protagonista foi imediatamente criticada e milhares de fãs diziam que o casting tinha sido “horrível”. “A Amy de Abela é uma autêntica força da natureza e representa perfeitamente a imagem extasiada, atormentada e saturada pelos média que conhecíamos da artista”, acrescenta.

O nome do filme é, claro, uma referência ao álbum de 2006 que nos trouxe alguns dos maiores hits da carreira da cantora que morreu aos 27 anos devido a uma intoxicação provocada pelo consumo de álcool. “You Know I’m No Good”, “Tears Dry On Their Own” e “Love is a Losing Game” são apenas alguns dos temas que integram o disco que vendeu mais de 16 milhões de cópias.

O CD é construído sobre uma contradição requintada e que continua a influenciar a indústria musical nos dias de hoje. As canções têm um toque de retro-jazz com batidas e instrumentais muito animados. As letras revelam histórias pesadas e negras. Quem não percebe os versos de “Rehab”, por exemplo, podia muito bem pensar que é apenas faixa muito divertida, algo que também só é possível graças à voz da própria cantora. “O filme direto e convincente que foi feito sobre a vida de Winehouse pega nesse equilíbrio entre o claro e o escuro e mergulha de cabeça no drama, fazendo-o cantar. O poder sinuoso da obra começa com Marisa Abela”, refere a “Variety. 

Outro aspeto que tem sido muito comentado entre aqueles que cresceram a ouvir as baladas e não só de Amy é o facto de Mark Ronson não ser apresentado na história. Mas a verdade é que a artista não teria tido uma carreira tão singular sem a ajuda do produtor.

Colaboraram em “Rehab”, “Back to Black”, “You Know I’m No Good”, “Love is a Losing Game”, “Wake Up Alone” e “He Can Only Hold Her”. Além de serem colegas de indústria, eram grandes amigos — algo que, depois, se refletia na sua relação profissional. Numa entrevista de 2010 ao “The Guardian”, Mark, de 48 anos, disse que gostava de trabalhar com Amy porque ela era “brutalmente honesta” quando não gostava do trabalho dele.

Ronson era para ser interpretado pelo ator canadiano Jeff Tunke, que chegou a filmar várias cenas, mas acabaria por ser riscado do argumento “Pude usar o casaco dele e trabalhar com a Sam Taylor-Johnson, a realizadora, o que foi fantástico”, disse ao “Daily Mail”. O porquê de ter sido cortado da obra não é conhecido.

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