Cinema

Terror em Paris: há um tubarão sedento de sangue à solta no rio Sena

É esta a premissa do novo filme de Xavier Gens, que estreou na Netflix esta quarta-feira, 5 de junho. É um thriller assustador.
Vai ser um sucesso.

A talassofobia, ou seja, o medo da enorme dimensão do oceano, afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Esta fobia pode ser intensificada por fenómenos do cinema como “Meg” e “Jaws”, em que tubarões assassinos dizimam a população. Agora, há mais um filme deste género. Chama-se “Sob as Águas do Sena” e estreou na Netflix esta quarta-feira, 5 de junho.

A protagonista é Bérénice Bejo, de 47 anos, que se tornou conhecida por participar em “OSS 117: Ninho de Espiões do Cairo”. Já o realizador da nova aposta da plataforma de streaming é Xavier Gens, responsável por “Humanos” e “Hitman: Agente 47”.

A trama decorre no verão de 2024, em Paris, durante os Jogos Olímpicos, mais especificamente na prova de triatlo que reúne alguns dos principais atletas do mundo. A história acompanha uma jovem ativista ecológica que alerta uma cientista, interpretada por Bérénice, sobre o enorme tubarão que viu no rio Sena, em Paris. Antes que seja tarde demais, a especialista avisa um comandante da polícia fluvial.

A atriz francesa teve de passar muito tempo dentro de água para se preparar para o papel. “Não é o meu elemento. Gosto de saltar e de escalar, mas preciso de contacto com a terra. Durante a preparação comecei por descer a primeiro metro de profundidade, depois 1,50 e dois metros. A certa altura comecei a sentir-me confortável”, conta ao “L’Équipe”.

O filme também ajudou Bejo a sentir-se melhor com o seu corpo, dificuldade que a acompanha desde sempre. “Comecei a prestar mais atenção a mim mesma, por respeito. Felizmente, consigo adaptar facilmente o meu corpo aos diferentes projetos que tenho em mão.” Em 2022, por exemplo, apareceu tonificada em “Cut!”, pois treinava todos os dias.

“Quando comecei a nadar mais, o meu corpo passou a ser só um corpo e já não sentia nojo dele. Temos seios mais ou menos grandes, nádegas pequenas ou maiores, pernas gordas ou magras — mas são apenas pernas, nádegas e seios”, sublinha.

A história do filme tem dado que falar nos meios de comunicação franceses. Rapidamente começaram a sair artigos onde é explicado se um tubarão poderia realmente viver no Sena.

Éric Clua, veterinário e professor da École Pratique des Hautes Études (EPHE) disse que “sim, é possível, mas sob certas condições”. A primeira depende da espécie. “Entre os três mais perigosos para os seres humanos estão o tubarão-branco, tubarão-tigre e tubarão-touro.” “Destas três espécies, apenas o tubarão-touro é capaz de subir rios de água doce.”

No entanto, este animal reside em águas tropicais e França está “numa zona temperada”. Num cenário hipotético em que o país se tornasse numa zona tropical devido às alterações climáticas, um tubarão-touro poderia ser encontrado no Sena, mas em direção a Le Havre, porque Paris fica muito longe da foz do Sena. “Porém, este é sobretudo um tubarão marinho e os adultos encontram-se maioritariamente na boca.”

Curiosamente, o aquecimento global acaba por ser um dos tópicos principais do filme, mas esta questão foi abordada de forma “muito subtil”, diz Bérénice ao “Diverto”. “Nunca nos passou pela cabeça fazermos um filme em que o tubarão era unicamente um vilão, mesmo sabendo que os espectadores vão dizer imediatamente que ele é mau. Mas ao vermos o filme temos consciência de que ele é, na verdade, a vítima. Não é um documentário, mas falamos de pesca excessiva e das alterações climáticas. Tudo isto acaba por trazer realismo ao filme”, aponta.

A baleia que subiu o rio Sena em 2022

Embora o filme seja uma obra de ficção, a verdade é que, segundo os guionistas Yaël Langmann, Yannick Dahan e Maud Heywang, é inspirado numa história real, mais especificamente de quando o Sena foi invadido por um animal aquático de grande porte. Acontecimento, aliás, mencionado brevemente no trailer da produção.

Uma baleia beluga foi avistada a nadar no rio, a cerca de 70 quilómetros de Paris, em agosto de 2022. Trata-se de uma espécie protegida que costuma habitar nas águas frias do Ártico e os especialistas acreditam que o mamífero se perdeu e acabou por entrar nas águas do Sena, que desagua no Oceano Atlântico.

Apesar de ter sido resgatada com o recurso a gruas devido à rápida intervenção do grupo de conservação marinha Sea Shepherd France, acabou por morrer a caminho do local onde iria receber tratamento para ser posteriormente devolvida ao seu habitat.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estreiam em junho nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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