Cinema

Triste Para Sempre: Lisboa vai receber um festival de cinema só com filmes tristes

O evento está marcado para a Fábrica Braço de Prata, na zona oriental da cidade, entre 1 e 4 de julho.
Prepare os lenços, vai precisar.

Todos podemos gostar de finais felizes, mas este festival de cinema de Lisboa lembra-nos que a tristeza também faz parte da vida. O evento Triste Para Sempre está de volta com a sua terceira edição, de 1 a 4 de julho.

Tal como nos dois anos passados, o festival vai realizar-se com o objetivo de promover o cinema independente e de autor, com filmes portugueses, mas também internacionais. Todos os projetos exibidos pretendem ensinar a lidar e a conviver com a dor e a tristeza, sentimento que muitas vezes ignoramos ou que reprimimos.

Estes filmes (na maioria são curtas-metragens) podem ser distinguidos com um destes três prémios: Lágrima Nacional, Lágrima Internacional, Lágrima do Público. Enquanto que os dois primeiros são atribuídos por um painel de jurados, o último é atribuído ao vencedor através de uma votação do público.

Este ano, vão a competição duas longas-metragens e 31 curtas-metragens. O Triste Para Sempre vai ter oito sessões, cada uma com um tema diferente, que varia entre saúde mental, nostalgia, morte, solidão, a dicotomia partir/ficar e outras temáticas que prometem despoletar no público o sentimento principal do festival: tristeza. Esta terceira edição será também acompanhada por uma exposição ao ar livre.

O primeiro dia de competição é a 1 de julho e o tema dos trabalhos apresentados é a saúde mental. A direção do festival dá destaque a dois filmes. O primeiro retrata o silêncio gritante de uma personagem que está presa numa relação abusiva. “Eva” é da autoria de Bernardo Lopes. O segundo filme vem do Reino Unido. “The Beekeeper” foi realizado por William McGregor e acompanha a história real de uma tratadora de abelhas do País de Gales que enfrenta a perda iminente do trabalho de uma vida face à construção de uma central nuclear.

No dia de encerramento do festival, também serão exibidas duas obras. Tal como no dia de abertura, um dos projetos relata um caso real, enquanto outro conta uma história de ficção. “Les Statues de Fortaleza”, de Fabien Guillermont, aborda a questão dos refugiados venezuelanos no Brasil e a crise humanitária que estes enfrentam. A outra curta-metragem vem também do Brasil, da mente de João Côrtes. “Pelas Mãos de Quem Me Leva” retrata uma rapariga órfã de 22 anos que, na sua perda e solidão, conhece um homem mais velho que traz mudanças à sua vida.

“Triste Para Sempre” foi criado em 2019 por dois jovens — António Simão e Carolina Serranito — que, após passarem por tantos festivais de cinema em Lisboa, decidiram criar o seu, com uma essência e objetivo únicos. Na primeira edição do festival foram submetidos 71 filmes de 20 países diferentes.

O vencedor da primeira Lágrima Nacional foi “Coerência”, de Miguel De, enquanto a Lágrima Internacional foi para o projeto espanhol “Ainhoa”, de Iván Sainz-Pardo. No ano seguinte, mesmo durante a pandemia, a tristeza chegou ao público. Na segunda edição do festival foram exibidas 34 curtas diferentes e estreou-se a Lágrima do Público, que foi para “Cuida de Mim”, de Liziane Bortolato. A Lágrima Nacional e Internacional foram para “18”, de Rui Esperança; e “Remains”, de Yoman Ben-David, respetivamente.

A terceira edição do Triste Para Sempre será na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, e as entradas são gratuitas. No entanto, as sessões estão limitadas a 50 espectadores. Poderá encontrar mais informações e seguir o festival na sua página do Facebook.

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