Cinema

Tudo o que sabemos sobre o filme que vai reunir Adam Driver com o criador de “Marriage Story”

O protagonista tem medo da morte, mas isso não o impede de se tornar num assassino. "White Noise" estreia este mês em Veneza.
Aborda vários temas, desde a morte à felicidade.

Em 2019, o ator Adam Driver e o realizador trouxeram-nos um dos filmes mais impactantes do ano, “Marriage Story”. A produção — onde também se destacaram Scarlett Johansson e Laura Dern — venceu um Óscar na categoria de Melhor Atriz Secundária e foi nomeada para cinco outras.

Driver e Baumbach voltaram-se a juntar para “White Noise”, filme que irá abrir o Festival de Cinema de Veneza a 31 de agosto — uma estreia para a Netflix, plataforma onde o projeto, tal como “Marriage Story”, será disponibilizado. O filme também vai inaugurar o Festival de Cinema de Nova Iorque a 30 de setembro.

É baseado no romance do autor Don DeLillo, publicado em 1985. Os espectadores vão acompanhar Jack Gladney (Adam Driver), um professor que se tornou reconhecido graças ao seu trabalho ligado à história de Hitler. A narrativa centra-se na sua complexa família numerosa, que conta com quatro filhos de cinco mulheres diferentes, enquanto lidam com conflitos do dia a dia.

Ao mesmo tempo, tentam compreender e desvendar os mistérios do amor, da morte e a possibilidade de sentirmos felicidade num mundo onde nada parece ser certo. Tudo se torna mais assustador quando no ar se sente o perigo iminente de uma catástrofe nuclear e tóxica, que ameaçará toda a sua existência.

O ator volta a interpretar um pai preocupado, algo que em “Marriage Story” lhe rendeu uma nomeação ao Óscar de Melhor Ator — que acabou por ser conquistado por Joaquin Phoenix. A sua esposa é Babbette, interpretada por Greta Gerwig. “White Noise” vai marcar mais uma colaboração entre Gerwig e Baumbach, que são casados na vida real. Trabalharam juntos em projetos como “Greenberg”, “Mistress America”, “Frances Ha” e, mais recentemente, em “Barbie”, dirigido por Greta Gerwig e co-escrito pelo marido.

O elenco vai contar ainda com Don Cheadle no papel de Murray, uma personagem secundária que é colega de Jack Gladney e que tenta replicar o seu sucesso académico, mas focando-se numa outra figura histórica: Elvis Presley. Apesar de não ser uma das personagens com maior relevância, acaba por impactar o enredo e o rumo da vida do casal.

No livro de Don DeLillo, Jack descobre que Babette o anda a trair com um homem chamado Mr. Gray, para ter acesso a uma droga fictícia conhecida como dylar, que ajuda a aliviar o terror da morte. O marido descobre este caso extraconjugal e é incentivado por Murray a assassinar o amante, em parte para conseguir lidar com o próprio medo que tem da morte.

Jodie Turner-Smith, André 3000, Raffey Cassidy, Sam Nivola, May Nivola e Lars Eidinger são outros dos nomes do elenco, embora ainda não se saiba quais serão os seus papéis e importância no desenrolar da narrativa.

Abrir o Festival de Cinema de Nova Iorque é como o encerrar de um ciclo para Noah Baumbach. “Em 1985, eu e o meu pai fomos de Brooklyn para vermos Akira Kurosawa abrir o festival com ‘Os Senhores da Guerra’. Nesse mesmo ano ele comprou-me a versão de capa dura do ‘White Noise’ de Don DeLillo”, contou ao New York Film Festival. “Abrir a 60.ª edição do festival com este filme é muito especial para mim. O evento fez parte da minha educação cinematográfica e foi uma casa para mim e para os meus filmes ao longo dos anos. Não podia estar mais entusiasmado e honrado por voltar.”

É a quarta vez que um filme de uma plataforma de streaming abre o evento. Tal já aconteceu com “A Tragédia de Macbeth” (Apple TV), “O Irlandês” (Netflix) e “Lovers Rock” (BBC One e Amazon Prime).

Embora não seja algo inédito no festival nova-iorquino, é uma estreia no de Veneza. “É uma grande honra abrir a 79.ª edição do Venice Film Festival com ‘White Noise'”, diz Alberto Barbera, diretor do evento, citado pelo site “Deadline”.

“Valeu a pena esperar pela conclusão do filme para fazer este anúncio. Baumbach fez uma peça de arte original e ambiciosa que passa por vários registos: dramático, irónico e satírico. O resultado é um filme que examina as nossas obsessões, dúvidas e medos que tínhamos nos anos 80, misturando-os com referências à realidade contemporânea”, conclui.

Já o realizador comenta: “É fantástico voltar ao festival, e uma honra incrível inaugurá-lo com ‘White Noise’. Este é um lugar que ama cinema e é um privilégio juntar-me aos cineastas que fizeram história aqui”.

Carregue na galeria e descubra outras novidades reservadas para o mês de agosto.

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