Cinema

“Guerra Civil”: um dos filmes mais aguardados do ano chegou aos cinemas

É provavelmente a última obra de Alex Garland como realizador. Tem Kirsten Dunst e Wagner Moura no elenco.
Kirsten Dunst é um dos destaques.

O currículo de Alex Garland não é propriamente extenso, embora seja indesmentível que o cineasta britânico tem um dom para criar filmes que deixam marca, mesmo que não sejam propriamente êxitos de bilheteira. Argumentista por natureza, foi ele o responsável pelo filme de culto “28 Dias Depois”. Anos mais tarde, já em 2014 — e agora também como realizador —, lançaria um dos grandes filmes de ficção-científica dos últimos anos, “Ex Machina”. 

Cansado da cadeira de realizador e com vontade de voltar a dedicar-se apenas à escrita, o britânico fez do seu novo filme uma tarefa épica. “Guerra Civil”, que chega aos cinemas esta quinta-feira, 18 de abril, tem sido um dos mais falados filmes do ano e aterrou nos cinemas com pompa. 

Segundo os críticos e o agregador de críticas Rotten Tomatoes — onde tem uma nota de 82 por cento com base em 292 avaliações —, a obra é um sucesso. Nela, Garland imagina um mundo em que os EUA estão divididos num conflito sem tréguas. As Forças Ocidentais, uma aliança armada de estados em revolta contra o governo federal, está a dias de forçar a rendição do Capitólio.

Na esperança de conseguir uma derradeira entrevista com o presidente, uma fotógrafa que captou atrocidades e conflitos em todo o mundo viaja numa pequena caravana de jornalistas integrada na coluna das forças armadas que tenta alcançar Washington antes que os rebeldes se apoderem da Casa Branca. O elenco, esse, é de peso e conta com atores como Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny, Jesse Plemons, Stephen McKinley Henderson e Nick Offerman.

Dunst interpreta Lee, uma fotojornalista que trabalha para a Reuters ao lado de Joel (Wagner Moura). Esgueiram-se entre as ruínas de uma América destruída para retratarem a realidade que muitos tentam esconder. 

A atriz de 41 anos é também alvo de elogios. “Se há algo que nos prende ao ecrã é o desempenho de Dunst como uma profissional com cicatrizes do passado que faz o seu trabalho em circunstâncias horríveis que a deixam entorpecida demais para se sentir horrorizada. Tal como mostrou em ‘Melancolia’, de Lars von Trier, há algo nela que é particularmente adequado para material apocalíptico”, escreve o “NPR”.

Mas claro que um bom ator só resulta se tiver alguém igualmente brilhante a liderá-lo. É esse o papel de Alex Garland enquanto realizador. “Algo que apreciei bastante no filme é como o cineasta faz a distinção entre o oportunismo dos jornalistas e a necessidade inata que têm em fazer o que é correto”, aponta o “The Wire”.

As cenas de confronto têm também dado nas vistas. “As sequências de combate são executadas com brutalidade a todo o vapor. A edição hábil transmite a satisfação sombria de capturar a verdade através da fotografia no meio da carnificina. Particularmente eficaz é o uso envolvente do som: o silêncio ensurdecedor após uma explosão e o canto incongruente e estridente dos pássaros que anuncia uma cena de monstruosidade humana”, diz o crítico do “The Guardian”.

Os elogios são vastos, mas pelo meio também se encontram algumas críticas menos positivas e que destacam principalmente o facto do filme ser “muito abstrato”. “Por mais propositado que seja, a fraqueza de Garland na longa-metragem só pode ser interpretada como uma falta de coragem. Poderia ser um filme político com mais sucesso se não tivesse medo em focar-se em alvos reais”, diz o “Slate”.

Apesar de todas estas avaliações, Alex Garland pode estar orgulhoso. Afinal, a sua nova produção “surge como uma raridade autêntica e bem-vinda que também solidifica Garland como um dos cineastas mais irreverentes e audaciosos do atual panorama obsoleto”, diz o site espanhol “Otros Cines”.

Esta pode ser, contudo, a despedida do cineasta durante uns tempos. A 1 de abril, o profissional revelou ao “The Guardian” que se vai reformar e que não pensa em “realizar novos filmes num futuro próximo”. Não é, então, um adeus definitivo — mas não se sabe quando regressará.

Como motivo para esta ausência, Alex fala sobre a “pressão” que vem não só do dinheiro, mas também do facto de “estarmos a pedir às pessoas que confiem em algo que, aparentemente, não parece muito confiável”. “Adoro cinema, mas a produção cinematográfica não existe no vácuo. Existe numa vida e também num contexto mais amplo”, comenta.

Carregue na galeria e conheça algumas das novidades de abril.

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