Cinema

Um dos melhores filmes de 2023 está prestes a chegar ao streaming em Portugal

"Fancy Dance", protagonizado por uma atriz nomeada ao Óscar, tem uma pontuação de 97 por cento. A história é emotiva e engraçada.
Tem uma nota quase perfeita.

Poucos, mas bons. Este parece ser o lema da Apple TV+. O catálogo de conteúdos é bastante limitado, mas maioria das produções que lá se encontram são verdadeiras obras-primas. O exemplo perfeito é “Fancy Dance”, que estreia na plataforma de streaming esta quinta-feira, 20 de junho.

O filme fala sobre a “epidemia” de pessoas indígenas que são assassinadas todos os anos e/ou que desaparecem sem deixar rasto. Segundo o Escritório de Assuntos Indígenas nos Estados Unidos, há cerca de 4.200 casos no país que nunca foram resolvidos. Não pense, porém, que a longa-metragem é de puro drama. Pelo meio, encontram-se vários momentos de humor para aligeirar o ambiente pesado.

A protagonista é Lily Gladstone, a mulher de 37 anos que foi uma das grandes revelações de 2023 após ter aparecido em “Assassinos Da Lua Das Flores” ao lado de Leonardo DiCaprio. A prestação rendeu-lhe uma nomeação ao Óscar de Melhor Atriz Principal.

Em “Fancy Dance” interpreta Jax, uma jovem que toma conta de Roki, a sua sobrinha que começou a viver na sua casa após a mãe, ou seja, a irmã da protagonista, ter desaparecido na reserva de Seneca-Cayuga, em Oklahoma (EUA). Enquanto procuram por ela, têm de se preparar para um grande evento que vai juntar várias tribos nativas. A narrativa leva-as numa viagem emocionante. 

“É muito difícil encontrar uma pessoa indígena na América do Norte que não se sinta tocada por esta história”, contou Lily, que também é de origem índia, numa entrevista à agência “The Associated Press”. “Todos nós fazemos o luto pelas pessoas indígenas desaparecidas ou assassinadas. É algo que todos tentamos consertar. A maneira que temos de lidar com isto é através do humor. É assim que nos mantemos juntos e sobrevivemos.”

As piadas frequentes ajudam o público a lidar com os momentos pesados da trama — que também começaram a afetar os atores. “Como todos nós temos um senso de humor bastante semelhante, trouxemos isso para os bastidores como uma forma de nos animarmos e isso é algo que acontece em todas as nossas comunidades. Nós gostamos de rir uns com os outros. Mostrar isso dentro e fora do ecrã é extremamente importante para todos nós”, comenta, desta vez, Isabel Deroy-Olson, que interpreta Roki.

“Temos que manter a alegria e manter os sorrisos e, acima de tudo, o otimismo para sobrevivermos a um genocídio que está a decorrer e que não parece ter um fim à vista”, sublinha a realizadora e guionista, Erica Tremblay.

A personagem de Lily Gladstone, Jax, trabalha no Centro Nacional de Recursos para Mulheres Indígenas e fica frustrada com a pouca atenção dispensada pelas autoridades ao caso da irmã. Recorre, então, à comunidade em busca de ajuda. Para a atriz de 37 anos, amplificar este tipo de história no ecrã sem que seja “enfiado pela garganta abaixo” pode inspirar mudanças. Acima de tudo, quer apresentar as desigualdades que as pessoas como ela têm de enfrentar no dia a dia.

A obra estreou no Festival de Cinema de Sundance em 2023. Apesar das ótimas críticas — tem uma nota de 97 por cento no Rotten Tomatoes — demorou cerca de um ano até receber uma segunda casa no streaming. A escolhida foi a Apple TV+

Tremblay ficou chocada pela ausência de propostas de outras plataformas, uma vez que a sua produção preenchia “todos os requisitos daquilo que é um filme indie bem-sucedido”. Ver o seu trabalho disponível na Apple TV+ foi, para ela, “o melhor final possível”.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estreiam em junho nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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