Cinema

“Uma Vida à sua Frente”: o filme italiano comovente que está a conquistar a Netflix

Sophia Loren é a protagonista deste drama realizado pelo filho, sobre uma sobrevivente do Holocausto.
O filme tem 1h34 de duração.

Aos 86 anos, Sophia Loren é uma figura icónica do cinema italiano. Mais de dez anos desde a sua última longa-metragem, a atriz que ganhou um Óscar nos anos 60 é agora a protagonista de “Uma Vida à Sua Frente”, filme que estreou na Netflix a 13 de novembro (e que nos últimos dias tem cimentado um lugar no top 10 da plataforma de streaming em Portugal).

A veterana atriz voltou a juntar-se ao filho, o realizador Edoardo Ponti, para protagonizar uma história baseada num livro do francês Romain Gary, escrito sob o pseudónimo Emile Ajar, que já tinha chegado ao cinema em 1977. Na altura, “Madame Rosa” recebeu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O guião foi escrito por outro nome experiente do meio, o argumentista Ugo Chiti (de “Gomorra”), que adaptou a história à atualidade, relocalizou-a para a cidade portuária italiana de Bari, aludindo de forma indireta à crise humanitária dos refugiados na Europa, mantendo, ainda assim, elementos fulcrais da narrativa original.

Sophia Loren interpreta Madame Rosa, uma ex-prostituta idosa, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, que ficou conhecida por acolher em casa os filhos de prostitutas ou órfãos que não tinham outro lugar para onde ir.

À medida que envelheceu, tornou-se mais difícil cumprir esse papel, daí que, quando a história começa, Madame Rosa só tenha consigo um rapaz cuja mãe nunca mais voltou, e ajude também a cuidar do filho da sua vizinha.

O outro protagonista é Momo (Ibrahima Gueye), um pré-adolescente de origem senegalesa, órfão, que tenta ganhar a vida como pode — mesmo que seja preciso traficar droga ou meter-se em problemas. Certo dia, rouba o saco de compras de uma mulher, para mais tarde tentar vender os produtos — sem sucesso.

Essa mulher é a própria Madame Rosa e o médico do bairro, preocupado com a situação de Momo e depois de tudo ser devolvido, tenta convencê-la a acolhê-lo, como fez com tantas outras crianças ao longo dos anos. A protagonista não gosta da ideia de albergar aquele “delinquente”, mas, depois de ser persuadida financeiramente pelo médico, lá acaba por aceitar, relutantemente.

O miúdo também não está muito interessado em viver com aquela mulher idosa, firme, embora frágil. Contudo, com o tempo, os dois vão formar uma relação ternurenta. Primeiro, com Madame Rosa a cuidar de Momo. Depois, enquanto o filme avança, é Madame Rosa quem vai precisar de mais ajuda — já que os problemas derivados da idade não param de se fazer notar.

Momo foi obrigado, pelas circunstâncias da vida, a crescer de forma rápida. Mas ao mesmo tempo não deixa de ser um jovem pré-adolescente, sem a noção de muitas coisas — não percebe, por exemplo, o significado do número tatuado no braço da protagonista, uma herança do tempo passado em Auschwitz, sob o domínio dos nazis.

Ou quando não percebe que Rosa não o está mesmo a reconhecer, acreditando que ela está apenas a brincar consigo. Os laços entre eles vão-se estreitando e forma-se uma improvável, mas bonita, relação de amizade entre um rapaz de 12 anos e uma octogenária.

“Ela estava à espera de um papel que a inspirasse, que a desafiasse e que lhe permitisse mostrar o seu lado mais autêntico”, disse, citado pelo jornal americano “USA Today”, o realizador Edoardo Ponti, sobre o regresso da mãe ao cinema — mesmo que aqui seja no streaming.

O elenco inclui ainda nomes como Renato Carpentieri, Babak Karimi, Iosif Diego Pirvu, Abril Zamora e Francesco Cassano, entre outros. O filme tem 1h34 de duração.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT