Cinema

Vasco Palmeirim: “O que eu quero é honrar o D’Artacão. Há uma carga emocional fortíssima”

O apresentador dá voz a uma das personagens mais famosas dos anos 80. "D'Artacão e os Três Moscãoteiros - O Filme" estreia na quinta-feira, 29 de julho.
Foi um trabalho recompensador.

Quem não se lembra do “D’Artacão e os Três Moscãoteiros”? Se nasceu na década de 70, 80 ou até de 90 é certo que ainda sabe cantar a música de abertura deste desenho animado que marcou várias gerações. Inspirado no mosqueteiro francês D’Artagnan, “D’Artacão e os Três Moscãoteiros” acompanhava as aventuras e desventuras cómicas de D’Artacão, após se mudar para a França com o objetivo de se tornar num dos moscãoteiros do rei. Lá conhece novos amigos moscãoteiros: Arãomis, Mordos e Dogos. Apaixona-se também pela bela Julieta, a aia da rainha.

Em Portugal, “D’Artacão e os Três Moscãoteiros” foi transmitida originalmente na RTP1, em 1983. Após isso passou por vários outros canais, como a TVI em 1995, o Canal Panda em 1996 e, novamente, em 2010 e 2011 e a Disney Channel, entre 2004 e 2009.

Os famosos moscãoteiros estão novamente de volta a Portugal, desta vez nas salas de cinema. “D’Artacão e os Três Moscãoteiros – O Filme” estreia na quinta-feira, 29 de julho. Nuno Markl vai interpretar o ratinho Pom, o melhor amigo de D’Artacão. Maria Emília Correia e Francisco Pestana voltam a dar voz a personagens deste mundo, após terem feito o mesmo na série original. Irão interpretar a Rainha-Mãe e o pai de D’Artacão, respetivamente. Já D’Artacão será interpretado por Vasco Palmeirim, que esteve à conversa com a NiT sobre esta estreia revelou alguns dos segredos do novo filme.

Conta-nos um bocadinho a história deste novo filme.
Isto é basicamente uma adaptação da história original de Alexandre Dumas (sobre o D’Artagnan) e é a história de um pequeno cão que vai para Paris com duas missões: entrar nos moscãoteiros e, ao mesmo tempo, tentar descobrir quem é que tramou o pai. O pai de D’Artacão é um antigo moscãoteiro que foi convidado a sair dos moscãoteiros por algum motivo. O pai sempre disse que não tinha culpa de nada e alguém o tramou. Pelo meio acontecem uma data de aventuras: assim que chega a Paris conhece a Julieta e apaixona-se perdidamente por ela, conhece de forma um pouco não convencional os moscãoteiros, marcando duelos no mesmo dia com todos eles, e depois a partir daí é uma aventura que envolve também jogos de poder e reviravoltas. É uma história muito engraçada de hora e meia que os miúdos vão adorar.

Achas que este projeto vai atrair um novo público?
Vamos falar aqui de dois públicos diferentes: primeiro, o público que viu, que é o meu público, o público da década de 80 que viu e se apaixonou pelo D’Artacão e que ainda se lembra da canção de cor, por exemplo. Aquilo que eu quero é honrar o D’Artacão. Não quero que digam “não é a mesma coisa”, eu quero que seja a mesma coisa. Esse é então o primeiro público. São eles que agora vão ao cinema com o segundo público, os filhos deles e pode ser que estes consigam arranjar no cantinho do coração um lugar para o D’Artacão e os seus amigos, porque eu acho que o D’Artacão tem nele muitos valores ótimos para os miúdos: a lealdade, a sinceridade, o companheirismo, o espírito de aventura, o não ter medo de nada e isso é muito importante para as crianças de hoje em dia.

Além do D’Artacão, que outras personagens te acompanharam enquanto crescias?
O Bugs Bunny acompanhou-me. Sempre fui fascinado pelo Coiote e pelo Bip Bip, chorava a rir. Há desenhos animados muito marcantes. Tenho desenhos animados e bandas desenhadas que ao longo da vida sempre me acompanharam e por isso é com muita alegria que vejo que o D’Artacão está de volta. É um estar de volta como se nunca tivesse ido embora.

A música do D’Artacão é aquela música que toda a gente conhece.
Toda a gente conhece mas há uma coisa muito engraçada: ninguém se lembra de a aprender. Ouviste tanta vez que, de repente, a canção entra-te na cabeça e isso é mais um fator que mostra o poder destes desenhos animados e desta história. Nunca ninguém se esqueceu da música do D’Artacão, é verdade.

Como é que te sentiste quando te ofereceram este papel?
Fiquei honrado, fiquei feliz por terem pensado em mim e depois senti o peso da responsabilidade, porque não é a mesma coisa dar voz ao D’Artacão do que é dar, por exemplo, a um Angry Bird, que é uma coisa mais recente. Com o D’Artacão há uma carga emocional fortíssima. Fiquei muito contente, assumi o peso da responsabilidade e não tive receio, mas não quis também fazer uma imitação do original.

Quando comparas esta experiência com experiências de dobragens passadas, achas que esta foi mais difícil devido à pandemia e ao peso da personagem em si?
Pessoalmente, eu encarei este personagem como encarei todos os outros que já fiz, dando o meu melhor, às vezes ouvindo e dizendo que eu consigo fazer melhor que isto, porque eu quero sempre fazer o meu melhor. Em relação ao D’Artacão não vou negar que houve um peso extra emocional fortíssimo, porque eu lembro-me perfeitamente do D’Artacão porque foi uma coisa que me acompanhou.

Testaste a tua voz de D’Artacão à frente dos teus amigos e família?
Não, não, não. Uma das coisas que eu fiz foi não tentar fazer voz de D’Artacão. A minha voz de D’Artacão foi aquela que me saiu, é uma voz que tem inflexões de emoção, de vez em quando rosna, outras vezes é suave, é um cão muito versátil em termos de emoções. Com o D’Artacão também era muito eu, era natural. Acho que as pessoas vão-se aperceber rapidamente que é o Vasco que está a fazer, mas acima de tudo quero que as pessoas percebam que é o D’Artacão.

Achas que quando os teus filhos virem o filme vão logo reconhecer a voz do pai?
Acho que sim. O mais velho percebe logo que sou eu. No outro dia deu o “Sing” na SIC, de manhã — eram sete da manhã e já estava de pé, visto que tenho dois filhos — e o meu filho que estava a comer o pequeno almoço disse: “Papá, és tu”. E ele nem estava a ver o filme. Eles já percebem de vez em quando qual é que é a voz do pai. Já me aconteceu ter amigos meus que vão ao cinema puxados pelos filhos e só no final é que percebem que sou eu, quando eu lhes digo. É muito engraçado ver que às vezes são os miúdos que percebem as vozes. Em relação aos meus filhos, acho que vão perceber que é o pai que está a dar voz.

Foste considerado a figura pública com a qual os portugueses mais simpatizam. Como te sentiste ao saber desta notícia?
Achava que era impossível. Já tinha ficado muito bem posicionado, já tinha ficado em terceiro e acho que em segundo, mas ficava sempre atrás do Ricardo Araújo Pereira. Agora fiquei eu em primeiro, e eu pensei que alguma coisa não estava a bater certo. Mas depois fiquei a pensar nisto e cheguei a uma conclusão muito engraçada: a malta simpatiza comigo não porque eu meto uma fotografia assim e assado, mas porque de manhã eu estou na rádio, depois estou no “Joker”, depois já estou no “The Voice”, ou seja, é mais pelo meu trabalho e pelo que eu faço no meu trabalho do que aquilo que eu mostro ser no dia a dia.

Graças a estes filmes, até as crianças acabam por simpatizar contigo.
Precisamente. Simpatizam com a voz e depois descobrem quem é a pessoa por detrás da voz. Não só faço companhia em muitas coisas dos miúdos, como depois a dada altura também veem os desenhos animados e dizem: “Isto é o Vasco que faz as músicas de Natal” ou “isto é a voz do Vasco que dá no ‘Joker'”. É muito bom agradar não só aos mais velhos, quando vão levar os miúdos à escola, ou quando estão a tomar o pequeno-almoço, como também aos mais novos que vão para a escola no carro e estão a ouvir a Rádio Comercial, ou então quando vão ao cinema e veem o Palmeirim a dar voz a este cão.

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