Cinema

Viola Davis é uma heroína guerreira que luta contra os esclavagistas portugueses

A atriz é protagonista de “A Mulher Rei”, que chega agora aos cinemas nacionais e conta uma história verídica.
Por esta ninguém estava à espera

Aos 57 anos, Viola Davis já provou ter capacidade para ser tudo e mais alguma coisa em Hollywood. O que faltava? Ser uma estrela de filmes de ação. Pois bem, essa proeza também já pode ser riscada da lista.

A atriz que venceu o Óscar em 2016 pelo seu papel em “Fences” encarna uma espécie de heroína guerreira de um impiedoso exército feminino. Em “A Mulher Rei”, que chegou aos cinemas esta quarta-feira, 6 de outubro, Davis revisita uma história inspirada em factos verídicos.

Há quem lhe chame a versão feminina de “Braveheart”. No lugar dos rebeldes escoceses, está o povo Agojie. No lugar do inimigo britânico, estão os colonos brancos que chegam a África para roubar e matar.

Davis interpreta Nanisca, a mulher general que cria um exército cem por cento feminino e que irá desempenhar um papel fundamental na defesa do reino de Daomé, hoje território de Benim. OP elenco conta ainda com nomes como John Boyega, Lashana Lynch ou Thuso Mbedu.

Além de protagonista, Viola Davis é também produtora do filme que serve também de retrato aos horrores da escravatura, da colonização, mas também da força dos povos africanos e da sua resistência. É, na visão da atriz, uma oportunidade de continuar a quebrar barreiras na representatividade em Hollywood.

Sobre o seu papel inusitado como estrela de ação, diz que é “transformador”. “Há sempre uma visão que tens da tua carreira, mas há muitos poucos papéis para uma atriz de cor”, explicou à “Vanity Fair”. “Ter pele negra, um nariz largo, lábios grandes. Vou continuar a dizê-lo: este tipo de histórias são extraordinariamente limitadas. É difícil ser uma artista, é difícil ser uma artista negra e ainda mais difícil ser uma artista, mulher e negra.”

Havia outro detalhe a limar na produção da história verídica. Estas guerreiras Agojie foram apelidadas de mulheres Amazonas, com base na mitologia grega. O nome dado pelos colonos retratava-as como “bestas masculinas”. Um dos trabalhos do realizador, Gina Prince-Blythewood, passou por ultrapassar os estereótipos racistas.

“Estas mulheres eram fascinantes e não precisavam de ser embelezadas ou maquilhadas. Queria que fossem reais, viscerais, cruas. Não queríamos mostrá-las como se fossem apenas uma coisa: mulheres duras que matavam”, explicou a realizadora à “Vanity Fair”. “Elas também riam, choravam e amavam. Queríamos mostrá-las em toda a sua humanidade, não apenas na parte fixe que cai bem no trailer.”
Na base da história está o reino de Daomé, que sobreviveu durante três séculos, entre 1600 e 1904, naquele que é hoje território de Benim. Os constantes conflitos dizimaram a população masculina, o que obrigou as mulheres a formarem-se e a juntarem-se à luta.

Nasciam assim a Agojie, uma força militar exclusivamente feminina que viraram a maré dos conflitos e se certificaram de que todos temiam as mulheres guerreiras. Embora quase todas as personagens retratadas no filme sejam ficcionais, uma não é. É o caso do rei Ghezo (Boyega), que guiou o reino entre 1818 e 1858.

É também aí que o cruzamento entre história e ficção se torna mais complicada. Se no filme, o reinado e a luta das Agojie se centra na libertação dos negros da escravatura imposta pelos colonos — com referências aos traficantes de escravos portugueses —, na realidade, Ghezo terá, durante décadas, alimentado esse tráfico. Contudo, a realizadora mostra vontade em ser fiel aos registos.

“Vamos contar a verdade. Não vamos esconder nada. Mas também queremos contar parte da história que assenta na superação, na luta por aquilo que está certo”, explicou à “The Hollywood Reporter”. Se quiser saber como Viola Davis se preparou para este papel exigente, pode ler este artigo da NiT.

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