Cinema

“We Live Here” não é um documentário gay. É um filme sobre famílias LGBT

Apresenta vários casos de pessoas trans ou homossexuais que tentam combater a discriminação nas comunidades conservadoras onde vivem.
O documentário estreou 6 de dezembro

Todos queremos encontrar um local onde possamos pertencer. No novo documentário da Hulu, “We Live Here: The Midwest”, acompanhamos famílias queer em várias cidades do interior dos Estados Unidos que lutam para ter um lugar seguro e feliz onde viver. O filme estreou esta quarta-feira, 6 de dezembro, na plataforma de streaming.

Originalmente, o produtor David Miller e a realizadora Melinda Maerker, pretendiam criar uma longa-metragem focada no casamento homossexual após ter sido legalizado. No entanto, depois de investigarem, concluíram que a discriminação na comunidade continuava a crescer e a luta pela igualdade estava longe de terminar. Por isso, ambos decidiram criar um trabalho para contrariar a tendência.

“Estamos a contar histórias de pessoas comuns que vivem vidas comuns e, por acaso, são gays”, explicou Miller, casado com Ryan Murphy, mais conhecido como o criador de séries como “Glee” e “American Horror Story”. “Gostaria de dizer que não é um documentário gay – é um documentário familiar com pessoas gays”, descreveu, citado pelo jornal “The Pitch”.

O que une estas pessoas é o facto de viverem no Midwest (no centro-oeste dos Estados Unidos), uma zona geográfica que abrange 12 estados: Minnesota, Kansas, Illinois, Indiana, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Iowa, Michigan, Missouri, Nebraska, Ohio e Wisconsin. A região, com uma história de racismo e homofobia, é frequentemente associada a uma mentalidade conservadora.

“O Midwest é conhecido como o coração dos valores da família americana”, explicou Maerker, referindo-se ao motivo que a levou a escolher aquela zona. “O que acontece quando os valores destas famílias – como ser gentil com o vizinho –não são alargados a uma comunidade inteira?”, questionou.

Em “We Live Here: The Midwest” conhecemos as famílias que combatem e tentam desconstruir o preconceito. Uma das personalidades apresentada é Katie Chiaramonte. Ela vivia no Iowa com a esposa, Nia, uma mulher transexual.

Somos confrontados com o dilema da família, que se podia resumir com o título da famosa canção dos Clash: “Should I Stay or Should I Go”. “Ficamos e lutamos ou abandonamos este local?” Mas para onde poderíamos ir para encontrar estabilidade e segurança?”, questiona-se no documentário, citada pelo jornal “Roll Call”.

O romance de Nia e Katie começou no oitavo ano, numa escola cristã em Des Moines. Aos 17 anos, começaram a namorar e rapidamente se casaram. Tiveram quatro filhos biológicos e adotaram outro.

Moravam na cidade onde nasceram, perto de amigos e familiares, e frequentam a igreja local com regularidade. Contudo, em 2018, Nia assumiu-se como uma mulher transexual. Isto revelou ser um problema para os pais de Nia e a igreja evangélica. O casal acabou por abandonar o Iowa e mudar-se para a Costa Este.

Existem outras histórias de luta pela aceitação, como Mario e Monte Foreman-Powell, um casal de afro-americanos homossexuais com uma filha pequena, do Nebraska, ou Denise e Courtney Skeeba, do Kansas, obrigadas a educar o filho em casa uma vez que sofria de bullying na escola. Um exemplo mais positivo é o de Russell Exlos-Raber, um professor do Ohio que está a criar um espaço seguro para estudantes LGBTQIA+.

​Todas as histórias podem ser vistas no documentário “We Live Here”, da plataforma da Hulu. Ainda não existe previsão sobre uma eventual data de lançamento em Portugal.

Carregue na galeria para conhecer as séries que chegaram à televisão e às plataformas de streaming em dezembro.

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