Cinema

Zac Efron é um alcóolico (ainda) em recuperação. Na pior fase esmurrou um sem-abrigo

O papel no Disney Channel levou-o por um caminho escuro. Agora, é o protagonista de "The Iron Claw" — que já estreou em Portugal.
Teve uma vida caótica.

“É uma luta que nunca mais acaba.” Entre 2006 e 2008, Zac Efron foi uma das maiores estrelas do Disney Channel, onde protagonizou os filmes “High School Musical”. Aos 18 anos era um fenómeno de popularidade. A pressão que sentia sob as luzes da ribalta levou-o a adotar comportamentos dos quais se arrepende até hoje.

Teve de aprender a lidar com os aspetos positivos do sucesso, mas também com os negativos — como ver todos os detalhes da sua vida analisados na capa dos tabloides. “Também carregava uma grande responsabilidade, porque tinha de ser um modelo a seguir para os miúdos, e eu não conseguia. Sou humano. Cometo erros”, conta ao “The Hollywood Reporter”. Para lidar com tudo aquilo que sentia, refugiou-se nas drogas e nas festas.

Frequentar estes eventos fazia parte da rotina do ator — e foi por isso que a sua vida mudou por completo. De repente, as substâncias ilícitas eram a única constante que tinha na sua vida. Com o tempo, continua a recuperar, e a sua carreira na indústria do cinema mantém-se frutífera. Esta quinta-feira, 22 de fevereiro, estreou nas salas de cinema portuguesas o seu novo filme: “The Iron Claw“.

A obra conta a história dos Von Erich, que atingiram o auge da fama nos anos 80, poderia ser um “tragédia grega”, descreveu o “The Guardian”. Tudo começou com o patriarca da família Jack Barton Adkisson (interpretado por Holt McCallany de “Mindhunter”). Quando entrou na indústria do wrestling, nos anos 50, adotou o nome Fritz Von Erich e criou uma persona onde se assumia como um nazi.

Continuou a lutar até aos anos 80, tendo feito uma passagem pelo Japão, onde conheceu algum sucesso. Abandonou os ringues em 1986 e tornou-se dono da promotora de luta livre, World Class Championship Wrestling.

Cinco dos seus seis filhos (o primogénito, Jack Adkisson Jr., morreu após ser eletrocutado e ter-se afogado numa piscina) começaram a mostrar os talentos. Kevin (Zac Efron), David (Harris Dickinson), Kerry (Jeremy Allen White), Mike (Stanley Simons) e Chris (que não é representando no filme) tornaram-se estrelas dentro e fora dos ringues.

Ao contrário da personagem nazi criada pelo pai, os filhos representavam o sonho americano. Eram atletas prodigiosos, com valores cristãos e aparência de estrelas de rock. Uma descrição que, de certa forma, se pode aplicar a Zac Efron, de 36 anos.

Como sabemos, porém, o lifestyle de rock n’ roll é muitas vezes marcado pelo abuso de substâncias ilícitas, e era esse o caso do ator. “Eu bebia muito, e também havia drogas”, conta, sem especificar aquelas que consumia.

Um dos grandes fatores que o levou a procurar este escape foi, lá está, o Disney Channel. No canal juvenil e infantil, protagonizou os filmes “High School Musical”, ao lado de Vanessa Hudgens. Quando o primeiro foi lançado, em 2006, tinha apenas 18 anos.

“Não importa quem somos, enfrentamos muitos desafios enquanto crescemos e, por vezes, falhamos. Isto é normal, mas também é especialmente humilhante quando tudo é tão público”, lamenta.

Queria deixar um legado singular para trás, e não ser apenas conhecido como o Troy Bolton dos filmes para adolescentes e miúdos. Começou, então, a aceitar diferentes papéis em géneros totalmente fora da sua bolha, para que conseguisse mostrar versatilidade. Isto, contudo, fez com que não tivesse tempo para descansar.

“Estava em burn out, e sentia que faltava algo na minha vida. Uma espécie de buraco que eu não conseguia preencher. O trabalho era a única coisa que tinha”, reflete. Este período da sua vida, quando tinha pouco menos de 23 anos, fez com que se isolasse de todas as pessoas à sua volta. “Foi por volta dessa altura que encontrei um refúgio nas drogas, e claro que isso me trouxe vários problemas”.

A infame luta em Los Angeles

Um dos momentos mais mediáticos da sua carreira ocorreu em 2014, pouco antes de entrar na reabilitação. A 26 de março, um amigo foi buscá-lo a casa, em Los Feliz (LA) porque Zac estava bêbedo, com fome e não podia conduzir.

“Estávamos na baixa da cidade à procura de um lugar para comermos e falarmos um pouco. Estávamos a ter dificuldades porque muitos dos sítios estavam fechados. O carro ficou sem combustível quando estávamos em Skid Row [uma das zonas mais perigosas da região]”, recorda.

Chamaram um Uber, mas, enquanto esperavam, um homem em condição de sem-abrigo foi ter com eles e bateu na janela do carro. “Sem sequer me aperceber, o meu amigo estava fora do veículo e começaram a andar à luta”, acrescenta.

Efron juntou-se à rixa quando viu que o agressor estava com uma faca ou “uma naifa”. “Saí para o desarmar e, a certa altura, dá-me um soco na cara. A polícia chegou para nos separar. Foi o momento mais assustador da minha vida”, conclui.

Embora nunca o tenha admitido, é provável que tenha sido aquele episódio que o levou a ir para a reabilitação. Quando concluiu o tratamento, também se inscreveu nos Alcoólicos Anónimos. Continua a ir às reuniões até hoje. “As coisas são muito mais fáceis agora”, garante.

Em vez de ficar em festas extravagantes até de madrugada, deita-se às 21 horas e treina todos os dias — só assim pode ter o físico invejável que vemos em “The Iron Claw”. “Também acordo cedo e vou logo nadar”, revela. Além disso, tem como rotina fazer terapia. Mesmo assim, a “luta contra o vício nunca acaba”.

Carregue na galeria para conhecer as séries (e regressos) que chegaram em fevereiro às plataformas de streaming e à televisão. 

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