A poucos dias de uma cerimónia de casamento que se espera perfeita, uma revelação inesperada ameaça destruir tudo. É este o ponto de partida de “The Drama”, novo filme com Robert Pattinson e Zendaya, que estreia esta quinta-feira, 2 de abril, nos cinemas.
A história acompanha Charlie e Emma, um casal, prestes a casar, cuja relação começa a desmoronar depois de um jantar entre amigos onde decidem confessar os piores segredos das suas vidas. O momento que parecia apenas um jogo transforma-se rapidamente num ponto de rutura e numa espiral de desconfiança, ansiedade e paranoia.
Realizado por Kristoffer Borgli, o filme mistura comédia negra com thriller psicológico, numa abordagem que cruza romance com desconforto constante. E foi precisamente esse tom híbrido que dividiu a crítica.
A “Variety” descreve-o como “uma comédia desconfortável que vive de um conceito forte, mas nem sempre convincente, onde tudo parece permanentemente instável”, acrescentando que o realizador “consegue criar uma ansiedade constante, embora o equilíbrio entre humor e tensão nem sempre funcione como deveria”. A publicação sublinha ainda que o filme vive muito da prestação de Pattinson, que interpreta Charlie como um homem permanentemente nervoso, à beira de um colapso, e considera que a história vai ganhando força à medida que essa ansiedade se transforma numa espiral cada vez mais absurda.
Já o “The Guardian” sublinha o lado mais provocador do filme, chamando-lhe “uma sátira engenhosa e desconfortável que mistura comédia romântica com terror psicológico”, acrescentando que “a revelação central cria um colapso emocional que é simultaneamente absurdo, inquietante e difícil de ignorar”. O jornal britânico destaca também o desconforto quase constante que o filme provoca e a forma como o realizador brinca com o absurdo sem perder de vista o mal-estar das personagens, mesmo quando a narrativa entra em territórios mais ofensivos e provocatórios.
No agregador Rotten Tomatoes, “The Drama” soma 83 por cento de aprovação, com críticas maioritariamente positivas. Entre os comentários mais entusiásticos na plataforma, um utilizador defende que “a tensão espinhosa entre fantasia e realidade em ‘The Drama’ é particularmente bem conseguida”, enquanto o “The AU Review”, escreve que o filme é “provocador, sim, potencialmente desconfortável, sem dúvida, mas, acima de tudo, intensamente vivo: caótico, divertido, inquietante e um pouco perigoso”.
Já o “Impulse Gamer”, descreve-o como “um cocktail eficaz de sátira cultural e imaginação distorcida”. No entanto, nem todos ficaram convencidos: o “Boston Globe”, foi muito mais duro e disse que começa a questionar “se os realizadores de hoje ainda entendem o conceito de sátira”.
Fora do ecrã, o filme também deu que falar. Durante a promoção, numa entrevista no programa “Jimmy Kimmel Live”, Pattinson admitiu que tem o hábito de inventar histórias nas entrevistas porque considera a sua vida “aborrecida”. A colega de elenco, Zendaya, chegou mesmo a recordar o que ele lhe disse, logo no primeiro encontro: “Eu costumava ser um mentiroso compulsivo”, deixando no ar a dúvida sobre o que é verdade e o que é ficção.
A fama de dizer aldrabices não é de agora. Ao longo dos anos, Pattinson foi ficando conhecido por contar histórias absurdas em entrevistas, muitas delas repetidas como se fossem verdadeiras. Uma das mais famosas surgiu em 2009, quando contou que, durante as gravações de “Poucas Cinzas”, em Espanha, levou uma stalker a jantar porque estava aborrecido — e que ela teria ficado tão desiludida com ele que nunca mais apareceu. A história correu jornais e revistas, mas era falsa.
Mais tarde, o ator admitiu ao “The New York Times” que muitas destas invenções nasciam quase por impulso. “A única coisa sobre a qual as pessoas me perguntavam era a fama e isso fazia-me entrar num estado de transe”, explicou. “Há um diabinho dentro de mim que pensa: ‘Diz algo chocante. Só estás aqui durante uns minutos, diz algo terrível’.”
Essa tendência para exagerar (ou simplesmente inventar ) já lhe criou uma espécie de lenda paralela à carreira. Houve a falsa história de que nunca lavava o cabelo, a invenção de que tinha trabalhado como modelo de mãos femininas, ou até a memória obviamente fabricada sobre o 18.º aniversário, quando disse que as irmãs o convenceram de que a mãe estava grávida. O próprio reconheceu que sente “uma espécie de adrenalina” quando engana jornalistas e que até já provocou “vários ataques cardíacos” ao assessor de imprensa.
Tudo isto ajuda a explicar porque é que, no caso de “The Drama”, a fronteira entre o que Pattinson diz a brincar e o que é verdade continua a ser um pequeno mistério.
Com química no ecrã, a relação entre Zendaya e Robert Pattinson no cinema não termina aqui. “The Drama” é o primeiro de três filmes que estreiam este ano e juntam os dois atores. Seguem-se “The Odyssey”, de Christopher Nolan, com estreia marcada para 16 de julho pela Universal Pictures, e “Dune: Part Three”, de Denis Villeneuve, que chega às salas de cinema portuguesas a 18 de dezembro, pela Warner Bros.
Zendaya é uma das atrizes mais talentosas da sua geração e a sua prestação em “The Drama” não é exceção. A crítica tem sido praticamente unânime nos elogios: o “Houston Chronicle” fala numa das “grandes interpretações do ano”, destacando a forma como transforma um guião exigente numa personagem que capta o espírito do presente.
Já o “San Francisco Chronicle” sublinha que a atriz “comanda” o filme e usa o seu carisma para elevar a história, enquanto a “NME” destaca a vulnerabilidade que traz a Emma, tornando ainda mais complexas as consequências emocionais da revelação central. Também o “New York Times” aponta que a química entre Zendaya e Robert Pattinson é essencial para “vender” a premissa, descrevendo ambos como intérpretes extremamente capazes.
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