A Semana da Moda de Paris é habitualmente associada a designers de alta-costura, peças de luxo, rostos conhecidos do mundo fashion e um glamour característico da capital francesa. No entanto, por detrás de tudo, dezenas de profissionais trabalham para que o evento se torne naquilo que o mundo observa (e adora). Essa realidade serve de base para o filme “Couture”, protagonizado por Angelina Jolie, que chegou aos cinemas esta quinta-feira, 3 de setembro.
A atriz regressa ao cinema num drama realizado pela francesa Alice Winocour, que cruza a energia de um dos maiores eventos da indústria de moda do mundo com uma história bem mais triste. Jolie interpreta Maxine Walker, uma realizadora norte-americana que viaja até Paris para filmar o vídeo de abertura de um desfile de alta-costura. O trabalho parece ser o centro da viagem, mas, de repente, tudo muda.
É que, em plena azáfama da Fashion Week, Maxine recebe uma notícia que lhe muda os planos: é diagnosticada com cancro da mama. A partir daí, “Couture” afasta-se do imaginário associado às passarelas e às luzes dos desfiles, e a história passa a acompanhar uma mulher obrigada a lidar com uma doença enquanto tenta perceber o que quer fazer com a vida.
Confrontada com questões sobre o corpo, a feminilidade, o desejo e o futuro, o seu caminho cruza-se com o de Ada, uma jovem modelo sul-sudanesa que abandonou o seu país, e Angèle, uma maquilhadora francesa que sonha com uma vida totalmente diferente.
Quando a vida destas três mulheres, de países e realidades distintas, se cruzam, nasce uma solidariedade inesperada, revelando que, por trás da beleza das passarelas, existem mulheres “que, cada uma à sua maneira, voltam a coser os fios da sua própria história.”
“Couture” reúne nomes como Angelina Jolie, Anyier Anei, Ella Rumpf, Louis Garrel, Garance Marillier, Aurore Clément, Vincent Lindon, entre outros.
Para Angelina Jolie, dar vida a Maxine foi um enorme desafio e particularmente simbólico. Embora a atriz, de 51 anos, não tenha tido um diagnóstico de cancro da mama, perdeu a mãe, Marcheline Bertrand, para a doença, assim como a avó. Em 2013, revelou também ter feito uma mastectomia preventiva (uma cirurgia de remoção de ambos os tecidos mamários) depois de descobrir que era portadora de uma mutação no gene BRCA1, associada a um risco elevado de desenvolver cancro da mama.
“Couture” nasceu também da profunda investigação dos bastidores da moda por parte da realizadora Alice Winocour, que passou um ano a acompanhar desfilese a conhecer maquilhadoras, costureiras, trabalhadores e modelos, por detrás das aparências e das imagens perfeitas em cima da passarela.
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