Televisão

“Estava rainha e senhora das manhãs na SIC” e outras frases polémicas de Cristina

O segundo lugar nas audiências e as novas apostas têm colocado a diretora da TVI no centro do furacão. As suas declarações também têm sido fortes.
Cristina Ferreira continua a lutar pela liderança.

Uns odeiam-na. Outros admiram-na. Esteja Cristina Ferreira na SIC ou na TVI, a verdade é que não há dia em que não se fale na diretora de entretenimento e ficção do canal de Queluz. Só que 2021 não estará a correr de acordo com as metas mais ambiciosas que os portugueses lhe traçaram.

Após a polémica mudança entre canais rivais, ficou sob os ombros de Cristina Ferreira a responsabilidade de provar que teria capacidade para vencer a guerra das audiências. Tentativas não faltaram — mas os números ainda não provaram o sucesso que se previa. Nos últimos três meses, a TVI continua a perder para a SIC e a diretora parece estar no meio da tempestade, com frases cada vez mais polémicas e inflamadas.

Depois de “Dia de Cristina” e de “All Together Now”, estreou a 29 de março a sua grande aposta. “Cristina ComVida” deveria ser o tiro certeiro na concorrência. Porém, ao terceiro dia, as audiências não param de baixar e a ultrapassagem à SIC continua a ser uma miragem.

As últimas semanas ficaram também marcadas por posições e frases fortes nas entrevistas que foi dando na imprensa. E nenhum alvo ficou incólume: da direção da SIC aos críticos, todos levaram resposta.

“Se eu quisesse, continuava lá [na SIC]. Estava rainha e senhora das manhãs.”

A frase forte surge numa altura em que a disputa com a SIC entra numa fase mais complicada. Com um processo judicial interposto pelo canal por causa da saída — Cristina Ferreira é acusada de quebrar unilateralmente o contrato —, o passado na estação rival parece não ficar de vez para trás.

Em entrevista, não se desvia da questão ou da sua polémica decisão. “As pessoas já perceberam que, se eu quisesse, continuaria lá?”, disse na entrevista a Manuel Luís Goucha. “Estaria tudo bem, estaria rainha e senhora das manhãs da SIC, no meu programa, tudo certinho, tudo perfeito.”

Pelo caminho, deixou um recado: “Eu não vou deixar de fazer nada na minha vida porque os outros me exigem. Eu não sou escrava de nada (…) são as minhas escolhas.”

“Se eu tiver que pagar, pago.”

A chegada do caso aos tribunais remonta a 2020 mas está bem viva e a diretora de entretenimento e ficção da TVI deixou isso bem claro.

“Eu não fiz nada que não pudesse ter feito. Há um contrato? Há. Há alíneas nesse contrato que nos permitem, porque, se nós não tivéssemos alíneas que nos permitem sair de alguma forma, viveríamos numa escravatura”, atirou na mesma entrevista.

Sobre a potencial indemnização que poderá ser condenada a pagar ao antigo empregador, é perentória: “Se eu tiver que pagar, pago. Eu sei das consequências. Fico triste. As pessoas com quem eu trabalhei do outro lado sabem o que é que eu dei ao outro lado, sabem o que é que eu contribuí.”

Apesar de reconhecer que foi “muito feliz” na SIC, admite que o convite da TVI foi uma oportunidade de sonho que “queria” agarrar. “Porque é que eu tenho de ser condenada por isso?”

Dos responsáveis do seu antigo canal, ficou a mágoa da forma como foi tratada. “Queria que o tivessem feito de outra forma: ‘Há alguma coisa que possamos fazer? Obrigada, sabemos o quanto foste importante para nós, temos muita pena que te vás embora. Vamos olhar aqui para aquilo que temos de cláusulas, vamos cumpri-las e boa sorte. Nós queremos continuar a ganhar’.”

“Dói-me esta necessidade de me matar”

Não há dia que Cristina Ferreira não seja tema de conversa: férias, namorados, rumores, declarações, enfim. O estatuto de celebridade a isso obriga — e a procura da exposição também —, embora isso não signifique que as críticas passem sem deixar marcas.

“Tenho dias que acho triste, só. Tenho dias que tenho pena”, disse a propósito dos constantes comentários feitos sobre si na televisão e nas redes sociais.

 “Dói-me esta necessidade de me matar. E quando digo matar, é matar. Há uma intenção clara, notória, não há honestidade crítica neste País.”

“Eu gosto muito de ganhar com o que é meu”

Apesar de confessar que gostaria de ter visto outro comportamento dos responsáveis da SIC relativamente à sua saída, Cristina Ferreira também não se retrai e deixa algumas críticas. Em conversa sobre o novo programa, falou inevitavelmente do projeto que deixou a meio no antigo canal, “O Programa de Cristina”.

O programa matinal, após a sua saída, reformulou-se e ganhou nova dupla de apresentadores. O estúdio, esse manteve-se, como muitos outros aspetos da sua dinâmica. “Ainda lá está um bocadinho do que eu lá deixei”, contra-atacou.

A diretora de entretenimento e ficção da TVI deixou subentendido que reprovava a opção. “Se me perguntares a mim ‘se fosses diretora, fazias o mesmo’, digo que não sei. Eu gosto muito de ganhar com o que é meu.”

“Precisava do dinheiro da SIC e RTP para fazer o que queria”

A chocante e polémica mudança colocou-lhe vários obstáculos inesperados. Além da zanga com a SIC na frente judicial e, tão ou mais importante, da necessidade de provar o seu valor na TVI — e ajudar o canal a ultrapassar o rival. Porém, até agora, isso ainda aconteceu.

Apesar das tentativas, a TVI tem-se mantido atrás da SIC nas audiências. Numa entrevista ao “Jornal de Notícias”, justificou-se com a falta de orçamento, que teria de ser bastante superior ao real, pelo menos para poder fazer a grelha à sua imagem.

“Estamos a falar de uma empresa privada que tem de cumprir um orçamento. A liderança é o objetivo de qualquer estação que queira ser rentável. Nós, enquanto nova administração, queremos organizar a casa e isso nem sempre nos permite ter a grelha que idealizamos. Há zonas com programas que não são estreias, há outras nas quais gostaríamos de ter outra programação. É a grelha ideal para irmos sonhando com os objetivos que temos para cumprir.”

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