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5 obras de Quino para conhecer — além de Mafalda

Ao longo de 88 anos, o cartoonista desenhou muitas outras tiras recheada de humor.

Quem leu as histórias de Mafalda não o adivinharia: Quino era obcecado por comida. Não só por comida: pela gastronomia, pelos comensais, pelas ruas relações.

Fosse qual fosse o tema, Joaquín Tejon nunca se ficava pela superfície. Sempre no tom humorístico que lhe é característico, tentou sempre evitar oportunidades perdidas. Cada desenho era uma chance de dar uma alfinetada, de lançar uma nova visão ou simplesmente de retratar a realidade tal como ela era.

Apesar de Mafalda ter sido um dos seus primeiros trabalhos e, de longe, o mais bem sucedido, Quino lançou dezenas de obras, a última das quais em 2016, numa compilação de desenhos inéditos.

Depois de arrumada a saga de Mafalda, supostamente por ter esgotado todas as suas ideias para a personagem, lançou-se a outras inspirações. Quino morreu esta quarta-feira, 30 de setembro, aos 88 anos, uma semana depois de sofrer um AVC. No dia da morte, recordamos algumas das obras que ficam.

“La Buena Mesa” (1980)

O ato simples de se sentar à mesa de um restaurante e pedir um café era, por si só, digno de atenção de Quino. Fê-lo na banda desenhada “La Buena Mesa”, que lançou em 1980.

Nela, aborda todas as situações comuns com que nos deparamos no dia a dia, sobretudo as que envolvem comida. Qualquer tipo de comida.

O tema mais recorrente? Os percalços, desentendimentos e zangas entre clientes e empregados de mesa — sem nunca deixar de apontar o dedo aos glutões e aos preciosismos da alta cozinha.

“Si… Cariño” (1987)

Desta vez, a política ficou posta de lado. Não há críticas mordazes a políticos corruptos. Aqui, o tema é o amor.

O humor certeiro de Quino aborda aqui tudo o que envolve as nossas relações como seres humanos, da atração ao sexo, das serenadas desastradas à infelicidade da vida em conjunto.

“Humano se Nace” (1991)

Nascemos humanos e o resto é ditado pelo caos que é a vida. Neste livro, Quino explora a condição humana em todas as vertentes. Sempre com muita ironia.

Do extraterreste que é apanhado num mal-entendido ao juiz incapaz de observar o ridículo, o cartoonista aborda a saúde, a moral, a religião, enfim, uma visão ampla sobre a sociedade — no seu tom muito característico.

“La Aventura de Comer” (2007)

Quase trinta anos depois, Quino voltou ao ataque com a mira apontada ao mundo da comida. A obra é uma espécie de segunda parte da que foi lançada em 1980.

Chefs caprichosos, clientes desrespeitosos e empregados furiosos partilharam espaço nas tiras com glutões, avarentos e ricos.

“Simplemente Quino” (2016)

Foi a última obra do cartoonista, que serviu para compilar bandas desenhadas perdidas no tempo e que acabaram por nunca ser publicadas.

Também por ser uma compilação, não tem um tema que una as diversas páginas, mas cobre todo o amplo espectro de interesses e de assuntos que Quino tocou numa carreira de oito décadas.

Sempre ao seu estilo, seja a comentar a velhice, o amor ou a religião, muitas das vezes não precisa sequer de recorrer a palavras. Basta-lhe o dom de criar sentimentos com um par de traços de um lápis.

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