Livros

85 mil títulos e 1 milhão de leitores: vem aí a maior edição da Feira do Livro

Até 16 de junho, o Parque Eduardo VII irá receber 350 pavilhões e 960 marcas editoriais representadas por 140 participantes.
Regressa a 29 de maio.

“As expectativas são muito altas, porque esta vai ser a maior Feira do Livro de Lisboa de sempre. Vamos ocupar o quarto talhão do Parque Eduardo VII.” São estas as promessas de Pedro Sobral, o diretor da APEL, para a nova edição de um dos eventos mais aguardados do ano na capital. No total, haverá 85 mil livros, mais de três mil eventos e espera-se que seja visitada por cerca de um milhão de leitores — e não só. Arranca esta quarta-feira, 29 de maio.

“O nosso principal objetivo é chegar a um maior número de pessoas e espalhar o gosto pela leitura”, conta à NiT. Haverá, claro, algumas novidades. A principal é que, graças a uma parceria firmada em 2024 com a Action Lab que se deverá prolongar por três anos, a Feira vai ser mais inclusiva. Pode contar com rampas para quem tem mobilidade condicionada, alfabeto de cores para quem tem daltonismo e guias de linguagem gestual. Além disto, foram instaladas mais casas de banho, fraldários e zonas de amamentação. “Queremos criar um evento o mais confortável possível para que todos possam vir.”

Outra das novidades desta 94.ª edição é a antecipação do horário de abertura: o recinto irá abrir ao meio-dia durante a semana e às 10 horas ao fim de semana e feriados. O horário de encerramento mantém-se às 22 horas, exceto às sextas-feiras, sábados e vésperas de feriado, que se prolonga até às 23 horas.

A inauguração também vai ser muito especial. Pelas 20 horas haverá uma homenagem ao poeta Nuno Júdice, que faleceu em março deste ano. “Era um dos grandes autores nacionais contemporâneos e formou milhares de novos leitores, porque foi professor universitário. Teve uma grande relevância na cultura portuguesa. Vai ser uma surpresa para toda a gente que ainda não posso revelar, só mesmo vendo”, adianta.

Outro aspeto que Pedro não consegue revelar são as melhores atividades em que pode participar. No site do evento, contudo, há centenas de propostas. Ao longo dos 19 dias (acaba a 16 de junho) vai contar com mais de três mil outros eventos, incluindo espetáculos de música e cinema ao ar livre, sem esquecer a zona de restauração. Os concertos acontecem todas as sextas-feiras, às 22 horas, no Auditório Norte da Feira, com atuações de Joana Alegre (31 de maio),  JP Simões (7 de junho) e Ela Li (14 de junho).

A edição deste ano irá contar com mais 10 pavilhões relativamente a 2023, atingindo um total de 350, com 960 marcas editoriais representadas por 140 participantes e 85 mil títulos disponíveis. O escritor suíço, Joël Dicker, os espanhóis Fernando Aramburu e Javier Castillo, os brasileiros Djamila Ribeiro e Jeferson Tenório e o francês Jean-Baptiste Andrea serão alguns dos convidados internacionais.

No que diz respeito a autores portugueses, poderá passar pelas sessões de algumas das maiores novas escritoras da atualidade. Rita da Nova e Lorena Portela, por exemplo, vão estar na Praça Amarela no último dia, pelas 15 horas, para falarem com o público sobre personagens femininas.

Também há palco para diversas celebridades portuguesas, nomeadamente Joana Marques que, pelas 16 horas do mesmo dia, vai estar no auditório sul para apresentar “Elefante na Sala”, a sua nova obra. “Há uma variedade enorme para todos os gostos”, sublinha o diretor da APEL.

A Hora H, que permite aos visitantes comprarem livros editados há mais de 24 meses com desconto de 50 por cento, também irá regressar. A iniciativa contará com 277 pavilhões aderentes, ou seja, cerca de 80 por cento dos expositores. Acontece de segunda a quinta-feira, na última hora do evento, exceto feriados e vésperas de feriados.

Os descontos não se ficam por aqui. “Também vamos ter o Livro do Dia até ao final da feira, em que cada dia há uma nova obra com uma promoção de 40 por cento”, explica Pedro. Os títulos já podem ser conhecidos no site. A iniciativa inclui publicações como “Vidas Trocadas”, “O Macaco Rabugento”, “4 3 2 1”, “Ela Primeiro”, entre muitos outros.

No ano passado, a Feira do Livro de Lisboa recebeu cerca de 980 mil visitantes únicos. Pedro está confiante: acredita que em 2024 vão chegar ao milhão. Esta evolução faz sentido, visto que o evento é cada vez maior a cada ano que passa. Há cerca de três anos, depois do confinamento, o conceito mudou e o festival tornou-se mais sustentável. “Antes tinha uma pegada de carbono relativamente grande. Havia um desafio por parte da CML para termos um processo mais sustentável. Há cerca de três anos diminuímos o número de entrada e saída de camiões em Lisboa em cerca de 80 por cento. Este novo conceito também é esteticamente mais apelativo”, realça.

O facto de mais visitantes passarem por lá também é influenciado pelo crescimento do mercado dos livros. Depois da pandemia, surgiu uma nova geração de leitores que agora vêm a Lisboa à “procura dos seus autores e das obras que querem comprar”. “A feira beneficia muito deste crescimento. A pretensão é que não estanque e que para o ano possamos estar a dizer novamente que é a maior edição de sempre”, conclui o diretor da APEL.

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