Livros

“A Cicatriz”: novo livro de Maria Francisca Gama é um fenómeno nas redes sociais

A narrativa da quarta obra da autora de 26 anos, decorre no Rio de Janeiro e aborda a violência contra as mulheres.
Retrata a realidade das mulheres.

“As mulheres sentem mais medo no dia a dia que os homens”, começa por contar à NiT a escritora Maria Francisca Gama. É comum sentirem-se mais conscientes da forma como se apresentam ao mundo e, quando estão sozinhas, temem pela sua segurança, acrescenta.

A violência contra as mulheres é precisamente um dos temas de “A Cicatriz”, o quarto livro da autora de 26 anos, editado pela Suma de Letras (uma chancela da Penguin) e lançado a 19 de fevereiro.

O processo de escrita começou em abril do ano passado, quando Maria regressou de uma viagem ao Rio de Janeiro. Inspirada pela beleza da cidade brasileira, decidiu que o seu próximo trabalho se ambientaria precisamente ali.

“Bebo muito da cultura brasileira. Gosto dos autores de lá, da música, da comida. Reuniu-se um conjunto de fatores que despertou em mim o interesse de contar uma história que se desenrolasse ali”, explica. No fundo, o Rio de Janeiro acaba por ser uma personagem, porque toda a narrativa se “desenvolve com base nas suas características”, acrescenta.

“A Cicatriz” acompanha um casal que partiu numa viagem que prometia ser inesquecível. Após vários dias encantadores, banhados pelo sol e pelo espírito carioca, aproveitam uma das últimas noites para irem jantar fora. Quando terminam a refeição, satisfeitos e apaixonados, decidem ir a pé para o hotel, mas não se recordam se o caminho mais perto é pela esquerda ou pela direita. Tomam uma decisão que achavam que pouco ia significar, e a sua vida muda por completo. “O Rio passa de um sítio luminoso a sombrio à medida que tudo se desenrola”, descreve.

Ao longo das páginas, descobrimos o que lhes poderia ter acontecido se tivessem ido pela direita, e o que realmente aconteceu por terem seguido pela esquerda. Sem revelar spoilers, Maria diz que “sucede algo muito mau que reflete os dados estatísticos sobre a violência contra as mulheres”.

Tem 168 páginas.

O título reflete exatamente isto. “A Cicatriz” é uma marca física que a protagonista passou a ter, mas também é uma mágoa mental que se torna num fardo após o tal acontecimento trágico. “Todos nós passamos por coisas menos boas que nos moldam e que ficam para sempre connosco. O nome da obra tem este duplo significado”, destaca.

Não querendo ser fatalista, também acredita que passamos o dia a tomar decisões aparentemente irrelevantes que podem ter consequências devastadoras na nossa vida. “Toda a gente conhece alguém que não foi para determinado sítio e, depois, descobre-se que lá aconteceu algo péssimo ou, por outro lado, ótimo”, reflete.

O livro está a ser muito elogiado no Booktok e no Bookstagram, o que traz imensa felicidade à escritora. Assegura, porém, “que as redes sociais não representam a realidade, e por mais que o livro esteja a aparecer em publicações, ainda não se lê o suficiente em Portugal”, lamenta.

Maria Francisca Gama começou a escrever aos 10 anos, em cadernos e blogues. O gosto pela literatura sempre a acompanhou — a vontade de escrever ficção surgiu em miúda. “O meu objetivo é contar histórias que nos façam pensar sobre a realidade e, sobretudo, sobre o papel e condição da mulher na sociedade”, revela.

Atualmente está a escrever uma longa-metragem sobre a qual pouco pode falar. Assegura, contudo, que não quer abandonar os livros, mas os próximos têm de ser melhores que os já publicados.

“A Cicatriz” já está disponível nas livrarias e online. Normalmente, está à venda por 15,95€. Graças a um desconto de 10 por cento, pode ser adquirido por 14,36€.

Carregue na galeria e conheça algumas das obras mais aguardadas de 2024.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT