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Bob, o gato incrível que transformou um sem-abrigo num autor bestseller

James Bowen viveu na rua quase dez anos e só deixou a droga quando o gato começou a segui-lo. Estiveram os dois em Portugal para o lançamento de “O que Aprendi com Bob — Lições de Vida de um Gato de Rua”.
James e Bob já foram passear a Monsanto.

Quando aparece no hall de entrada do Altis Avenida, nos Restauradores, dezenas de turistas param o que estão a fazer para admirar Bob a passar por entre malas e pernas. Afinal, não é todos os dias que se vê um gato a desfilar por um hotel de 5 estrelas. Ele é uma estrela um pouco por todo o mundo e está em Lisboa pela primeira vez para apresentar o livro mais recente, “O que Aprendi com Bob — Lições de Vida de um Gato de Rua”.

Agora pode fazer uma viagem até ao Japão e ficar instalado no Ritz Carlton ou comer os produtos mais gourmet no mercado mas a vida nem sempre foi assim tão glamourosa. A sua história começa no momento em que se cruzou com James Bowen, o seu atual dono, no final de 2006.

James (agora com 39 anos) ocupava um estúdio numa habitação social e tocava nas ruas de Londres, sobretudo na zona de Covent Garden. Antes tinha vivido quase dez anos na rua, desde 1998, e consumido heroína quase outros tantos.

“Não é uma coisa que aconteça de um momento para o outro, são migalhas que se vão juntando até chegarmos a esse ponto. Trabalhei num pub e não me pagaram uns meses, depois despediram-me e alegaram que eu é que tinha ido embora”, recorda à NiT.

Não teve direito a subsídio de desemprego, rapidamente deixou de conseguir de pagar as contas e ficou sem-abrigo. “Costumo dizer que toda a gente está a dois ordenados de dormir na rua.”

A droga apareceu depois para “escapar à realidade”. Já nos anos 2000, James Bowen inscreveu-se num programa de metadona para, aos poucos, ir substituindo e deixando a heroína. Contudo, o grande impulso aconteceu graças a Bob.

Um dia chegou ao prédio onde vivia e encontrou aquele gato de olhos verdes sentado no patamar do rés-do-chão.

“Disse-lhe olá mas subi até ao quinto andar onde morava”, diz.

Durante três dias, sempre que chegava ou saía via o gato no mesmo sítio. Bateu à porta do rés-do-chão mas disseram-lhe que o animal não pertencia a ninguém. James decidiu então levá-lo para casa para o alimentar. Nesse momento, percebeu que ele estava ferido numa pata e levou-o ao veterinário.

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