Todos os anos, a Leya distingue um romance inédito escrito em português, com o Prémio Leya, criado em 2008. Esta quarta-feira, 19 de novembro, foi revelado o título vencedor de 2025. Trata-se de “A Sombra das Árvores no Inverno”, de Carla Pais, que, assim, recebe 50 mil euros. Torna-se o sucessor de “Pés de Barro”, de Nuno Duarte, que venceu em 2024.
Esta edição foi, segundo a Leya, a mais concorrida de sempre — contou com a participação de 1.460 candidatos de 22 países. Carla Pais, de 46 anos, é a segunda mulher a vencer o troféu, depois de Gabriela Ruivo Trindade, em 2013, com “Uma Outra Voz”.
“Com grande elegância de escrita, a autora traz, ao curso do enredo e ao trajeto íntimo e social das personagens, situações problemáticas e convulsas de candente atualidade na Europa, sobretudo decorrentes da imigração oriunda de África e do Próximo Oriente — e oscilantes entre a integração e a rejeição”, disse o júri.
E acrescenta: “Mas tudo surge numa ficção de envolvente dialética entre a dor da perda e o amor, memória e esquecimento, luto e revivescência, solidão e aconchego familiar, bem como numa dicção cativante da relação poética de cada ser humano com o mundo e consigo mesmo, à procura do seu lugar na vida.”

Carla Pais, nascida em 1979, é natural da freguesia de Regueira de Pontes, distrito de Leiria. Abandonou a escola aos 17 anos para ser mãe, terminando mais tarde o 12.º ano à noite. Em 2012, partiu para França onde fez limpezas, embalou salmão e tomou conta de miúdos. Trabalha atualmente num Centro de Formação à Distância.
Também autora do romance “Mea Culpa”, tem sido premiada em vários géneros literários, nomeadamente na poesia, onde venceu a primeira edição do prémio Francisco Rodrigues Lobo com a obra “A Instrumentação do Fogo”.
O júri do Prémio LeYa, presidido por Manuel Alegre, conta com José Carlos Seabra Pereira, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Portugal), Isabel Lucas, jornalista e crítica literária (Portugal) Lourenço do Rosário, antigo Reitor da Universidade Politécnica de Maputo (Moçambique), Ana Paula Tavares, poeta e historiadora (Angola) e Josélia Aguiar, jornalista e historiadora (Brasil).
Carregue na galeria para conhecer alguns dos livros que chegam em novembro a Portugal.

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