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“Chama-me Pelo Teu Nome”: “Nunca pensei que o meu livro pudesse ser um filme”

A NiT entrevistou André Aciman, autor da obra que foi adaptada para cinema. A sequela já está disponível em Portugal.
André Aciman tem 69 anos.

Nasceu em Alexandria, no Egito, numa família de judeus com origens turcas e italianas. Com todas as tensões entre árabes e judeus nos anos 50 e 60, a família Aciman mudou-se para Itália. Três anos depois, em 1968, foram para Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde André Aciman tem vivido desde então.

É um professor universitário conceituado de literatura e autor de vários romances e ensaios. Apesar de já ter 69 anos, o seu trabalho só se tornou conhecido mundialmente pelo grande público quando, em 2017, “Chama-me Pelo Teu Nome” chegou aos cinemas e se tornou um enorme sucesso.

A produção realizada por Luca Guadagnino — a partir do livro com o mesmo título de André Aciman que tinha sido publicado há dez anos — foi nomeada para quatro Óscares (e venceu o de Melhor Argumento Adaptado), com Timothée Chalamet e Armie Hammer a interpretarem as personagens principais.

Esta é a história de uma família italiana que acolhe um investigador americano para ser assistente do pai da família. De forma progressiva, o jovem filho de 17 anos apaixona-se pelo americano mais velho e os dois desenvolvem uma relação ao longo de um verão.

Aciman diz que a sua vida não mudou, mas tornou-se de forma repentina um autor bestseller nos EUA e noutros países. A sequela de “Chama-me Pelo Teu Nome”, que já estava a ser pensada há muitos anos, foi publicada no ano passado.

Em junho, “Encontra-me” chegou a Portugal, numa edição do Clube do Autor. Tem 272 páginas e está à venda por 17€. Foi o pretexto ideal para a NiT entrevistar André Aciman, que diz que, ao contrário do que a imprensa internacional avança, não está a ser preparada uma adaptação cinematográfica desta sequela.

O filme de “Chama-me Pelo Teu Nome” foi decisivo para ter tomado a decisão de escrever uma sequela para a história?
Não, acho que não. Adorei o filme, mas não sou uma pessoa dos filmes, eu não entendo os filmes, não escrevo para filmes. O livro foi totalmente independente — e de certa forma até é independente do “Chama-me Pelo Teu Nome”. 

Como teve a ideia para escrever a sequela, então?
Tive a ideia de escrever uma sequela assim que o primeiro livro foi publicado em 2007. Tentei continuar a escrever sobre o Elio e o Oliver durante dois ou três anos, fazendo com que eles se reencontrassem. Mas depois percebi que estava a escrever novamente o “Chama-me Pelo Teu Nome” e eu não queria isso. Era como fazer o “Rocky 2” ou o “Rocky 3”, seria ridículo. Por isso parei de o fazer e comecei a escrever outros livros, livros diferentes. E, depois, num certo dia, há cerca de quatro anos, eu estava num comboio em Itália e conheci uma mulher. Falámos durante 20 ou 30 minutos, e depois ela saiu para ir ver o pai dela. Nunca mais a vi, não sei qual é o nome dela. Nada. Mas inspirou-me e fez-me perceber que eu queria escrever sobre o Sami [pai de Elio]. E nessa altura tudo se juntou e percebi que talvez tivesse outro livro. Mas nunca sabes se tens um novo livro até o escreveres.

Como é que essa mulher o inspirou?
Ela tinha muita energia, que é algo que geralmente não vejo em muitas pessoas, era muito aberta e contou-me sobre os seus problemas com o pai, disse-me que queria saber quem eu era, etc. Ela também era muito bonita e eu fiquei muito inspirado, falámos e depois ela disse que tinha de sair. E tudo bem, eu não esperava outra coisa. Mas no meu subconsciente talvez eu esperasse outra coisa, e escrevi uma história sobre um homem que conhece uma mulher num comboio. Depois, queria escrever o capítulo da Cadenza, e em como o Elio iria conhecer um homem mais velho com quem iria explorar uma relação.

Quando tempo demorou a escrever o livro?
Um pouco menos do que um ano, não foi tão rápido como o “Chama-me Pelo Teu Nome”. Mas também não foi uma tortura, digamos assim [risos].

André Aciman, à direita, como Mounir.

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