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Do roubo do Louvre ao túmulo de Cleópatra. Este livro português quase previu o futuro

A primeira obra de Paulo Fidalgo aborda dois tópicos polémicos que se tornaram super atuais este ano.

Em outubro, o Louvre foi palco de um dos roubos mais espetaculares e mediáticos das últimas décadas. Mas antes de o assalto ao estilo Hollywood ter acontecido no centro de Paris, a ideia já tinha sido descrita por Paulo Fidalgo. É exatamente assim que começa o seu primeiro livro, “Cleópatra, O Último Sopro”.

O lançamento da primeira obra do autor português aconteceu um mês depois do incidente no Louvre. Foi uma pura coincidência, uma vez que fora concluído durante o verão. O romance arranca com a história de um ladrão que leva do museu francês uma estátua milenar egípcia — e não as joias da Coroa Francesa, como aconteceu na realidade. No entanto, durante a fuga, a peça parte-se e revela que estava lá dentro um papiro antigo, que ficou rasgado pelo impacto. O ladrão acaba por levar apenas metade deste papel que contém um enigma.

“Gosto muito de história. Queria abordar partes da história real que ainda não foram decifradas, como o túmulo da Cleópatra. Que acaba por ser outra circunstância caricata ligada à atualidade porque houve relatos em setembro e outubro sobre novos indícios da localização deste túmulo”, explica o autor de 45 anos, natural da Gafanha da Nazaré, em Aveiro.

Apesar de Paulo não ter qualquer ligação ao mundo da escrita — trabalha em contabilidade numa autarquia —, sempre foi um ávido leitor que arriscou dar este passo fora da sua área profissional.

“Normalmente, mal termino um livro, já tenho outro à minha espera na cabeceira. Durante as minhas leituras, envolvo-me profundamente nas histórias e procuro colocar-me no lugar do escritor, imaginando as várias direções que a narrativa poderia tomar. Esse exercício sempre me fascinou e, talvez por isso, surgiu a ideia: por que não experimentar a escrita?”

Em “Cleópatra, O Último Sopro”, a trama segue a protagonista, Leonor dos Santos, uma historiadora com um fascínio por “verdades esquecidas” — um pouco como acontece com o autor. A investigação leva-a até Paris, São Petersburgo, Londres e, claro, ao Egipto. É que o pedaço do papiro a que teve acesso revela indícios da localização do túmulo de Cleópatra. Ao mesmo tempo, a história desenvolve-se na sombra de uma figura do mercado negro conhecida simplesmente como Francês.

Sem desvendar muito mais do que se passa no livro, esta narrativa claramente já estava no subconsciente de Paulo à espera de se tornar real. Afinal, só começou a escrever a sua primeira obra este ano.

“Costumo dizer que sei sempre como a história começa e como termina — o desafio está no caminho que liga esses dois pontos”, explica sobre o processo criativo no qual trabalha arduamente para investigar os factos históricos nos quais se baseia. Sim, porque este é o género literário favorito de Paulo Fidalgo.

Sou um grande entusiasta de, entre outros, José Rodrigues dos Santos, Daniel Silva ou Dan Brown. Gosto de livros que se baseiam em factos históricos, pois sinto que podemos aprender algo com eles. É exatamente esse tipo de escritor que me atrai e é isso que procuro nas minhas leituras”, revela à NiT.

No entanto, o novo autor português tem uma diferença enorme em relação às suas influências: a escolha do protagonista.

“A escolha de uma protagonista feminina não foi casual. Resultou da intenção de contrariar a escassez de obras portuguesas deste género literário que colocam uma mulher no centro da narrativa“, explica.

Apesar de esta ser a primeira experiência na escrita, Paulo envolveu-se de tal forma com a narrativa ao longo do último ano que até já tem uma ideia para o próximo romance. 

“Já tenho uma sequela para este livro da Cleópatra, em que a personagem principal se vai moldando ao longo do tempo, em várias histórias. Será um enredo capaz de questionar os pilares fundamentais do catolicismo e, por consequência, a própria estrutura da Igreja”, acrescenta.

“Cleópatra, O Último Sopro” foi colocado à venda no dia 10 de novembro, no site da editora Cordel de Prata e nas plataformas habituais, pelo preço de 22€ (PVPR) — mesmo a tempo das compras de presentes de Natal.

Paulo Fidalgo

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Este artigo foi escrito em parceria com a Cordel de Prata.